CARTAS
Injustiça eleitoral
As urnas mostraram os nossos representantes nas Câmaras de Vereadores. Porém, existem as chamadas injustiças eleitorais que ocorrem quando um candidato recebe mais votos do que outro, mas este é que se elege, pois no final da apuração tem que ser feito o cálculo de quociente eleitoral para se saber quantos votos são necessários para que cada partido possa eleger um vereador. É aqui que a injustiça fica escancarada: um candidato com 679 votos, como é o caso de Ibiporã, perde a vaga para um com apenas 385. Se os vereadores são os representantes do povo, quem é mais representante, o de 679 ou o de 385 votos? Nada contra o que recebeu 385 votos, mas é somente uma questão de representatividade. Sei que vão falar que se deve atentar para a representatividade de cada partido, tudo bem, mas isto só funciona nos EUA, onde uma pessoa se filia em um partido e morre filiado a ele. Ao contrário do Brasil, onde um político se elege filiado ao partido A e termina o mandato tendo passado por vários outras legendas, quando não muda antes mesmo de tomar posse. A Lei Eleitoral deve ser mudada urgentemente para que sejam eleitos sempre os mais votados.
RODRIGO FABIANO DE OLIVEIRA FERREIRA (auxiliar administrativo) - Ibiporã
Londrina perde
Gostaria de parabenizar a população de São Paulo que deu um exemplo de cidadania e inteligência, não dando chances ao candidato Paulo Maluf (não precisa dizer por que, precisa?). É uma pena que não posso dizer o mesmo da minha querida Londrina, que mais uma vez se vê iludida com promessas falsas e demagógicas do ex-prefeito cassado. Agora pergunto? Como ensinar meu filho de 7 anos a ser ético, preservar clareza nas suas atuações e ser honesto acima de tudo, se o que presenciamos no dia-a-dia é totalmente o contrário. É uma pena Londrina!
VALDIR CUSTÓDIO (estudante) - Londrina
Memória curta
É revoltante saber que uma parte dos cidadãos londrinenses tem memória curta. A cassação do ex-prefeito de Londrina foi divulgada em todos os meios de comunicação. Quem sabe Londrina poderá ter o prefeito que merece.
FLORINDO DA SILVA LIMA (comerciante) - Londrina
Cotas raciais
Concordo com as afirmações da professora Francisca Vergínio Soares no artigo ''Cotas raciais e gerações de negros na universidade'' publicado no dia 25/9 na Folha. E digo mais: deveríamos não só tirar as vagas dos estudantes melhor preparados, como também deveríamos levar essa questão de reserva de cotas com relação a empregos. Assim não teríamos mais que nos preparar para o mercado de trabalho, aqui no Brasil, como também todas as especializações oferecidas por todas as instituições de ensino estariam fadadas a fecharem seus cursos. Com todo seu vasto conhecimento e no alto de seu doutorado, a professora deveria pensar também nessa tal sociedade democrática que afirma viver e deixar seu emprego para alguém que realmente necessite, não seria soberbo! É triste ver pessoas querendo resolver um problema histórico, transferindo-o para as gerações seguintes. Como não pensamos nessa ''solução'' antes! Vai ver as pessoas de antigamente, apesar de ter pouco acesso às informações, já sabiam que este não é o melhor método para solucionar a desigualdade social.
GUSTAVO DE MATTOS GIROTTO (estudante) - Londrina
Cotas raciais
No momento em que o governo, universidades e a sociedade discutem as cotas para negros e estudantes de escolas públicas tentando integrar essa parcela da sociedade ao meio acadêmico, pergunto qual a chance de um aluno do Jardim Panissa, Campos Verdes ou Maracanã chegar à universidade? E que tipo de acadêmico estaremos formando se durante a sua infância o Estado não oferece nada a este cidadão? Falta a ele roupa, comida, moradia digna, saúde e, principalmente, papel e caneta. Nem é preciso dizer que programas como vale-gás ou bolsa escola simplesmente não chegam a estas pessoas, esses recursos se perdem no ralo da corrupção. Quero destacar que não sou nem um pouco racista: meu médico e meu advogado são brilhantes profissionais negros, formados em uma época em que não haviam cotas. Faço essa pergunta porque, se um bom aluno que passa a vida estudando em boas escolas particulares chega à universidade semi-analfabeto, o que dizer de um aluno oriundo de escola da periferia? Além disso, um aluno que ingressa na universidade por meio do regime de cotas acredita que o diploma é garantia de emprego e vida melhor. Isso é uma grande ilusão. A não ser que o governo já esteja pensando em criar ''cotas de emprego'', ou seja, que já esteja no forno uma lei que obrigue os empresários a destinar, compulsoriamente, 40% dos postos de trabalho de suas empresas aos formandos cotistas.
ROBERTO TEIXEIRA (empresário) - Londrina
Carta aos mestres
Quero, pela emoção que senti, externar os meus parabéns à professora Cinthia Gonzaga Aguillera pela carta dirigida aos mestres em artigo publicado ontem na Folha. Os conceitos emitidos pela ilustre professora são dignos de imediata reflexão de todos que desejam uma sociedade ajustada aos parâmetros de uma cultura moderna e de um país em que todos sejam iguais perante à lei, construído prioritariamente pelos ''mestres da vida'' no universo da educação.
JOSÉ ÁLVARES DELFINO (professor) Londrina
Correção
- A foto publicada na edição de ontem da Folha2 não é de Janet Leigh. Trata-se de Anne Heche, protagonista da refilmagem de ''Psicose'', de 1998.





