CARTAS
Igreja e política
Infeliz e inoportuna a declaração do padre Valter Diniz, assessor de Comunicação da Arquidiocese de Londrina, em entrevista publicada ontem neste jornal. Ainda bem que ele não representa a direção oficial da Igreja em Londrina. Caso fosse essa a postura do arcebispo, daria vergonha ser católico. A Igreja não precisa e nem deve defender candidatos, mas jamais poderá fazer vistas grossas quando o que está em jogo é a moral e a decência. Com o mesmo ímpeto que condena o aborto, o uso da pílula e a defesa da vida, a Igreja não pode em hipótese alguma ser conivente com a promiscuidade político-administrativa que, num passado recente, tomou conta da cidade, envergonhando os londrinenses em prejuízo do bem comum. Ficar em cima do muro é oportunismo! Uma forma de jogar dos dois lados e estar de bem com todos. Se Jesus tivesse tido a postura deste clérigo, não teria incomodado ninguém e teria morrido com bem mais de 33 anos.
PAULO CARMELINDO VOLPE (representante comercial) - Londrina
Neutralidade?
Ao ler a reportagem ''Padres assinam manifesto em apoio a Nedson'', ontem na Folha, senti-me orgulhoso de minha Igreja ao saber que dos 40 párocos de Londrina, 31 se manifestaram em favor da ética, da responsabilidade e da verdade. Neste momento é fundamental fazermos uma opção àqueles que têm o dom da palavra, pois conforme o Apocalipse 3,16, a neutralidade é coisa abominável por Deus. Considero infeliz a colocação do padre Valter, assessor de comunicação da Arquidiocese, que se mostrou neutro diante de mentiras, do desmando e das denúncias de corrupção que assombraram durante anos a cidade. Que bem é esse que o padre está falando ao assemelhar os dois candidatos? Parabéns aos representantes das 31 paróquias que sabem dizer sim quando é sim e não quando é não.
JOSÉ APARECIDO RAMALHO (bancário) - Londrina
Dona Maria
Os idosos merecem todo carinho, atenção e cuidados, principalmente, por parte dos filhos. A condição sócio-econômica não justifica o desprezo do pai ou da mãe, simplesmente abandoná-los em suas casas sem tampouco retribuir com o mínimo de dedicação ao que eles fizeram durante toda a vida por seus filhos. A pobreza é muito díficil sim, contudo quando a idade já é avançada o ser humano não necessita somente de recursos financeiros, precisa de companhia, dedicação, ter com quem partilhar os poucos anos de vida que ainda lhe restam. Meu pai tem 73 anos e quero que ele viva muito ainda e divida comigo esses tão preciosos anos que Deus ainda vai lhe dar. Sinto orgulho que ele ainda queira partilhar comigo suas experiências, queira conversar, isso o faz sentir-se jovem e eu sentir-me amada. Fiquei muito triste ao ver a reportagem da sra. centenária abandonada por sua família. Eles não sabem que estão perdendo o que jamais poderão compensar.
ANDRÉA DE OLIVEIRA CAMPOS (contadora) - Londrina
Ingênuo ou conivente?
Quem vota em corrupto é burro, ingênuo ou conivente? Nesse período eleitoral essa indagação se faz perfeitamente válida e merece meditação. Suponhamos que numa certa cidade, um ex-político, aproveitando-se do poder de seu cargo e juntamente com outros ocupantes de cargos públicos formassem um ''grupo'' especializado em desviar dinheiro público destinado a obras sociais e melhorias na cidade. Desvios esses que somassem centenas de milhões de reais e que fossem parar no bolso dos corruptos para uso próprio na compra de dezenas de imóveis, veículos, fazendas, faculdades e hotéis, muitas vezes colocados em nome de ''laranjas'' para que acobertassem a falcatrua, mas que também disso tirassem proveito. Imaginem também que uma parte dessa falcatrua fosse descoberta, investigada e que os autores deste crime acabassem denunciados pelos próprios comparsas, chegassem a ser presos e soltos provisoriamente por recursos jurídicos, enquanto respondessem mais de 30 processos, inclusive por formação de quadrilha. Suponhamos que um deles fosse novamente candidato e baseasse sua campanha eleitoral na mais vergonhosa demagogia. Quem votasse nele seria burro, ingênuo ou conivente? Se nesse lugar existisse justiça, inimigo público deveria devolver o dinheiro roubado e ir pra cadeia e não para a prefeitura.
MARILENA CHUBACI (dona de casa) - Londrina
Frustração
Em carta publicada na Folha de Londrina, edição do dia 6, o leitor Valdir Custódio diz ter experimentado situações inusitadas em relação às eleições do último dia 3. Afirma que, enquanto em São Paulo os eleitores repudiaram um candidato corrupto, aqui em Londrina um candidato que responde a inúmeros processos por corrupção recebia mais de 30% dos votos válidos. Diante da constatação da farsa apregoada pelo candidato, que consegue iludir o ingênuo na sua boa fé, Valdir se vê desencantado em falar ao filho de 7 anos sobre a ética e a moral enquanto o garoto observa grassar a hipocrisia, a mentira e a falsidade. Caro Valdir, fale exaustivamente com seu filho sobre as virtudes, explique a ele sobre os poderes que governam nossa República e diga que, não fosse a morosidade de um dos três, os corruptos londrinenses já teriam sido condenados e a sociedade satisfeita por ver triunfar a Justiça. Ensine seu filho a viver honestamente, a não desejar mal a ninguém e a dar a cada um o que é seu.
ANTÔNIO DA SILVA PINHATARI (aposentado) - Londrina
Ambientalistas
Com alegria li o editorial da Folha de quarta-feira sobre os ambientalistas. Obrigado pelo apoio e espaço deste veículo de comunicação. Entre tantos fragmentos do nosso sistema, é gratificante verificar a possibilidade de podermos ''construir pontes''.
DANIEL STEIDLE (ambientalista) - Rolândia





