CARTAS
Medo
Mais uma vez estou vendo a cidade que tanto amo indo para o fundo do poço. Parece-me que alguns dos eleitores de Londrina ainda acreditam naquela frase tão famosa: ''Ele rouba, no entanto faz.'' Vai aí um pequeno exemplo. Um funcionário exemplar que faz tudo que o patrão pede e até o que ele não pede, é educado, carinhoso, aparentemente fiel, fala sempre em Deus e na família, porém, rouba todo mês uma larga fatia dos lucros da empresa. Ainda assim, se você fosse o patrão ficaria com ele como empregado? Graças a Deus ainda temos segundo turno.
VITOR ERNANI BENINI (estudante) - Londrina
Que país é este?
Trabalho com adolescentes que, por inúmeros fatores, cometeram delitos. Esses meninos são discriminados, apontados como ladrões, vivendo à margem da sociedade. No entanto, essa mesma sociedade aplaude os roubos e contravenções cometidos por pessoas que possuem ''status'' social. Afinal, o desvio de verbas dos cofres públicos que aumenta a exclusão social e, consequentemente, a violência foi legitimado em nosso meio? O que pensar desse processo eleitoral em Londrina? Que exemplo estamos passando para nossas crianças e adolescentes? Como todo modelo que dá certo é seguido, me parece que fica o recado: não roube pouco, roube muito. Nessas horas, sinto vergonha de ser brasileira, sinto repúdio da nossa política. Sei que se tudo prosseguir assim, continuaremos a ser esse país subdesenvolvido, sem muitas perspectivas.
JACQUELINE MARÇAL DE SOUZA MICALI (assistente social) - Londrina
Medo da sombra
A paranóia e o pânico tomaram conta de vez do governo norte-americano. Vetar a entrada de Cat Stevens no país, chegando inclusive a desviar o vôo em que viajava o cantor, sob o insensato argumento de que trata-se de elemento vinculado ao terror, é prova disso. Claro que 11 de setembro é uma data para nunca se esquecer, mas um governo com os nervos à flor da pele e que anda com medo da própria sombra, não é compatível para exercer a soberania mundial, sobretudo da forma que o faz: subjugando tudo e todos.
HABIB SAGUIAH NETO (bancário aposentado) - Marataízes (ES)
Aulas de trânsito
Ao passar por uma das ruas do centro de Londrina, em uma velocidade de 20 km/hora fui parado numa ''blitz de trânsito''. Como estava com os documentos em ordem, nem me preocupei. Fui solicitado a descer do veículo, quando registraram o número de minha habilitação. Quer saber por quê? Tinha cometido uma ''faltinha'' sem graça (assim pensava eu), que era estar sem cinto de segurança. O meu espanto é que, apesar de ter sido parado, não fui notificado a pagar a multa. Simplesmente me mandaram participar de uma palestra sobre trânsito. Essa palestra, que deveria ser obrigatória a todos os motoristas, foi muito importante para nós infratores. Aprendi que 90% das mortes ocorrem pela falta de uso do cinto de segurança, 80% das mortes ocorrem pelo fato de o passageiro, do banco de trás, bater no banco da frente. Aprendi muito mais coisas que nem imaginava, mesmo após conduzir veículos há mais de 30 anos, sem nunca ter tido um acidente grave sequer. Gostaria de parabenizar a Polícia Militar do Paraná por essa atitude. E solicitar às autoridades federais que obriguem todos os motoristas a assistirem esse tipo de palestra no mínimo uma vez a cada dois anos, sob pena de perder sua habilitação. Uma segunda medida é tornar obrigatório, nas pré-escolas e escolas de ensino fundamental, a matéria sobre conscientização no trânsito. Se cometemos uma infração, de qualquer natureza, sempre achamos que coisa ruim só acontece com os outros. E o dia em que nós formos ''os outros''?
JULIO CESAR PUCCI (representante comercial) - Londrina
Ruth Bolognese
Até que enfim a jornalista Ruth Bolognese percebeu o quanto tem irritado os londrinenses com os registros que tem feito em sua coluna quando trata de fatos de Londrina, ao fazer apologia de um político cassado por improbidade administrativa que, estribado na morosidade da Justiça, e valendo-se de expedientes que favorecem a impunidade, insiste em voltar à Prefeitura de Londrina. Ela defende o ''sagrado'' direito desse indivíduo, alegando que ele tem de ser julgado pelo povo. Ora, o povo já fez o julgamento devido, por meio dos seus legítimos representantes na Câmara Municipal, tendo decidido pela cassação dele, a menos que tal representatividade tenha sido banida da Constituição Federal e não tenhamos sido comunicados sobre tal decisão. Quando a articulista, usando de seu habitual tom sarcástico, para não dizer debochado, se refere ao ''Movimento Pés-Vermelhos'' e, possivelmente, aos seus componentes, como ''os que se julgam os mais puros guardiões do dinheiro público'', sugiro que ela conheça um pouco da história de Londrina e saiba que foram 92 entidades representativas, desde os mais ''poderosos'' até os mais humildes munícipes, além do Ministério Público do Paraná, que exercitaram o dever sagrado da cidadania, em sua plenitude. É bom lembrar que esse movimento foi reconhecido mundialmente por meio do prêmio que recebeu da instituição ''Transparência Internacional'', com sede em Praga. O pior cego é o que não quer ver.
IRACEMA CORDEIRO CARNEIRO (professora) - Londrina





