CARTAS
Candidatos a cidadãos
Somos todos vítimas de nossas próprias ações. Quando lidamos com indiferença e descaso às questões públicas estamos assumindo uma posição contrária à mudança e transformação da vida em sociedade. Ao acionarmos este mecanismo de defesa, levantamos culpados, mas não combatemos a inércia social que nos corrompe. O caos social nos impele a acreditar que os direitos políticos fugiram do nosso controle. Tornamo-nos seres alienados às causas sociais. Não nos dispusemos a conhecer as reais razões que permeiam as injustiças sociais. Desta forma somos alheios àquilo que nos faz cidadãos. Pois, há uma inutilidade permanente de se desvalorizar os elementos genuinamente brasileiros. Uma nação não existe sem seu povo. Se não estabelecermos uma real identificação com as qualidades de nosso país, quem o fará? Somos parte integrante tanto de um sistema opressor como também do oprimido. Cabe a cada um fazer sua escolha. É certo que não estamos imunes à condição de descrença. Mas é preciso não esquecer de que somos co-participantes de um corpo, cujos membros devem se responsabilizar por suas tarefas específicas. Sejamos então, um organismo vivo, apto às transformações que o meio exige. Cada ser social é responsável, primeiramente, por sua candidatura à cidadania plena. Para escolhermos um governante que nos represente digno de ser louvado, antes de tudo temos que avaliar nosso conceito de atuação política.
RUBYA TESSER (estudante) - Londrina
Desonestidade
O fato de um candidato já cassado por roubo estar em primeiro lugar nas pesquisas em Londrina confirma a suspeita de que o número de ladrões é muito maior do que possamos imaginar. Há ladrões que roubam como profissão batendo carteiras ou usando de violência. Há ladrões que roubam quando a oportunidade aparece, segundo o provérbio ''a ocasião faz o ladrão''. E há os ladrões enrustidos que morrem de inveja dos outros ladrões e só não roubam por falta de coragem. Ladrão não é só aquele que comete o ato do roubo, mas, também, aquele que de alguma forma apóia a sua ação ilícita. No caso do político corrupto aquele que através do voto lhe abre os cofres públicos também é co-participante do roubo que ele venha a praticar. O absurdo é que o político corrupto não rouba o dinheiro dos outros, mas o nosso próprio dinheiro do IPTU e dos demais impostos que pagamos. Apoiar ladrão que rouba os outros é desonestidade. Apoiar ladrão que rouba o nosso dinheiro é burrice.
JOÃO BATISTA PIRES (padre) - Londrina
Demagogiar é fácil
No horário eleitoral do dia 27/9 o candidato a prefeito e ex-prefeito cassado por improbidade administrativa disse que no debate os candidatos que não se acovardaram e compareceram deveriam apresentar propostas para a futura administração. Manchete veiculada na Folha (28/9) diz que apenas 7 dos oito prefeituráveis confirmaram presença no debate de hoje na TV Coroados. Será que o mesmo que acovardou-se e não compareceu ao debate da TV Tarobá, e agora usa seu espaço do horário eleitoral para dizer que os candidatos deveriam somente apresentar propostas, irá comparecer ao debate programado ou irá acovardar-se novamente? O município de Londrina precisa de governantes que tenham coragem e humidade que compareça aos debates e apresentem suas propostas.
MIGUEL POLSKISH FILHO (aposentado) - Londrina
Greve dos bancários
A greve dos bancários é mais do que justa, pois enquanto os bancos apresentam lucros absurdos (frente a conjuntura econômica do País), além de majorarem as tarifas bancárias em até 200%, oferecem aos seus funcionários aumentos insignificantes na ordem de 9% a 10%, o que enseja concluir que há um significativa incoerência. Todavia, entendo que os grevistas caminham por vias oblíquas nas reivindicações de seus direitos. A greve é justa mas a partir do momento que existe uma paralisação total, o prejudicado é o povo que, ao invés de apoiar o movimento paredista, não o faz pelos prejuízos que está causando. Portanto, serve como orientação aos grevistas que deveriam movimentar as agências com 40% do seu contingente e 60% aderir o movimento grevista. Assim a população, mesmo que precariamente, estaria sendo atendida e o apoio seria inevitável, enquanto que o prejuízo dos banqueiros também seria significativo pois o que estaria sendo movimentado seriam tão-somente os serviços básicos.
CARLOS HENRIQUE SCHIEFER (advogado) - Londrina
Ruth Bolognese
A manifestação jornalística de Ruth Bolognese sobre as eleições e os candidatos de Londrina é um coroamento da sua versatilidade, com o destemor da análise evidenciado em suas linhas. Expõe-se em favor do conteúdo crítico. Arrisca-se. Dá sentido, dá direção, dá ordenamento. O fato, minha cara jornalista, para você é uma verdadeira fonte, que não se realiza em jornalismo de composição, de acomodação. Pelo contrário, ele é matéria-prima insubjugável em sua pena. Forma juntamente com Luiz Geraldo Mazza e Fábio Campana o trio que melhor informa os paranaenses. Esse trabalho, respeitada a peculiaridade das áreas, nivela-se à literatura de Leminski e de Dalton Trevisan. O conteúdo da inspiração do poeta Fernando Pessoa torna-se ainda mais notável no seu comportamento: ''Navegar é preciso. Viver não é preciso''.
REINALDO SOARES DE SOUZA (servido público municipal) - Arapongas
Correção
- Diferentemente do publicado na reportagem ''UEL procura imóvel'', publicada ontem na página 2 do Cadeno Cidades, o valor máximo de R$ 155 mil para o aluguel de um imóvel para abrigar os moradores da Casa do Estudante da Universidade Estadual de Londrina (UEL) é anual.





