CARTAS
Voluntariado
Sou aluna do terceiro ano do ensino médio e, como profissão, escolhi o magistério de línguas. Assistindo à televisão, interessei-me pelo programa de alfabetização criado pelo governo, na tentativa de diminuir a taxa de analfabetismo. Muito me orugulhei da iniciativa do governo em tentar mudar o País. Como disse, interessada, fui à procura de informações para me tornar uma voluntária, uma ação também incentivada pelo governo, porém a resposta que obtive é que a lei me incapacita, pois ainda não conclui o ensino médio. Entretanto, a lei me permite votar, escolher o representante da nação, criticar a corrupção, analisar os candidatos e suas idéias, mas não me permite ensinar uma pessoa a ler e escrever. Isso é uma prova de que a educação não atingiu a todas as classes, fato que ainda perdura. Infelizmente, não terei o prazer de doar um pouco do que aprendi na escola às pessoas que não tiveram isso. Mas chamo a atenção que, se para tal assunto a lei vigora, por que a lei não tem a mesma agilidade em outros casos? Faço um pedido a todos aqueles que a lei capacita para se tornarem voluntários nesse projeto de alfabetização e em outros. Um povo que sabe ler leva o País a crescer. Assim, teremos uma população mais informada e menos passiva frente a corrupção e a outros problemas brasileiros.
JORDANA ALEXANDRA LIMA GARCIA (estudante) - Londrina
Educandário
Como representante do Conselho de Cultura da Região Oeste de Londrina, na 4 Conferência Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, realizado em julho de 2003, participei de um debate sobre aquilo que seria hoje o educandário, localizado na região sul da cidade. Fui um dos poucos a questionar a validade da construção deste educandário e mesmo a sua localização. Enumerei várias justificativas que me levaram a ser contra este projeto. A localização, ao lado da Casa de Custódia, só iria constranger os adolescentes que iriam ser levados para lá (era como se dissessem a eles: ''Olha o futuro de vocês fica bem ao lado''). A construção do prédio, cheia de falhas estruturais, mais parecendo um 'castelo de areia' do que outra coisa. Sugeri que em vez de se gastar dinheiro com unidades de repressão (a Febem de São Paulo é um exemplo vivo disso), pegaria o orçamento e investiria em escolas profissionalizantes de tempo integral, que na verdades são elas é que acabam fazendo o processo de educação com estes adolescentes. Denunciei que se o educandário fosse implantado, aquilo em pouco tempo iria virar um ''barril de pólvora'', como de fato acabou se tornando. É uma pena que dá para se contar nos dedos as pessoas que não têm rabo preso com o decandente poder público deste país para falar aquilo que pensa e sustentar aquilo que fala
JUAREZ REZENDE ARAÚJO presidente do Conselho de Cultura da Região Oeste - Londrina
Criminalidade
O aumento do índice da criminalidade no Brasil é assustador justamente porque é crescente o número dos homicídios, crimes de extorsão mediante sequestro, tráfico de drogas, latrocínios entre outros. As estatísticas revelam essa realidade quando obtém-se os resultados alarmantes de que o país ocupa os primeiros lugares do mundo nos quadros demonstrativos desta incômoda verdade. O sistema prisional está fadado à falência e ao descaso. A sua verdadeira identidade ou objetivo que, ao culpado pela prática de uma infração penal, cuja finalidade, dentre outras, seria promover sua readaptação social e prevenir novas transgressões pela intimidação dirigida à coletividade, não vai além do que está escrito. O Código Penal brasileiro descreve crime ou contravenção penal para tudo e, ainda assim, com uma legislação tão abrangente, os criminosos sempre estão à frente do aparato policial do Estado. Observa-se, no entanto, um Estado sem forças para impedir a delinquência socioeconômica que ameaça sua estrutura: a pobreza; o agravamento das desigualdades; crise do modelo familiar; desordem moral; o narcotráfico e o crime organizado. Genericamente pode-se dizer que o motivo é complexo, pois o sistema criminal não funciona desde a polícia até a execução da pena. Além da corrupção instaurada, ocorre também uma enorme confusão em relação à aplicabilidade da legislação penal.
Diante do caos instaurado, acredita-se que numa discussão que demanda tantas considerações não se pode, sectariamente, restringir o debate a um ou outro ponto de vista, sob pena de se pauperizar o próprio parecer. Ressalta-se que todas as medidas que forem tomadas em prol da melhoria das condições de segurança da população, só surtirão efeitos se acompanhadas de ações de alcance social. É irrefutável que medidas estritamente de segurança pública sem uma política social de geração de empregos, educação, saúde, alimentação e lazer não surgirão os efeitos vislumbrados, quando muito, atuarão apenas na superfície por breves instantes.
EDILSON PANICKI (estudante) - Londrina
* As cartas devem ser digitadas, assinadas, com no máximo 10 linhas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Cartas e e-mail sem os acompanhamentos exigidos não serão publicados.
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