Assassinatos

O presidente Lula pede providências, o ministro da Justiça cobra agilidade nas investigações dos assassinatos de mendigos que estão ocorrendo em São Paulo. Será que eles não desconfiam que são os maiores culpados pela violência deste país? O que o presidente precisa cobrar é a mudança nas leis que protegem bandidos e desarmam cidadãos de bem. Não adiantará descobrir os culpados, enquanto outros estão acontecendo e os culpados sendo julgados por uma lei virtual que os condenam a 100 anos de prisão, mas não podem ficar preso mais que 30 e não chegam a cumprir 1/3 da pena, isto é, quando chegam a ser julgados. Bilhões de reais são gastos em segurança pública. Os políticos são a classe ''profissional'' mais desacreditada deste país e o Poder Judiciário vem em segundo lugar por demorar tanto tempo para sentenciar os processos. Por que não mudam nunca isto? Com certeza tem alguém lucrando.
SÉRGIO TORETO (escriturário) - Goioerê

Lei do abate

Após quase cinco anos, finalmente o presidente Lula sancionou, com o aval do presidente Bush a Lei do Abate. Essa lei permite que a FAB derrube os aviões suspeitos de narcotráfico, após uma série de procedimentos não-cumpridos. Ao mesmo tempo, que destilava a dura lei, o governo também anunciava o salvo conduto. Isto é, bastaria ter a bordo uma criança que o avião mesmo estufado de cocaína jamais seria abatido. Daqui em diante começaremos a ver escrito nos pára-brisas dos aviões inscrições do tipo ''crianças a bordo'' como já visto em pára-brisas de carros. É por essas coisas que não acredito na eficácia desta lei, que já nasce com privilégio comparável ao ''cadeia especial para portadores de diploma universitário, imunidade parlamentar, etc''. Assim, o combate ao tráfico no Brasil continua no mesmo: apenas no varejinho nas periferias e favelas. Os grandes atacadistas, como sempre, ficarão no anonimato. Só existe uma forma de acabar de vez com as drogas: a conscientização de cada cidadão em não consumí-las.
YUKIO MITUGUI (aposentado) - Londrina

Guarda Municipal

Cada dia fico em pânico ao notar a mediocridade de certas figuras públicas. Um secretário de Segurança Pública se diz contra a unificação das Polícias Civil e Militar, que vivem competindo entre si. Com a unificação teríamos uma polícia semelhante à que tem nos EUA e países europeus, onde o método e as técnicas contra o crime são mais coerentes. O policial seria valorizado com esta nova estrutura e acabaria o ''Robocopy militarizado'', marcha soldado cabeça de papel. Agora aparece um candidato a prefeito dizendo que Guarda Municipal não tem poder de polícia. Alguém precisa dizer a este mal-informado que o artigo 303 do Código Penal dá amparo a qualquer um a prender em flagrante delito. Assumir-se covarde e chocho seria mais digno!
MARCO ANTÔNIO MARTON (ex-policial militar) - Londrina

Aposentadorias x mercado

A tão sonhada aposentadoria do setor público, que para muitos era uma atração, já não existe mais. Os servidores que ingressarem, no serviço público, a partir da Emenda Constitucional nº 41/dezembro/2003, suas aposentadorias estarão a cargo do INSS, cujo teto é R$ 2.508,72. Com o tempo, esse teto ficará, ainda mais reduzido, pois os reajustes não estão acompanhando a inflação. Breve o salário mínimo do aposentado será desvinculado do trabalhador da ativa. Aposentadoria é coisa, praticamente, do passado. Essa é uma realidade nacional e uma exigência do mercado financeiro e econômico. Doravante quem quiser ter uma velhice melhor protegida que o faça por sua própria conta e risco. Prevalecerá os planos privados de aposentadorias e as cadernetas de poupança como fórmula de se garantir um futuro um pouco melhor. Outros mecanismos estão em prática para acabar com as aposentadorias dos atuais servidores, como a taxação dos aposentados, e a quebra da paridade entre ativos e inativos. Espero que todo esse sacrifício não seja em vão, e que o mercado financeiro não nos traga mais decepções, determinadas por planos econômicos mirabolantes, como foi o confisco da poupança em março de 1990.
ANTÔNIO PEREIRA (contador) - Londrina

Antes e depois

Antes de outubro de 2002, tudo era muito diferente, não sei no que ou em quem eles realmente pensavam, quais eram suas convicções seus ideais. Só sei que tinham solução para todos os problemas. Passado o evento eleição, no dia seguinte a conversa foi mudando, a outra face do PT começou a ser descortinada. Aquilo que foi dito e tido como meta a ser perseguida pelo partido numa eventual condução ao poder foi deletado dos discursos dos caciques e a arrogância e prepotência veio à tona, expulsando, punindo e execrando aqueles que não conseguiram mostrar uma outra face. Antes de ''ser situação'', defendia um salário mínimo digno ao trabalhador ou que tivesse um valor equivalente a 100 dólares. No segundo ano de governo, teve a cara-de-pau de dar 20 reais de reposição ao mísero salário. Nada fez para tentar barrar a proposta de foro privilegiado para ex-ocupantes de mandatos eletivos, (presidentes, governadores, prefeitos, deputados, etc.). O partido que gostava e defendia as CPIs para tudo e todos, hoje corre dela como o diabo corre da cruz. Era contrário aos alimentos modificados geneticamente, mas ao chegar ao poder até elaborou uma medida provisória aprovando e regulamentando a produção e comercialização destes alimentos. Foi defensor da atuação do Ministério Público (MP) para investigar qualquer suspeita de irregularidade contra adversários políticos. Agora é totalmente contra a atuação do MP, e faz um esforço para que a lei do ''cala boca'', que está na pauta do Supremo Tribunal Federal em setembro, seja votada favoravelmente para poder nadar de braçada e sem incômodo.
LOURIVAL BARBOSA (estudante) -Londrina

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