CARTAS
Cotas para negros
Dia desses um cidadão trajando vestes típicas africanas bradava no Calçadão: ''O negro foi tirado da senzala e abandonado. Depois, sem ter aonde ir ou o que fazer, voltou ao sinhozinho implorando por seu lugar de volta.'' Comovente. Por ocasião do Censo de 1990, o ator Milton Gonçalves aparecia em todos os canais de televisão e dizia: ''Não existe pardo, mulato, chumbinho, moreno, mestiço, etc. A raça é negra e pronto. Não tenha vergonha de sua cor de pele.'' Não adiantou. O negro sempre teve vergonha de ser negro, de suas origens, da cor de sua pele. Recentemente, ao ser anunciado cotas na Universidade Federal do Rio de Janeiro, teve gaiato ''loirinho da silva'', alegando ser bisneto de negros, para, assim, poder garantir sua entrada no ensino superior e, é lógico, sem muito esforço. O mesmo vale para a antiga e famigerada ''Lei do Boi'' que garantia um lugar para filho de pecuaristas. Quanto a mim, estudei em escolas públicas até entrar na UEL. Paguei por meus estudos, meus livros e meus sete ônibus diários entre o trabalho e a escola. Dei duro e consegui me formar, sem ajuda de ninguém, salvo conselhos e incentivos de alguns poucos amigos. Pergunto: o que o negro quer realmente? Alguém já ouviu falar em um conjunto (ou banda) chamado ''Raça Branca'', ''Branquitude Júnior'', ''Só Branco sem Preconceito'', ou ainda, existe nas bancas revistas direcionadas somente às pessoas de pele clara. Por que revistas direcionadas à raça negra, abertamente? Na televisão, ouve-se agora falar de um concurso da ''Mais Bela Miss Negra''. E se concursos de beleza barrassem uma candidata negra? Dá pra imaginar o que aconteceria? Tenho amigos negros que jamais se incomodaram com a cor de sua pele. Assumiram-se como negros e não ligam a mínima para o que pensam deles. Não esticaram nem clarearam seus cabelos. De nada adianta garantir um lugar na escola se o negro não quer estudar. Cota é mais uma forma de discriminacão porque ele jamais saberá ou poderá afirmar com certeza se está ali por merecimento ou por compaixão.
TADEU ARILSON STULZERE (advogado) - Londrina
Números conflitantes
Lendo ontem o Caderno de Economia da Folha de Londrina e a página de economia do Jornal de Londrina, me surpreendi com uma contradição: enquanto o primeiro jornal afirma que o emprego industrial cresceu apenas 0,3% no Paraná, o segundo traz destaque a um suposto aumento de 4,2%. Ambos os jornais afirmam que tal aumento se deu em comparação com o mesmo mês do ano passado, e têm como referência a mesma pesquisa do IBGE, o último levantamento mensal de emprego e salário. Sabemos que, dependendo da forma como são apresentados, dados estatísticos podem gerar conclusões diferentes (temos agora o exemplo da forma como cada candidato a prefeito consegue apresentar as pesquisas como estando a seu favor), mas como pode aparecer uma discrepância tão grande? Peguei a pesquisa completa no site do IBGE, mas sinceramente não consegui chegar à conclusão de qual dos dois jornais trouxe informações mais próximas aos dados do instituto. Será que alguém conseguiria esclarecer qual foi efetivamente o crescimento da indústria e do emprego no Paraná em julho?
ANA LAURA AZEVEDO (jornalista) - Londrina
Nota da Redação: o índice geral de crescimento do emprego industrial no Paraná, em julho comparado ao mesmo mês de 2003, foi de 0,32%, conforme matéria publicada na edição de ontem da Folha. O índice de 4,27%, divulgado em outros veículos, é referente ao desempenho da indústria da transformação também no mês de julho comparado a igual período do ano passado. Nesse caso, o crescimento no número de pessoas ocupadas foi quase o dobro da média brasileira que, em julho, foi de 2,26%. No Paraná, o aumento no contingente de trabalhadores na indústria da transformação foi impulsionado, principalmente, pelo setor de vestuário (1,55%) e, no Brasil, pelo setor de máquinas e equipamentos (1,08%). Os dados constam da Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (PIMES), divulgada anteontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que pode ser acessada no endereço www.ibge.gov.br.
Educação e eleição
Analisando as pesquisas de intenção de voto em Londrina dá para entender por que a grande maioria de nossos governantes não investem em uma educação de qualidade. Seria lógico que um povo com educação fosse induzido a pensar e processar as informações obtidas. Fosse assim, o candidato que aparece na frente nem apareceria nas pesquisas de intenção de voto devido seu passado recente de corrupção. É, por isso, que devemos lutar por uma educação de verdade atingindo todas as classes sociais. Assim teríamos o fim deste estelionato político de forma democrática repugnado pelo povo.
AMILTON ALVES (estudante) - Londrina
Sugestão
Todos sabem a fama do político brasileiro e nem é preciso mencionar. Queria saber se os candidatos poderiam, assim que eleitos, colocar no jornal e na imprensa em geral a relação dos bens antes e depois do mandato. Isto é, não só do político como também da mulher e filhos. Também gostaria de saber se o candidato não cumprir pelo menos 60% das promessas se doaria 40% dos seus bens a uma instituição de caridade. Quem definiria a aprovação seria o povo com votações.
ANTÔNIO RICARDO PACHECO (engenheiro mecânico) - Londrina





