CARTAS
Democracia?
Fui abordada semana passada num semáforo e questionada sobre meu voto. Um direito que, como diz o artigo 103 do Código Eleitoral, secreto. Na verdade, com aproximadamente 30 cabos eleitorais ali, fui quase coagida a dizer em quem iria votar. E na hora percebi que não fui muito inteligente em dizer a verdade anunciando meu voto nulo. Senti uma irritação imediata por parte da pessoa que me questionou. Naqueles poucos segundos enquanto aguardava o tão esperado sinal verde, essa pessoa tentou me convencer rápida, porém desesperadamente porque a opção dela era a melhor pra mim. Agora pergunto a eles e a tantas outras pessoas que ficam indignadas quando digo que anulei meu voto, por que não posso exercer pelo menos um pouco do meu direito de cidadã não querendo escolher nenhum? Não quero escolher um candidato para o outro não ganhar. É isso que se chama democracia? Votar obrigatoriamente no menos pior? Penso que isso não é um voto válido. Ele apenas somará para um, ou outro. E ainda tentam me convencer que, votando assim, o voto nulo ou branco, irá ser computado para um dos dois. Isso nunca aconteceu. Pelo menos não na opção para prefeito. Quero ter a liberdade de votar ou não, quando eu achar que existe um bom candidato. Mas o Brasil ainda não comporta um voto facultativo. Enquanto isso, voto nulo sim.
ANA BÁRBARA DE TOLEDO LOURENÇO JORGE (estudante) - Londrina
Fumaça e fedor
A Prefeitura precisa dar um jeito nos caminhões de lixo, proibindo os que circulam com escapamentos que esbanjam fumaça e fedor horrível contra transeuntes e estabelecimentos comerciais. Observa-se que os escapamentos dos veículos que levam o lixo, ao invés de na traseira (o ideal seria que fossem apontados para o alto) funcionam instalados na direção das calçadas do pedestre e dos estabelecimentos comerciais, lanchonetes, bares, açougues, salão de beleza etc.. O serviço da coleta do lixo é terceirizado pela Prefeitura a uma firma de São Paulo. Quem paga pelo serviço é o contribuinte, através da cobrança no talão do IPTU.
JOSÉ FIORI (jornalista) - Curitiba
Medidas em atraso
Recentemente o assunto em pauta da nossa região é sobre o meio ambiente, sempre através de ações do IAP, Ibama. Estranha-me muito que em alguns casos que descreverei a seguir como as medidas estão sempre em atraso e também retroativas. Veja o caso dos criadores de peixe em tanque-rede, inicialmente autorizados em lagos artificiais das hidrelétricas, digo isso porque, se não houvesse sinal verde com certeza não haveria nehum investimento na criação desta modalidade. Agora, o que causa estranheza é a punição aos criadores. Pode-se citar também o caso das casas de veraneio nas áreas marginais da barragem do lago. A legislação sobre tais fato existe lastreada sempre em leis aprovadas e sancionadas pelo poder executivo, seja estadual ou federal mas, as fiscalizações sempre chegam com atraso, após o investimento do produtor, e sempre com punição, principalmente por multas que a legislação permite. Não defendo somente a inocência do investidor, mas também parabenizo a iniciativa de sua diversificação, pois de certa maneira ele está criando novos empregos, gerando tributos. Faço sempre alguns questionamentos, dentre eles, quem investiu merece no mínimo respeito, sem multas e pressões. É necessário criar uma linha de readequaçào de conduta dos negócios. Creio que é possível alinhar, legislação ambiental e orientação técnica na condução de atividades em questão. Simplesmente punir e deixar o criador de peixes com a responsabilidade que violou a lei é muito fácil, difícil é consertar, orientar e desejar sucesso ao empreendimento.
YOCHIHARU OUTUKI (engenheiro agrônomo) - Itambaracá
Soja transgênica
Em muitos aspectos o Governo do Paraná tem razão em dificultar a adoção da soja transgênica. Várias entidades, que se dizem defensores da soja transgênica, não se cansam de tentar convencê-lo a aprovar o plantio em nosso Estado. Alguns agricultores ameaçam o governo afirmando que plantarão, mesmo à revelia da lei e contrariando as entidades ecológicas e até determinações do governo estadual. Acho temerário! O surrado argumento é de que seu uso será ''irreversível'' e que, como apregoa a Faep, o Paraná poderá economizar R$ 750 milhões com a liberação do plantio, conforme procura demonstrar em ''quadros comparativos de custo de produção'' editado em seu Boletim Informativo nº 834 de 20 a 26 do corrente mês. Nesses quadros, o custo de produção entre a soja convencional e a transgênica é de 13,60% a favor desta. Pena que não leve em consideração a diferença de produtividade e a aceitação internacional do produto. Como agricultor, gostaria de ressaltar as seguintes observações. Ainda ninguém tem total segurança quanto aos efeitos da soja transgênica na saúde animal, no aspecto econômico também estamos carregados de sérias dúvidas. As sementes convencionais, muito mais adaptadas à diversidade de regiões de plantio graças ao elogiável trabalho desenvolvido pela Embrapa, são mais produtivas.. As sementes transgênicas ainda são ilegais. Sua obtenção está sob suspeita de contrabando, pois desconhecemos os campos de produção em nosso país e se os há são insuficientes para a demanda só do Estado sulino. Consta que no Rio Grande do Sul os royalties cobrados pela empresa detentora da patente gira em torno de R$ 28,20 por hectare. Lembremos que este valor ainda é baixo por estar subsidiado e a Monsanto faz enorme esforço para introduzi-la no Brasil. Imaginem quando todos estivermos inteiramente à mercê desse monopólio? Deus nos acuda!
PEDRO MORETTO (agricultor) - Londrina





