Supervisor escolar

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), desenvolveu recentemente uma pesquisa tendo por objetivo traçar um perfil dos docentes atuantes nas escolas do País. Tal pesquisa envolveu aspectos sociais, econômicos e profissionais, além de outros aspectos inerentes à profissão. Dos dados analisados chama a atenção à avaliação das práticas culturais dos professores. Maioria afirmou que vai esporadicamente a eventos como exposições, teatro, museu, cinema, apresentações musicais entre outros. Muitos nunca foram a um concerto de música erudita ou ópera, não fazem uma atividade física, não navegam na internet. Tais dados tornam-se um convite à reflexão: como participante do trabalho que envolve o campo educacional o supervisor é convidado a problematizar as grandes transformações do mundo moderno no qual muitos ainda de maneira automática e silenciosa se adaptam com facilidade ''deixando-se levar pelas aparências'', sem ver as sombras que não se revelam ao primeiro olhar. Na escola em que direção, equipe pedagógica, professores, pais, alunos e funcionários, se mostram imbuídos de um mesmo objetivo desempenhando de forma compromissada e responsável seu papel, possibilitam o ensinar e o aprender de forma natural e prazerosa. Tornam possível um ambiente favorecedor de uma educação plena, envolvida pelo ato político, compromisso ético e experiência estética. Segundo Popkewitz (1994) não existem problemas pairando num ''exterior'', mas sim inertes, à sombra, à espera de serem encontrados pela luz que lançamos sobre eles e, depois, solucionados pela razão. Pois o que interessa é o sentido que damos às representações do mundo real e, somos irremediavelmente parte daquilo que analisamos e que, tantas vezes queremos modificar.

VILZE VIDOTTE COSTA (professora) - Londrina

Cotas na UEL

Recentemente a Universidade Estadual de Londrina aprovou o sistema de cotas, onde o objetivo declarado é diminuir a exclusão social e racial. No entanto, parece que o real objetivo é a promoção pessoal de algumas pessoas. Medida essa que poderá acarretar algumas consequências. Perda na qualidade de ensino: sabe-se que a qualidade do ensino público de nível fundamental e médio é ruim, motivo pelo qual esses alunos não conseguem a aprovação no vestibular, portanto, ao serem ''despejados'' na universidade estarão despreparados e para que consigam prosseguir no curso seria necessário diminuir a exigência e, por consequência, a qualidade. Superlotação das séries iniciais: mantendo-se a qualidade do ensino superior, esses indivíduos levariam anos para chegar ao nível dos outros alunos (aqueles que entraram no processo normal, portanto mais preparados), nesses anos ficariam retidos, e seria necessário a contratação de um contigente maior de professores, medida esta que o nosso governo vem relutando em realizar. Alto grau de desistência: sabe-se que o maior problema de inclusão de negros e alunos de ensino público está nos cursos de medicina, enfermagem, fisioterapia, etc. No entanto, esses cursos são de período integral, assim os alunos não teriam condições de trabalhar e ajudar no orçamento familiar, portanto teriam que desistir, criando enorme quantidade de vagas ociosas. Portanto, da maneira que está sendo implantado, o sistema tem grande chance de não funcionar. Deveria ser discutido melhor com a comunidade a questão das cotas, e não somente entre indivíduos interessados na promoção pessoal e as lideranças negras da comunidade. Uma ótima solução para a inclusão de indivíduos de baixa renda, que há alguns anos acontece na UEL, é o cursinho preparatório pré-vestibular gratuito, programa que apresenta alto grau de aprovação. Por que a reitora não propõe a ampliação desse projeto em vez de propor uma medida precipitada como foi o caso das cotas?

LUIZ DIEGO MARESTONI (estudante) - Londrina

Violência

Apesar de ter consciência do destino amargo que cabe às minhas palavras, prefiro dizê-las em espaço público a trancafiar um grito de socorro e desespero. Pretendo, com isso, implorar aos ilustres e pomposos prefeitos, governadores e presidente da República uma imediata resolução. Se não para mim ou para você, mas para eles próprios. Talvez, eles ainda não tenham se dado conta da situação social que afoga a nação a cada dia. É desnecessário repetir aqui os atos de violência que sofremos e não apenas nas ruas, como nos direitos básicos que nos são usurpados e divergidos, como se não precisássemos de fato. Senhores candidatos, desçam dos palanques não para abraçar o povo ou alimentar-se no mesmo prato, mas a fim de realmente trabalhar pelo eleitorado. O povo quer trabalho, segurança, educação e vocês o que querem realmente? Há casos recentes de panelaços, desordens, manifestações em países não tão distantes daqui. Portanto, tomem uma atitude antes que, cansado de reivindicar, o povo decida agir com as armas de que dispõe.

CRISTIANE SILVA CASCIOLA (atendente de Correios) - Londrina

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