CARTAS
Candidatos
Assistindo ao programa eleitoral pela TV não pude deixar de notar as propostas mirabolantes e milagreiras de suas campanhas. Como cidadão comum e pagador de impostos, sinto-me obrigado a questionar tal atitude dos senhores. Sou ator e produtor cultural e para utilizar o dinheiro público em uma montagem teatral tenho que preparar um projeto e enviá-lo para aprovação, por meio de leis municipais, estaduais ou federais. Preciso descrever o que vou realizar; qual o tempo previsto para todas as etapas; quanto vou gastar e ainda devo inserir uma contrapartida social. Preciso apresentar cartas de anuência dos profissionais envolvidos no projeto, declaração dos espaços onde vou me apresentar, e muitas certidões e documentações provando que sou digno de confiança para utilizar o dinheiro público. Depois, tenho que prestar contas comprovando o bom uso desse dinheiro. Não reclamo desse processo. Mas voltando à campanha eleitoral, que garantia os senhores me dão que estas propostas serão realizadas e que são viáveis, onde os senhores registraram para que eu possa cobrar o bom uso do meu dinheiro? O que tenho visto são propostas vagas: vou cuidar dos idosos ou vamos cuidar das nossas crianças ou ainda vou criar escolas e empresas em que o cidadão será atendido de graça. Como os senhores vão realizar o que prometem? Quanto tempo levará? Vão gastar quanto? Quem vai trabalhar com os senhores? E o principal, como vão prestar conta destas promessas? Porque depois que estiverem em seus respectivos cargos é fácil dizer que não é possível realizar. Senhores candidatos, não nos tratem como ignorantes. Sentem-se em frente à TV, assistam à própria campanha e perguntem-se se votariam em vocês mesmos. Pelo o que eu vi até agora, eu não!
ALEXANDRE DE OLIVEIRA SIMIONI (ator) - Londrina
Eleições
Segundo especialistas, mais de 50% do eleitorado é definida nas vésperas das eleições, muitos desses indecisos são forjados por arguciosos e acabam vendendo o voto. Apesar das boas intenções da Justiça Eleitoral, há uma grande possibilidade de que o povo sofra a influência abusiva do poder econômico. É difícil ser decente na vida pública brasileira. Quando não é o poder econômico, é o uso da máquina, burlando a ação bem intencionada de juízes que desejam eleições limpas, mas que parecem impotentes perante artifícios empregados. Nesse ambiente ambíguo, o processo eleitoral acontece de forma esdrúxula. O povo ainda está longe de tomar conhecimento da campanha eleitoral para prefeito e vereadores. Candidatos saem à cata de uma mão para apertar. E podem ter o dissabor de não encontrar ninguém interessado nesse aperto de mão. As pessoas recebem os santinhos, talvez para ser cordiais, mas não deixam de esboçar um sorriso amarelo. Toda essa excentricidade psicótica da politicagem deturpa o verdadeiro sentido da democracia representativa, transformando-a numa grande ficção utópica. Como conseqüência, o Estado que gerencia o regime tende a se tornar uma grande farsa. O poder público usa e abusa de políticas hipócritas, destinadas tão-somente a manter uma pirâmide social extremamente injusta. Não foi por acaso que uma tênue mexida na gestão federal, que alardeia uma melhora na economia, já proporcionou pesquisas mais favoráveis ao governo. Os dominantes tendem a produzir um ambiente letárgico, com o povo cada vez menos interessado no seu próprio destino e cada vez mais emblemático e sem esperanças. Se for essa a proposta de quem dá as cartas em nosso País, pode-se dizer que ela será vitoriosa. Se quisermos uma política salutar sem podridão, indubitavelmente conseguiremos, basta sabermos usar nossa arma (o voto), não podemos vendê-lo, nem tampouco trocá-lo por promessas vãs. Ainda bem que votamos livremente, há poucos casos de voto cabresto. A Justiça Eleitoral é rigorosa neste sentido e para nosso consolo a ditadura pertence a um passado remoto. Hoje temos a liberdade de exercer nossa cidadania, portanto, vamos exercê-la com dignidade, votando corretamente.
ANTONIO CARLOS DE MELO (comerciante) - Porecatu
Rouba mas faz
Em muitos municípios do país, o eleitor que quer votar em alguém digno nessas próximas eleições, certamente vai encontrar grande dificuldade pelo simples fato de não haver candidatos com esta virtude para poder escolher. Então entra em cena aquele cada vez mais habitual e infeliz argumento de que vou votar em fulano porque ele rouba mas faz. Ao observar o candidato, suas alianças, o dinheiro que ele está investindo na campanha - cujo retorno através de salário será impossível -, fica a eterna dúvida do que ele realmente pretende com sua eleição: o bem-estar de sua população ou apenas o seu próprio interesse.
HABIB SAGUIAH NETO (bancário aposentado) - Marataízes (ES)
Multa injusta
Estacionei meu carro na Rua Duque de Caxias para ir até o Banco do Brasil. O rapaz da Zona Verde veio, comprei o cartão e coloquei no parabrisa do carro. Ao voltar, levei um susto: fui multada por ter deixado o cartão da Zona Verde no parabrisa. Detalhe: o cartão estava preenchido e pago! Mas só que não pode ficar fora do carro. Fui pagar a multa e veio a resposta: e se o cartão fosse roubado? Ora, já tive toca-fita roubado e não fui multada por isso. A Prefeitura de Maringá está me multando em virtude de o cartão poder ter sido roubado? Se fosse teria de arcar com o prejuízo (assim como arquei no passado), agora multada é novidade. E quem me diz que se o cartão estivesse dentro do carro ele não teria sido roubado? Isso não tem sentido. É ilegal, imoral e ofende as pessoas. Deixar o cartão dentro ou fora do carro é uma decisão do dono. Gostaria de multar também a Secretaria de Trânsito (Setran) de Maringá por omissão em relação ao Contorno Sul que não tem placas, o asfalto acabou, não tem sinalização e nem acostamento. Hoje a Setran quer determinar onde eu devo colocar o papel, amanhã vão querer dizer se devo trancar as portas, fechar os vidros... Pago estacionamento, flanelinha, IPVA, sou multada e roubada? E o Estado não me protege! Vou fazer como aquele candidato: socorro!
LEONICE FIXER (estudante) - Maringá
Correção
Ao contrário do que afirmou a matéria publicada ontem no Caderno Cidades sobre as obras no Terminal Urbano de Transporte Coletivo, a instalação das escadas rolantes e elevador para deficientes, orçada em R$ 1,3 milhão, está sendo paga apenas pela empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL).





