Discriminação

Casou-me indignação a notícia de que uma famosa escola particular de Londrina teria rejeitado a matrícula de uma criança pelo fato de ser portadora de deficiência física. Alegou a dita escola que a criança poderia ser alvo de constrangimento das outras crianças ''normais'' e que estas também poderiam ficar constrangidas com a presença da colega deficiente. Mal sabe este diretor, de personalidade míope pois ''não enxerga à distância'', que as crianças não vêem a diferença. Ao contrário, convivendo com pessoas deficientes somente têm a ganhar e crescer como cidadãos conscientes de seu papel na sociedade. Sou mãe de uma criança portadora de paralisia cerebral e tive a felicidade de vê-la bem acolhida na Escola Municipal Maria Irene Vicentini. Todos estamos felizes e satisfeitos com esta inclusão. Resta uma sugestão ao diretor da escola supracitada: tire este tampão que não lhe permite ''ver''. Caso não consiga, use um ''óculos especiais'', pois ele mesmo é portador de necessidades especiais - na alma.

MARIA DO CARMO PINHATARI FERREIRA (presidente da Apae de Tamarana) - Londrina



Políticos

Com referência a carta publicada neste jornal, do senhor Fabiano Bezerra de Souza, foi bastante oportuna e demonstra o interesse da população pela política e seus efeitos. A Folha de Londrina publicou que 113 disputam cargo em Uraí, sem salário. Parece-nos que os cargos e o poder de mando atraem os homens. Quantos não gostariam de ser governo ou prefeito, mesmo que não fosse remunerado? O homem é um ser político por natureza. Talvez, o que precisássemos fosse melhor escolaridade para a ocupação desses cargos. Se quisermos ser um juiz de direito, auditor fiscal, policial federal, contador, procurador, termos que ter escolaridade específica. No entanto, para cargos políticos isso não é exigido.

ANTÔNIO PEREIRA (contador) - Londrina



Fundo de vale

Em artigo, publicado na Folha no último dia 21, o professor Osvaldo Cardoso Ribeiro dissertou sobre fundo de vale, o que me interessou, pois tenho uma propriedade no Vale dos Tucanos. Em outras épocas, aquele local era lazer de nossos pais. Mas, hoje, as coisas mudaram e não temos este local como lazer. Pagamos muito caro nosso imposto e não dá para justificar que o fundo de vale esteja ocupado por famílias sem-teto. A área de lazer foi criada por uma lei municipal no tempo do prefeito Luiz Eduardo Cheida e quem saiu perdendo fomos nós, proprietários daqueles terrenos. Perdemos porque não temos ordem para construir mais que uma casa de 5 mil metros quadrados e nada de comércio. Por que, então, uma fundação pôde construir sete casas num daqueles terrenos e ninguém da prefeitura de Londrina fez nada? Além de não pagar imposto, as casas ficam próximas do encontro das águas do Lago Igapó e do Córrego dos Tucanos. A lei, pelo jeito, não foi feita para todos.

THEREZA MARIA BARROS (aposentada) - Londrina



Comerciário organizado

A greve dos bancários vem trazendo transtornos a todos que, dependem das operações bancárias. A greve dos bancários é sempre muito bem organizada, não sei se isso é fruto do sindicato da classe ou se os méritos são do grau de instrução dos bancários. Os bancários lutam por uma melhor qualidade de trabalho, com salários justos. Nós, comerciários, temos tentado expressar nosso descontentamento, seja devido a salários, ambiente de trabalho ou carga horária. Recentemente tivemos uma manifestação de alguns comerciários que, em sua caminhada por ruas da cidade depredaram patrimônio privado, isso é o reflexo de uma classe carente de liderança sindical atuante. O comerciário é a classe trabalhadora que tem uma das maiores cargas horárias no Brasil. Para nós é utopia carga horária de 44 horas semanais. Tem profissional que chega a ter um expediente de 12 a 14 horas diárias sem ganhar por isso. A grande maioria dos comerciários é comissionada, vendeu, ganhou. Não é a carga horária que faz salário é produção, loja de portas fechadas não vende. Há quem diga que os sindicatos agem mediante denúncias, sindicato não é órgão público, tem que agir de acordo com os anseios de sua classe, tem que sair às ruas, fazer trabalho de prevenção, ser atuante. O comerciário muitas vezes vive em situação deplorável em gestão de pessoas, com gerentes despreparados, sem atualização de como liderar uma equipe. Nós precisamos da atuação do sindicato, pagamos pra isso. Comerciários, sejam uma equipe unida, se seu gerente não é uma ''Brastemp'', troque por uma ''Brastemp''. O mercado está repleto de bons profissionais, somos nós que determinamos quais são nossos líderes.

CLÁUDIO CAMILO DA COSTA (comerciário) Londrina



O outro lado

Sem fazer esforço algum, pois está apenas tornando público seu lado pessoal - composto de simpatia e sobretudo humildade -, Lula consegue algo que há muito tempo a política brasileira não experimenta: a identificação do presidente da república com o povo. Sem dúvida é um grande passo, mas para que todo esse momento não passe de simples utopia, Lula sabe melhor que ninguém que tem o dever de investir no combate à desigualdade social e na assistência aos menos favorecidos, maioria da população do país. Deve deixar um pouco de lado esses confortáveis e ilusórios números da economia, que só beneficiam banqueiros e empresários, e cumprir aquilo que está embutido em seu âmago e que certamente o incomoda nos momentos de reflexão: o outro lado. O tempo está passando. E caso não o faça, sabe que não terá cumprido como deveria seu mandato.

HABIB SAGUIAH NETO (bancário aposentado) - Marataízes (ES)

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