Direito de cada um

Concordamos com a professora Marialba Plaisant quando ela diz que ''o meu povo está calado'' em carta publicada neste espaço. Se o povo tivesse voz ativa, não estaríamos vendo tantos desmandos e corrupção política. Os responsáveis por tantos roubos seriam presos, punidos e obrigados a restituir o dinheiro roubado da população. O único artifício encontrado hoje pelos poderosos e corruptos, para se defender das acusações dos poucos representantes do povo que têm coragem para se manifestar e tentar mudar a sociedade, é o ataque. Chamar de fascistas as vozes contrárias é procurar se revestir de uma aura de santidade, acusando os outros de agressores. Felizmente, a educação não está mais procurando domesticar o povo para evitar mudanças na sociedade, preservando a ignorância e a submissão, criando um povo que se cala diante dos velhos coronéis da política. Hoje a educação forma cidadãos capazes de se manifestar e cobrar justiça. (Outros sete professores assinam este texto)

JÚLIO CÉSAR COSTA (professor) -Londrina

Democracia

Democracia é uma ideologia que nos ensina a conviver com os diferentes. Mas como toda ideologia ela esconde o outro lado que quase nunca paramos para analisar: o fato de sermos obrigados a aceitar o que a maioria decide. Mesmo que esta maioria seja a maioria dos que se deixam enganar, se deixam levar por um discurso demagógico, pensado e falado só para ganhar o voto daqueles infelizes. No momento, o político que quer ser eleito se diz vítima dos poderosos, dos endinheirados. Tal político está achincalhando toda a sociedade organizada e a classe judicial. A imprensa divulgou à exaustão as irregularidades, os vereadores num procedimento pioneiro na história de Londrina cassaram tal político e até hoje ele não explicou o que fez com o dinheiro da venda das ações da Sercomtel. Será que, em nome da democracia, vamos ser obrigados a suportar tudo isso?

NANCI TRINDADE DE OLIVEIRA (professora aposentada) - Londrina


Voto consciente

Não faço parte de nenhuma campanha política, bem como não sou filiado a nenhum partido político. O meu voto agora é contra a corrupção. É extremamente alienante e sobrecarregado de conformismo que parte do eleitorado londrinense posiciona-se a respeito da futura administração do Poder Executivo de nossa cidade. É desanimador e preocupante escutar nas ruas e nos corredores que algumas pessoas serão obrigadas a votar nulo por falta de escolha entre os candidatos à prefeitura: seja porque um candidato é acusado de desviar verba pública durante a sua gestão ou porque o outro é comandado pelo PT. Analisar a questão partidária de cada candidato é burrice em um país que prevalece o multipartidarismo. Devemos informar esses cidadãos que, votando nulo, estarão de braços cruzados, prostando-se como pessoas ignorantes em relação à política e à cidadania, bem como coniventes com a corrupção.

RODOLFO FERNANDES BATISTA (estudante) - Londrina


Momento decisivo

Não consigo enxergar a diferença entre Lalau e PC Farias e os políticos acusados de corrupção que muitas vezes são eleitos com o discurso mais estapafúrdio: ''Rouba, mas faz''. Antes de falar que alguém rouba, mas faz, devemos nos lembrar que é a nós mesmos que eles estão roubando, o dinheiro dos impostos que pagamos com muito suor, e que se atrasarmos vamos para a cadeia, perdemos nossos bens. Não são todos os políticos que fazem atrocidades aos cofres públicos, existe muita gente boa, mas infelizmente temos o hábito, péssimo por sinal, de eleger os que não fazem parte desta casta de bons políticos. O segundo turno das eleições está chegando e vamos pensar para votar para não elegermos pessoas mal-intencionadas para administrar nosso dinheiro.

ALLAN JAMES DE CASTRO BUSSMANN (estudante) - Londrina


Parquinho esquecido

Como moradora do centro de Londrina e mãe de uma criança de 3 anos, quero registrar a minha indignação quando vejo uma propaganda na TV do prefeito que se diz amigo das crianças. Cresci neste lugar, mudei-me para o centro da cidade aos 6 anos e faz 34 anos que moro no mesmo lugar. Brinquei muito no parquinho do Bosque. Se existe realmente um amigo das crianças, ele faz acepção porque o parquinho central tornou-se impraticável! Não só pela sujeira, abandono dos brinquedos, falta de policiamento que garante a frequência de viciados em drogas entre outros em plena luz do dia. Sem falar das árvores que estão caindo nas calçadas. Qual a mãe moradora da região central que, como eu, tenha procurado aquele parquinho como oportunidade de lazer e não se viu envolta de uma nuvem de medo com o filhinho para proteger, que me atire a primeira pedra. Atualmente existe uma placa falando em revitalização no Bosque, só que a mesma já esteve ali no início deste ano. É só conferir a data do convênio: 16/02/2004.

BEATRIZ GONZÁLEZ DE LIBOS (pedagoga) - Londrina


Beiçola

Discordo do estudante Eder William Campos em carta publicada na Folha no último dia 11 quando fala sobre a eleição do Beiçola (Paulo Sérgio), catador de papel, para vereador de Ibiporã. Conheço Beiçola há algum tempo e fiquei contente por saber que ele foi eleito. Mas fico pensando: por que toda essa preocupação em apontá-lo como herói e celebridade? Antes de tudo isso acontecer era tratado como objeto de brincadeira e ironia e discriminação. Não existe um só Beiçola em Ibiporã, mas sim vários outros clamando por paz, por um serviço social adequado, por uma boa saúde e, principalmente, emprego.

DAMIÃO JOÃO DE SOUZA (educador) - Ibiporã

mockup