O paraíso perdido

Na época do descobrimento do Brasil, o escrivão português Pero Vaz de Caminha relatou, na sua famosa carta, as primeiras impressões causadas pela terra nova em seus ''descobridores''. No documento, Caminha descreveu o Brasil como um território paradisíaco, incomparavelmente belo. E se Pero Vaz viesse hoje ao Brasil e fizesse uma redescrição do país? Certamente ele diria que as águas que antes eram infindas e graciosas, hoje encontram-se num estado crítico de escassez e poluição. Diria também que a terra de bons ares e tranquila que tinha visto um dia, transformou-se numa terra agitada e violenta, onde pessoas matam pessoas a hora que bem querem e que nem mesmo os mendigos estão sendo poupados dessa criminalidade. Relataria ainda que a inocência que outrora havia encontrado nos primeiros povoadores da época (os índios) desapareceu e que o ódio, a incompreensão e o egoísmo havia tomado conta de grande parte dos atuais habitantes. O escrivão português se entristeceria ao ver que a formosa terra do século XVI estava sendo governada, no século XXI, por uma parcela de políticos corruptos que mesmo após ''limparem'' os cofres públicos e terem seus mandatos cassados, candidatam-se novamente a um cargo político e conseguem o apoio da maioria da população. Acredito ainda que Caminha lamentaria-se ao saber que o grande fenômeno nacional é um jogador de futebol que ganha milhões de dólares, enquanto que um concurso para professor do Estado oferece um salário de pouco mais de R$ 600. Enfim, Caminha diria que esta terra não ''caminha'', ela parece regredir.

FABIANO BEZERRA DE SOUZA (operador de caixa) - Londrina


Nova moda

Em todas as eleições sempre há desrespeito à beleza de Londrina. Nestas eleições, em especial, jamais vimos a cidade tão bela. Em poucos pontos da cidade vemos cartazes em lugares proibidos, papéis jogados na beira das ruas, pessoas contratadas parando os motoristas por propaganda partidária. Uma disputa acirrada, honesta e limpa onde jamais imaginei em ver um dia tanto respeito à Justiça Eleitoral como agora. Mas sempre há aqueles espertinhos. Na região leste da cidade, abrangendo os conjuntos Lindóia e Mister Thomas, no chão de cada ponto de ônibus há o nome de um candidato a vereador e seu respectivo número escrito em tinta a óleo de cor branca. Até então, pelo o que sei, isso não é permitido pela Justiça Eleitoral. Já pensaram se a moda pega? Esperamos do TRE - Tribunal Regional Eleitoral - punições a estes espertinhos.

PAULO AUGUSTO SEBIN (estudante) - Londrina


Implicância

Não dá para compreender que tanta implicância é essa que José Dirceu tem com o Ministério Público. Ele que passou tantos anos de sua vida ralando na oposição pelo fim do autoritarismo e pelo restabelecimento da moralidade no país, sabe melhor do que ninguém a importância que o MP desempenha, pois é um dos raros órgãos públicos digno de plena confiança e que mostra serviço, lutando sozinho contra a onda de corrupção que envolve os serviços públicos do país. Então dá um tempo e deixa o MP trabalhar, pois do contrário vou achar que o poder mexeu com seus conceitos de justiça e moralidade.

HABIB SAGUIAH NETO (bancário aposentado) - Marataízes (ES)


DER esclarece

Com relação ao Editorial da Folha da edição do dia 9 de setembro sobre o estado de conservação da Estrada do Café, a assessoria de imprensa do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) esclarece que o DER mantém fiscalização constante das obrigações contratuais das concessionárias que administram os 2.500 km de rodovias pedagiadas no Paraná. No caso específico da Rodonorte e do estado atual de conservação da Estrada do Café, principal ligação Norte-Sul do Paraná, é bom esclarecer que na primeira quinzena de setembro o DER emitiu 11 autos de infração multando a empresa em cerca de R$ 15 milhões por irregulariedades encontradas, após levantamentos feitos por engenheiros do Departamento. Entre os 11 autos destacam-se dois deles: no trecho de 24,9 km entre Caetano e Imbaú onde a empresa foi notificada em R$ 4.640.115 e no segmento de Apucarana até Mauá da Serra com 51 km onde a empresa foi multada em mais R$ 4.845.100. Quanto à duplicação dos 235 km que faltam entre Caetano e o contorno Sul de Apucarana é bom ressaltar que se o Governo Lerner não tivesse alterado o contrato por meio de dois aditivos, as obras já estariam finalizadas. Originalmente a obra era para ter sido finalizada em 2003. Voltando um pouco no tempo, e relembrando a história, às vésperas da eleição em 98 o então governador Jaime Lerner reduziu unilateralmente as tarifas em 50 %. Após a garantia de vitória nas urnas as tarifas foram recompostas, em alguns casos, mais de 100% e, ainda, foram firmados dois aditivos, em 2000 e em 2002, que retiraram cerca de 500 km de obras novas, acresceram degraus tarifários e protelaram diversas obrigações. Se o sistema já tinha iniciado de foram equivocada, após os aditivos foi completamente deturpado. Entre as obras que foram lançadas para anos posteriores, está a duplicação da BR-376. Excetuando a já executada obra na Serra do Cadeado, todas as outras obrigações de duplicação foram deslocadas para serem executadas entre os anos de 2015 e 2021. Ou seja, o usuário hoje está desembolsando por uma obra que ele pode nem vir a usufruir.

ASSESSORIA DE IMPRENSA DEPARTAMENTO DE ESTRADAS DE RODAGEM - Curitiba

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