CARTAS
Descaso absoluto
A propósito da reportagem 'Morte de manicure revolta vizinhos'', publicada no Caderno Cidades dia 16/10, a sra. Sandra, com certeza, teve agravamento de seu estado de saúde em função da burocracia que reina no modelo de saúde pública vigente, que é rígido e inflexível. No dia 15/10, levei minha tia, que padece de uma gravíssima infecção nas pernas, a dois hospitais sem que houvesse o atendimento. Primeiro, estivemos na Santa Casa e fomos orientados a procurar o HU por uma suposta falta da especialidade que minha tia carecia. No HU também houve recusa em prestar o atendimento pela inexistência de encaminhamento formal. Por fim, fomos orientados a procurar a Unidade Básica de Saúde ''Betinho'' para entrarmos na fila do sistema. Contraditoriamente, após este trâmite, minha tia foi internada na própria Santa Casa, que a princípio (de manhã), segundo informações da recepção, não possuía a especialidade reclamada para o problema de saúde em questão. É vergonhoso que uma entidade que receba verbas públicas para atender pacientes do SUS proceda desta forma. Num sistema de saúde onde se privilegia a burocracia em detrimento do efetivo acolhimento do enfermo é até curioso que não haja dezenas de casos como o da sra. Sandra, mais uma vítima de um profundo descaso na saúde pública.
PAULO SÉRGIO RIBEIRO VIEIRA (estudante) - Londrina
Direito de cada um
O cidadão londrinense não está livre na sua escolha eleitoral: adesivos são arrancados, ofensas são detonadas desmerecendo idade e limite. As pessoas estão sendo atropeladas com baixarias, chamando-as de cúmplices, ignorantes e desonestas. Estamos vivendo um clima de fascismo sem a mínima condição de ir e vir, da preferência e da opção. Será que estamos vivendo outras épocas: Pinochet, Maquiavel, marxismo? Tiraram o direito de falar, opinar, assumir. Vejo meu povo calado, assisto um circo eleitoral onde a vida é um palco de grosserias, julgamentos e críticas. Estamos convivendo com ''comunas''. Necessário se faz, toda e qualquer ajuda a esse povo sofrido, mas antes, não vamos esquecer de suprir os postos de saúde, as escolas, as ruas abandonadas e inseguras. Já saturou o ''rouba mas faz''. Além do que, nem sei se tal paradigma não veio de algum inimigo político.
MARIALBA REGINA D'SIERGEN PLAISANT (professora) - Londrina
Dois caminhos
Temos dois caminhos a escolher. O bom ou o mau caminho. Estamos diante de dois candidatos que disputam a prefeitura de Londrina. A palavra candidato vem do latim e significa: cândido, puro, limpo. Na cidade de Roma antiga, quem quisesse disputar um cargo público e fosse limpo, vestia uma túnica branca e saía pela rua para dizer que ele era puro e se dispunha a ocupar um cargo público. A condição era que fosse puro e limpo. E o povo escolhia sempre o mais limpo, o mais puro. Enquanto o povo assim agia, Roma foi forte e dominou o mundo. Quando o povo começou a escolher candidatos não puros, não limpos, entrou a corrupção e a poderosa Roma caiu nas mãos dos bárbaros. Estamos no mesmo impasse. Diante de nós desfilam dois candidatos. Você deve analisar se são puros e limpos. Você deve verificar sua vida pregressa. Sua vida passada e ver se merecem ocupar o cargo público de prefeito. A vida do candidato deve ser o motivo de sua decisão para eleger este ou aquele. Se o povo escolher o candidato limpo e puro, Londrina vai ser dirigida por alguém sério e de confiança da população. O prefeito será eleito para atender aos interesses da comunidade e não para atender a interesses particulares.
FREI ADELINO FRIGO (sacerdote capuchinho) - Londrina
Telhado de vidro
O padre João Batista Pires, na edição do dia 30/9, mostra uma postura de um juiz implacável que está acima do bem e do mal e da própria justiça que é cega e não julgou ou condenou o ex-prefeito Belinati. Será que a prostituta que na Bíblia é citada e perdoada por Jesus escaparia do ódio voraz do padre? Interessante é que o padre, tão justiceiro, concorde com a realização de bingos e jogos de azar nas paróquias, ou que os padres desobedeçam às leis do Vaticano e candidatem-se, sem contar que a Igreja apóia apenas um candidato, numa antipática conduta antidemocrática. Num país democrático tudo é possível, até mesmo um padre que deveria pregar o amor ao próximo e o perdão esquecer sua condição de religioso.
MOISÉS DOS SANTOS (aposentado) - Londrina
Padre Carlos
Ouvi dizer, recentemente, que quando morre um idoso, morre uma biblioteca. E na bonita Igreja Rainha dos Apóstolos, participando da missa de corpo presente do Pe. Carlos Probst, com quase 102 anos de idade, me senti diante de um monumento! Diante de uma verdadeira enciclopédia de conhecimentos filosóficos, teológicos e humanos. Mas, acima de tudo, uma enciclopédia popular que sabia traduzir as verdades mais nobres da fé em palavras e expressões simples que toda pessoa podia compreender: do caboclo ao mais letrado. Por isso ele foi o padre que desbravava o sertão e, ao mesmo tempo, ocupava a cátedra de Filosofia, da UEL. A família Palotina eleva uma prece de gratidão a Deus, por ter nos dado um homem tão completo. Agradece à Arquidiocese de Londrina: bispos, padres, religiosos e todo o bom povo de Deus. E, manifesta uma gratidão especial a dom Albano, que nos deu uma linda catequese ao recordar a história do padre pioneiro, motivando-nos à missão na modernidade, ou seja, no ''lombo'' da rádio, da TV, do jornal e da internet. Obrigado a dona Jandira que se dedicou, como mais ninguém, ao cuidado zeloso do Pe. Carlos, até o minuto derradeiro de sua missão aqui na terra. Enfim, obrigado a Londrina que soube acolher este missionário desbravador e que guardará para sempre as lições deixadas por ele, sobretudo a certeza de que a vida e Deus são simples e que vale à pena viver bem.
SILVIO ANDREI (padre) - São Paulo





