Arte de pescar
Nos primórdios, pescar era forma de capturar sua presa com a intenção de saciar a fome. Com o tempo a forma evoluiu e, hoje, é uma arte esportiva onde a captura não é propriamente para saciar a fome, pois boa parte de quem pesca nãoaprecia o alimento. Na minha observação deste amadorismo (não estou considerando os profissionais, predadores potenciais), pude observar três categorias. Categoria 1: o ''peixeiro'', costuma pescar em rios e represas nos fins de semana, não tem preferência por qualidade trazendo tudo, desde bagre, traíra, cascudo, etc. Quando munido de tarrafa malha fina é um tremendo predador. Raramente tem barco ou motor; não tem noção de preservação ambiental. Categoria 2: o ''refinado'' goza de status financeiro. Possui barco e motor. Não usa redes ou tarrafas. Persegue peixes nobres, como dourado, pintado, piapara, etc. Costuma pescar em turma e percorre longas distâncias. São predadores em potencial. Tomam muita cerveja e poluem o ambiente, espalhando latinhas vazias. Categoria 3: o ''mestre'' atualmente o signatário está neste estágio. Antes de tudo é amante da natureza. Vai para o rio para respirar ar puro, passear pelas matas, ouvir os pássaros, admirar animais selvagens, contemplar estrelas, o luar, sentir a força do Criador nas noites de tempestades, ouvir o barulho da cachoeira, o subir da piracema, etc. Ensina os menos experientes, não é predador, quando pesca é para saciar a fome do dia, como fazem os índios que nos acostumamos chamar de selvagens.
YUKIO MITUGUI (aposentado) - Londrina

Marco misterioso
Recentemente perguntei a um amigo, engenheiro da prefeitura (Marcelo Pagotto), se durante a revitalização da Praça da Bandeira (um projeto interessante, que recupera o estilo original) ele conseguiria localizar um misterioso marco com inscrições. Este marco houvera sido citado num artigo da Folha há muitos anos. No artigo, especulava-se que se tratava de um antigo marco de aerofotogrametria. Ele confirmou idicando que pode ser localizado uns 5m ao Norte do banheiro da praça. Isso instigou minha curiosidade e resolvi verificar pessoalmente - constatei que, de fato, existe um pequeno marco de cimento com formato de pirâmide truncada, em cujo topo se encontra uma calota esférica metálica. Existem inscrições no lado Oeste da coluna de cimento, bem como engravadas sobre a calota esférica. Na calota, estes são os dizeres: ''I.B.G.E. protegido por Lei RN 1588 X''. A presença do nome IBGE simplifica tudo - bastou telefonar para o órgão (Sr. Zé Luís) e dissipar minha dúvida. Na realidade se trata de um marco de topografia mesmo - é antigo porém continua sendo usado, embora atualmente se faça uso de GPS. Segundo consta, existem dois outros semelhantes na região. Um no Centro de Educação Física da UEL e outro no centro de Ibiporã. Também recebi o seguinte esclarecimento do Sr. Sergio Lomônaco Carvalho, astrônomo do RJ: ''Não é um marco aerofotogramétrico, mas uma ''referência de nível''. Serve para topógrafos relacionarem os níveis de seus levantamentos com aquela ''referência''. Dependendo do ''aero'' de que se disponha, é possível identificar as ''referências de nível'' existentes e estabelecer a altitude dos lugares próximos. Como tantas outras coisas protegidas por lei no Brasil, as RN são marcos em extinção. A ignorância faz com que sejam removidos ou deslocados (!) durante a execução de obras em vias públicas. Depois do advento do GPS tornaram-se obsoletos. Deveriam ser preservados, mesmo como curiosidade tecnológica.'' Creio que esta informação soluciona o mistério. Também fico curioso para saber a data em que foi construído. Como se trata de uma curiosidade científica, achei que deveria vir a público.
DARIO PIRES ROSTIROLLA (astrônomo amador) - Londrina

Terror financeiro
Como assíduo leitor da Folha de Londrina, tenho acompanhado as manifestações contrárias aos bancos e a forma como se relacionam com seus clientes. Recentemente este jornal publicou um artigo de minha autoria a respeito das cooperativas de crédito e tudo que elas têm feito em favor do crescimento de seus associados. Nesta oportunidade, gostaria de abordar os aspectos relacionados às tarifas cobradas pelos bancos e que já lhes possibilita cobrir a totalidade de seus custos. Vale lembrar que somente o Bradesco, em 2003, arrecadou junto aos seus clientes mais de R$ 12 bilhões em tarifas apresentando um lucro líquido de mais de R$ 2.300.000,00, conforme seu balanço anual. Os resultados apresentados pelos bancos brasileiros no primeiro semestre deste ano, demonstram a evolução que tiveram neste aspecto. Nas cooperativas de crédito a prática do SCC (Se Colar, Colou) não ocorre pelo simples fato de que, aqueles com os quais elas realizam seus negócios e mantém relação comercial, são os seus próprios donos/acionistas, pois, o que se busca é fomentar o crescimento de seus parceiros para que disto ocorra, naturalmente, o fortalecimento da instituição. Diante disto, penso que a Folha de Londrina tem o dever de continuar levando a toda população todas as informações a respeito deste modelo de negócio financeiro, tão representativo nos países de economia mais avançada, uma vez que, continuamos a ver os clientes e usuários dos bancos reclamando sem, contudo, buscar conhecer uma alternativa ao modelo que aí está e que não vem atendendo às suas expectativas, como já o fazem mais de 3.000.000 de associados das diversas cooperativas de crédito em funcionamento no País, as quais possibilitam a estas pessoas produtos e serviços financeiros de qualidade, providos de tecnologia e competitividade que o mercado atualmente exige.
LUIZ GASTÃO PINTO JR (gerente) -Londrina

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