CARTAS
Caminhada antiaborto
Louvável a atitude cidadã de alguns londrinenses domingo último que, em passeata pelo centro da cidade, protestaram civilizadamente contra mais um absurdo que estamos assisitindo: a lei que permite o aborto de fetos anencéfalos (sem cérebro). Isto nos leva a meditar profundamente sobre o que deve haver por trás de se legalizar esta lei no Brasil. Legalizar este tipo de aborto é o primeiro passo para legalizar completamente o aborto, dando permissão para que as pessoas sintam-se à vontade para cessar qualquer gestação, seja ela qual for, seja qual for o motivo ou a razão. Daí a legalizar pena de morte, eutanásia e outros absurdos afins será um pequeno passo. A serviço de que ou de quem está esse interesse? Quais os interesses que andam na sombra dessas ''leis''? A quem pensam que estão beneficiando com a legalização do aborto? Não quero discutir aqui os detalhes técnicos da sobrevida de fetos anencéfalos, pois acho que essa discussão pode desvirtuar o real objetivo oculto nesse desejo insano de se aprovar essa lei. Sem entrar no mérito cristão da questão, ainda que este tenha sua grande importância, as pessoas precisam proteger aquele que deve ser o objetivo primordial de qualquer lei: preservar a vida, acima de tudo. Quero propor a meditação, acima de qualquer convicção religiosa, a respeito da vida e das leis que devem, acima de tudo, protegê-la e não condená-la. A mesma lei, que hoje protege a sua vida, poderá amanhã, estar condenando você mesmo à morte!
ANDRÉ LAZZARINI (médico veterinário) - Londrina
Meninas da GR
Seis meninas saíram de Londrina há alguns dias e estão em Atenas com a técnica Bárbara Laffranchi para representar o Brasil na Ginástica Rítmica (GR). Sua apresentação decorrida há algumas semanas no Moringão provocou calorosos e demorados aplausos de milhares de londrinenses. Aplausos para sua apresentação de técnica elaborada, sincronia nos movimentos e graça de seus corpos lépidos de meninas muito leves. Aplausos para sua técnica pelo desenvolvimento da coreografia, ensinamento e treinamento exaustivo de meses. Aplausos para Elizabeth Laffranchi que há mais de 20 anos teve um sonho, começou um trabalho, organizou, planejou e, principalmente, trabalhou muito com gerações de meninas que progressivamente foram ganhando pontos mais altos até chegar ao que parecia impossível: primeiro lugar das Américas, oitavo do Mundo, enfrentando rivais de tradições infalíveis neste esporte. O londrinense está feliz. Assim como faltas negativas e escandalosas da política local recente abateram as pessoas até em sua vida pessoal, faz bem este ponto positivo às pessoas. Elas contam em seus olhos e expressões que sinto que esta equipe ensina que vale à pena sonhar, podemos ter sonhos grandes, não somos subdesenvolvidos, precisamos preparar nossos talentos, trabalhar muito, buscar a perfeição que chegaremos longe, vamos ser valorizados e respeitados. Portanto, voem meninas, voem para Atenas, voem em Atenas, assim estarão nos ensinando a realizar nossos sonhos. O resultado que trouxerem vamos aplaudir com entusiasmo e muita alegria porque já nos ensinaram a, novamente, estar de cabeça erguida.
JONAS JOSÉ BLANCO (ortopedista) - Londrina
Filantropia com humor
Recentemente o Clube da Costela, em festa inusitada, comemorou seus dez anos de doações para as entidades filantrópicas de Londrina que passam por necessidades para atender seus amparados. Poucos conhecem a história e início do grande poder deste clube. Começou com amigos de pescaria que sempre se reuniram na Arel (Clube Alemão) e, naquela conversa de bar, resolveram fazer algo para a comunidade. Após várias pesquisas, resolveram vender costela todas as quartas-feiras, tomando o exemplo do homenageado na noite, o Clube Ferra Mula de Apucarana. Com muita luta, dinamismo, garra e venda da carne aos domingos somente para viagem construíram uma sede própria de 800 metros quadrados, gerando sete empregos. Com ajuda de 26 voluntários doa até cinco mil reais por mês, o que rendeu-lhe os títulos de utilidade pública municipal e estadual. Bem verdade ser o ''clube do bolinha'' com a frequência apenas de homens. A tradição, perfil e preferência dos clientes foi significativa para esta decisão, entra somente mulheres acima dos 90 anos acompanhada dos pais. Conversamos, discutimos, cantamos e batizamos os ''cabras'' novatos, saboreando a melhor costela do Brasil. Parabéns a todos integrantes e clientes que continuam a contribuir com esta maravilhosa campanha de ajuda aos necessitados. Na próxima quarta você terá coragem de ir com a camisa de seu clube do coração? Vamos unir os corintianos, são-paulinos e palmeirenses numa só mesa? Eu vou com a do Londrina. Parabéns a todos.
NICOLAU BULGACOV JÚNIOR (fundador e voluntário do Clube da Costela) - Londrina
Pequenas empresas
Segundo levantamento estatístico do Sebrae, 60% das pequenas empresas fecham em dois anos. Significa que todos os esforços de marketing oficial em estimular e amparar as micro e pequenas empresas têm fracassado. A causa é fácil de ser identificada. Os financiamentos são escassos e os juros incompatíveis com a renda dessas empresas. É a conclusão óbvia a que chegou o presidente do Sebrae, citado em reportagem da Folha Economia de domingo, que conclui que ''a taxa de mortalidade dessas empresas supera em muito à dos países mais desenvolvidos, cuja média se situa entre 20% a 40%''. Indústria, comércio e, principalmente, a agricultura vêm realizando milagres nos esforços para compatibilizar sua renda com as despesas. A tributação atinge patamares insuportáveis e estes três setores realizam uma coisa notável: a produção empurra a ação governamental, que se mostra defasada nas providências que chegam sempre atrasadas.
JOÃO DIAS AYRES (médico) - Londrina





