CARTAS
Religiosos na política
Gostaria de parabenizar Folha de Londrina pela oportuna reportagem de capa, de domingo (15/8), sobre a participação de religiosos na política partidária. Como católica, fico apreensiva com a exagerada preocupação da Igreja a propósito da presença de padres no pleito eleitoral. Esperava é que definitivamente se deixasse a hipocrisia de lado e se dissesse de que lado nós estamos. Numa cidade em que um ex-prefeito cassado e preso está em primeiríssimo lugar nas pesquisas na corrida eleitoral e nomes de ex-vereadores que o povo repugnou aparecem esparramados nos mais diversos ''santinhos'', se vem questionar a legitimidade da candidatura de um padre! Um homem de bem, formado e preparado durante anos para servir a comunidade! Será que com essa postura veremos o país renovado pela boa política? Com certeza não. Não é natural a presença de um padre na disputa eleitoral, mas assimilo com coragem o desafio que é para nós católicos, vê-lo lutar para resgatar a arte enxovalhada da política séria. Ao invés de se promover debates filosóficos e até teológicos sobre o assunto, seria mais conveniente fazer uma auto-análise dentro da Igreja, sobre a eficácia da pastoral que não impede que os irmãos ainda troquem seu voto por promessas demagógicas ou algo pior que geralmente ocorre em épocas eleitorais. Deixar que os lobos disfarçados de cordeiros ataquem mais uma vez o rebanho, enquanto se discute ''o sexo dos anjos'' não me parece uma atitude bíblica! A democracia permite a livre manifestação das idéias e aqui estou dizendo que, como católica, aprovo e incentivo, quando for necessário, o envolvimento de padres e pastores na política partidária.
MELINA MATOS (arquiteta) - Londrina
Cotas racistas
Posso garantir que pessoas brancas, como eu descendente de europeu, terão de rever o conceito com relação ao racismo. As cotas para os negros em universidades públicas são uma afronta e um derespeito à raça branca. Me sinto ofendido e se algum negro me chamar de polaco daqui para frente vou entrar na Justiça, pois isso não deixa de ser racismo. Onde está o respeito no Brasil, dizendo que todos são iguais? Tenho certeza que esta ridícula medida fará aumentar o preconceito contra os negros. No vestibular quem não tem capacidade não se estabelece. Deveriam adotar medidas no ensino básico, assim os negros que tiverem vontade de estudar poderão mudar seu futuro. Nos bancos privados não vemos negros trabalhando. Por que nos órgãos públicos estatais não vemos os negros na sua maioria? Tudo é uma questão de capacidade na hora dos concursos, pouco interessa ao examinador a cor do candidato. Sendo assim teremos que proibir a raça japonesa nos vestibulares. Estes por sua vez estudam com afinco para alcançar seus objetivos. Neste país, continuam fazendo cada vez mais papel ridículo.
EDER SANTINI (vendedor) - Londrina
Cotas em debate
Sobre a crítica endereçada ao meu texto, onde proponho um debate acerca do assunto de que estudantes de outros estados venham pleitear vagas nos cursos de graduação da UEL, acho que houve um mal-entendido por parte de engenheiro Flávio Fernandes Vieira. Primeiro, também não sou a favor de cotas, de nenhum tipo. O que sugeri foi um debate sobre a questão. A intenção, aqui, não foi proibir que alunos de outros estados venham para cá, pois em nenhum momento de meu texto defendi universidades do Paraná só para estudantes paranaenses e sim que se estude o fato de que 31,67% dos alunos ingressantes do ano de 2003 da UEL serem oriundos de São Paulo. Nada impede os candidatos de prestarem vestibular na UFPR que é mantida com verba federal. Se temos estudantes de outras localidades procurando a UEL, isto é muito bom, pois prova que ao longo do tempo a universidade se consolidou como uma instituição de referência nacional. Mas, agora, se o senhor se sacrificou para manter seus filhos em boas escolas, parabéns, pois meu pai não teve essa oportunidade, fato que tive que estudar no sucateado ensino público toda minha vida, e nem por isso deixo de ser hoje aluno da referida instituição.
THALES FERNANDO LIMA (estudante) - Londrina
Autoritarismo?
Orientar, disciplinar e supervisionar a imprensa nacional são as funções do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ), projeto de lei, lançado recentemente pelo governo brasileiro. Será o primeiro degrau do retorno à ditadura? Grosso modo, sim. A liberdade de imprensa é um bem da sociedade e a Carta Magna traz em seu artigo 5º , inciso IX, ''é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença''. Com a medida afirmou-se que o atual governo está retomando seus laços com a extrema-esquerda, teoria infundada pois, o país, está totalmente inserido na onda imperialista e globalizada. No entanto, com a proposta do CFJ, o governo está na contramão da democracia. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) apóia a proposta. Mas, vale lembrar que dos 100 mil jornalistas do país, apenas 30% da categoria são sindicalizados e, dos 7 componentes da atual diretoria, 5 são filiados ao partido do governo. Assim como em todas as áreas, também o jornalismo sofre com os maus profissionais. Entretanto, a liberdade de expressão no meio jornalístico é fundamental para alcançar credibilidade. Segundo Gilberto Dimenstein, ''o jornalismo independente e, portanto, com credibilidade, significa atritos com o poder''. Críticas construtivas e fundamentadas são essenciais para o natural e bom direcionamento da gestão governamental. O atual governo deveria manter o foco nas questões sociais, econômicas e políticas e, dessa maneira, encarar as críticas de frente e deixar no passado os atos de imposição.
RODRIGO FERRACINI (estudante) - Londrina





