Voto consciente

Mesmo com dificuldade de visão continuo me esforçando e lendo meus jornais. Venho observando nas cartas a manifestação de desalento, amargura, decepção, até a raiva de cidadãos e cidadãs em relação à eleição que se avizinha e a essa enxurrada de candidatos. Também me vejo assim em certos momentos mas nunca pensei em anular meu voto ou deixar de votar. Realmente nessa plêiade de oportunistas é difícil perceber até o ''menos pior''. Esses candidatos ''Mister M'', vendedores de ilusão, com promessas de acabar com desemprego, fome, miséria, desnível social, pedágios, tarifas de impostos, etc., sempre vão aparecer. É de sentir pejo e rubor ouvir as suas propostas de trabalho, prometem um oásis tão grande que é de assustar e levar os incautos a acreditar, como já aconteceu. Nas cartas vejo que muitos pretendem anular o voto. Se me permitem, sugiro que não o façam. Essa idéia me passou também pela primeira vez. Todavia, penso que compete a nós com nosso voto ir preparando o terreno para gerações futuras. Aquele que tem a coragem de manifestar seu repúdio na imprensa para os mandatários que aí estão, procurou votar bem, não caiu nas esparrelas das promessas vãs de eleições passadas. Caso tenham caído estão percebendo o erro e isso é bom, serão mais cuidadosos. Outros países passaram também por essas agruras e, aos poucos, foram democraticamente limpando o caminho para ser o que hoje são. Talvez eu não veja isso, contudo creio que enquanto analisarmos e sentirmos vergonha de tantas asneiras ditas, cumpramos o nosso dever de votar. O não votar é um voto a mais que esses falsos profetas irão receber. Separar o joio do trigo é difícil, não vamos esmorecer. Não votar será a concordância para esse caos em que vivemos. Como diz a propaganda o seu voto pode fazer a diferença, ou melhor, ser a diferença.

SUAMI DE SOUSA (professora aposentada) - Arapongas


Vandalismo

Nem bem acabaram as obras de revitalização do Lago Igapó 2 (que, diga-se de passagem, ficou pra lá de bom) já começaram a queimar lâmpadas. Obviamente, em lugar estratégico, talvez para transformá-lo em mocó ou para práticas ilícitas que nem é preciso citar. O mais engraçado é que existe a ronda da Polícia Militar, mas parecem fazer vistas grossas ao que acontece diariamente naquele ponto cuja iluminação foi prejudicada (ao lado dos Bombeiros). Com a palavra as autoridades responsáveis pela manutenção e zelo do Igapó 2. Não deixem que o local vire o que era no passado quando tínhamos medo de perambular naquelas imediações.

CARLOS ALBERTO SILVA LOPEZ (empresário) - Londrina


Cata-ventos

Anteontem abri o jornal pra ler as notícias do dia e com o que me deparo: política. Por ser ano eleitoral, nossos respectivos candidatos estão sonhando com uma cidade maravilhosa, sem problema, onde todos possam viver na paz. Mas o que mais me deixou estarrecido foi a reportagem a respeito de um objeto de campanha de uma das candidatas à prefeitura de nossa cidade: os ''cata-ventos''. Olha onde chegamos. Político com mandado de apreensão porque outro candidato está usando sua logomarca, que está registrada ou licenciada por outro político. Sinceramente uma coisa deplorável. Sabemos que a política nunca, em momento algum, vai fazer um mundo melhor. O que vai acontecer é amenizar. Ao invés desses mesmos políticos pensarem no futuro de suas cidades para um mundo melhor, com projetos de leis que pelo menos venham solucionar problemas críticos em nossas cidades, ficam se atingindo com mandados de busca e apreensão por causa de uso indevido de produtos. Pelo amor de Deus! Ao invés de picuinhas partidárias, os políticos deveriam trabalhar em conjunto para o tão esperado bem da nação que eles mesmo proclamam em suas campanhas.

RODRIGO SEMPREBOM (estudante) - Londrina

Diário de um caipira

Meu nome é José da Silva como tantos outros retirantes da miséria de um país abastado de riquezas e desigualdades sociais, cujo único consolo é a crença numa morte justa, que ofereça compensação celeste a toda dor e mazelas experimentadas pelo pobre nesse ''mundo de meu Deus''. Do que passei nesta vida, só me restam lembranças refletidas em mãos calejadas e um vazio na barriga que me acostumei a chamar de fome. Mais do que a falta de pão, padeço da ignorância dos coitados, que devido à pouca ou nenhuma instrução, sequer se entendem pela condição de gente, deixando-se conduzir por falaciosas promessas tão bem urdidas em palanques eleitoreiros. Destes falsos profetas, conhecidos pelo pseudônimo de ''candidatos'', o que se pode afirmar de muitos, com certeza, é o visível despreparo intelectual para lidar com a ''máquina pública''. Analfabetos de pai e mãe, e sem vivência que possa ser lapidada em esperteza ao administrar, quando no poder, conduzem mal o governo que, por vezes, leva a fama de corrupto e ineficaz frente aos problemas da sociedade. A política do ''pão e circo'' distrai os tolos e lhes fornece o alimento necessário para evitar que transpassem a linha da fome, alcançando a morte prematura e involuntária. Em contrapartida, suga destas pessoas a esperança de melhora possível, em se atingir, ao menos, a dignidade da sobrevivência autônoma, que ainda muito se difere da humanidade esperada da vida. Do breve desabafo, feito por um matuto incapaz de escrever a própria posteridade sem a ajuda dos punhos firmes de uma neta que ser formou professora, fica o apelo pela propagação do voto consciente, como único instrumento capaz de revolucionar a história e aprumar os rumos deste Estado que se diz soberano.

SILVIO ALEXANDRE FAZOLLI (advogado) - Maringá

mockup