Emprego bom!
Nossos ilustres representantes no Poder Legislativo não têm do que se queixar, nos últimos 60 dias, principalmente na Câmara dos Deputados não houve sequer uma votação pelo não-comparecimento dos nobres deputados e senadores. Apesar de não cumprir suas obrigações, nenhum deles teve seus proventos diminuídos, como se todos estivessem em plena atividade. Nas Assembléias Legislativas de todos os Estados e também nas Câmaras Municipais, o descaso com as obrigações foi o mesmo. Se considerarmos os gastos com assessores e demais funcionários dos Legislativos que participaram dessa paralisação, veremos que será bem salgada a conta a ser paga pelo contribuinte. Em agosto, falou-se em esforço concentrado para acelerar votações relevantes para o país, mas o que se viu foi um total desrespeito à população que os elegeram, pois o comparecimento foi desprezível e não se conseguiu quórum para pelo menos serem examinadas as matérias. Será um insulto e um desrespeito aos contribuintes e eleitores se houver convocação extraordinária do Congresso durante o recesso (que não deveria existir), venha de onde vier a convocação. Fica aqui uma pergunta: a não ser o castigo pelo voto (que não sabemos exercer, basta ver alguns dos elementos que elegemos em pleito recente) a quem devemos apelar para que episódios como esse não se repitam? Não podemos esperar pela ''ética'' entre nossos políticos, pois uma grande parte deles, não sabe o que isso significa. Espero fervorosamente que consigamos separar o joio do trigo, pois até hoje nosso critério de seleção deixou muito a desejar.
DARCY BRAZ GUEDES (mecânico) - Londrina

Direito
Estou muito preocupado com a qualidade dos cursos jurídicos ministrados no Brasil. Pertenço a uma instituição particular de Londrina e observo que a grande maioria de meus colegas está preocupada unicamente com fator econômico como forma de se firmar na profissão. Não discuto essa posição. Apenas sinto que a verdadeira interpretação, a teológica, está muito longe da mente destes colegas. Discute-se o Direito na teoria, porém, na prática poucos fazem alguma coisa para melhorar o Brasil. A inércia do corpo docente contagiou o discente. Questões relevantes como a corrupção, a moralidade e a honestidade na profissão são bem pouco propagadas. O egocentrismo espalhou-se por toda a academia. De que vale tantos manuais, códigos se não tomamos nenhuma posição para melhorarmos a vida das pessoas ao nosso redor. A etilização do Direito não nos interessa. O Direito tem por fim regular as relações entre os seres, tornando-os pacíficos e coerentes com a realidade social do país. Para finalizar, lembro a velha canção de Geraldo Vandré na qual em um trecho, resume tudo o que estou dizendo: ''Nos quatéis eles ensinam antigas lições. De morrer pela pátria e viver sem razão''. Será que estamos vivendo sem razão?
INÁCIO GOMES DA SILVA (estudante) - Londrina

Voto em branco
Para os brasileiros, votar é sinônimo de protesto. O voto em branco seria, assim, um recado ao governo: a administração não está agradando e não há candidatos confiáveis. Embora essa atitude denote preocupação com o funcionamento da comunidade, percebe-se, na realidade, que constitui apenas em extravasamento da raiva. Dificilmente, os eleitores tomariam uma decisão a longo prazo, como um compromisso mútuo de se optar por um candidato de visão critica. Além disso, é comum o fenômeno do eleitor de última hora. É o indivíduo que está prestes a votar, mas ainda não sabe em quem. Ele decide, então, votar no candidato mais pitoresco, mais alienado que ele próprio. Por fim, ocorre a votação e se esquece de vez das eleições. Subitamente, o eleitor de última hora acaba sabendo (na última hora, obviamente) que seu candidato estava envolvido em um esquema ilícito. Porém, já é tarde. Resta agora ''engolir'' os Collor, os Maluf e toda essa geração ''pitoresca''. ''Diz-me como votas, e eu te direi de que nação você provém'', poderia ser o slogan de campanha para ''promover'' o subdesenvolvimento do Brasil como a manifestação da cultura popular.
CARLOS EDUARDO BOBROFF DA ROCHA (estudante) - Londrina

Hipocrisia política
Eleitos para o povo, pelo povo (ou para o poder e pelo dinheiro do povo?) Diante da clareza destas palavras iniciais, seria até lógico supor que a questão (do desvio de dinheiro público praticado na administração do falso moralista que se vangloria defensor dos pobres) e opinião pública estivessem resolvidas de uma vez por todas. Ao invés disso, após vários anos a discussão continua aberta. Continuamos a sofrer com as distinções entre o que é justo ou injusto, entre o que é certo e errado, entre agressão e defesa do nosso patrimônio mais sagrado: a cidade de Londrina. Estamos mais uma vez dando comando da nossa cidade a um demagogo, um cidadão que para alcançar seus objetivos não mede consequências. Esse cidadão mente descaradamente, manipula a esperança do povo, prometendo coisas mirabolantes e usando muitas vezes o nome de Deus em vão. Espero que esse povão que tanto o respeita não o perdoe jamais por essas blasfêmias. Por isso, peço aos homens e mulheres de bem de Londrina que nos ajudem a provar para nossos filhos que a frase ''ele rouba mas faz'' não é correta.
VALDERCI DE ALMEIDA CAPELARI (corretor de imóveis) - Londrina

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