Justiça cega

Domingo passado assistindo ao Fantástico, da Rede Globo, vi uma reportagem interessante. A matéria tratava do rigor da justiça paulista em julgar os crimes de furtos e roubos naquele estado. Lá, por exemplo, um ''perigosíssimo'' ladrão de um pandeiro está preso com uma pena de 5 anos em regime fechado. O outro roubou 2 salames e está condenado a 4 anos. E um terceiro exagerou nas pingas, roubou uma bicicleta e deve pegar uns 3 anos. Todos estes meliantes (ao contrário de pessoas sérias como o senhor Paulo Maluf) vão pagar suas dívidas com a sociedade. Aqui em Londrina, venderam metade de uma companhia telefônica, montaram uma quadrilha, usaram inocentes como laranjas, fraudaram licitações, dinheiro público que seria usado na saúde e educação foi desviado para os bolsos de verdadeiros bandidos, inquéritos foram abertos, provas apareceram, nomes foram citados, o tempo passou, a cidade se esqueceu, as feridas foram cicatrizadas, o rombo foi coberto e Londrina voltou a sorrir. Agora estou com medo. Eles estão à espreita e a qualquer momento podem voltar a atacar. Por isso, precisamos estar atentos e vigilantes, pois como diria Vandré ''Quem sabe faz a hora não espera acontecer''!

ANTÔNIO JOSÉ SANTIAGO (diretor administrativo Hospital Zona Norte) - Londrina


Mocó

1.980 metros. Esta é a distância entre o mocó mais antigo de Londrina e a Catedral. Ponto de venda de todos os tipos de drogas, o mocó na Avenida Brasília, em frente à Bratac, é moradia de jovens - meninos e meninas, a maioria menores de idade -, que passam o dia se entregando aos ''prazeres'' proporcionados por alucinógenos. Esse ''ponto'' parece resistir ao tempo: está há mais de uma década no local, raramente molestado. Para aqueles que enxergam uma Londrina linda, convido a fazer uma visitinha no farol em frente à Bratac, em qualquer horário do dia ou da noite e admirar o comportamento do futuro da nação. Cinco minutos de observação bastam para que compreendam por que, no mês de agosto, Londrina já superou a marca de 100 homicídios no ano. Estendo esse convite aos chefes das polícias Civil e Militar, prefeito, vereadores, aos líderes religiosos, aos candidatos à Prefeitura e, principalmente, ao Conselho Tutelar. Afinal, todos os acima mencionados têm a responsabilidade e o dever de resolver esse estado de coisas. E nós, cidadãos, temos o direito de cobrar a ação de quem ganha para isso.

ROBERTO TEIXEIRA (empresário) - Londrina


Horário político

Enfim começou o horário político na TV e no rádio. A maioria das pessoas não gosta nenhum pouco desta programação, reclama muito, diz que é tempo jogado fora. Não discordo que talvez realmente seja muito desagradável assistir ao horário político. Prefiro muito mais assistir um jogo de futebol e ouvir uma boa música, por exemplo, do que o horário político. Mas, se queremos honestidade na política, se queremos mais transparência na administração pública, se desejamos que políticos competentes assumam o governo de nossa cidade, o horário político é essencial. Apesar de ouvirmos novamente falsas promessas, candidatos que mal sabem pronunciar o próprio nome, aquela conversa toda, é nesta hora que temos uma grande oportunidade de conhecer as propostas do candidato no qual depositaremos nosso voto de confiança. Todos nós temos o mínimo de discernimento para saber qual promessa de campanha será ou não viável. Não é necessário ser pleno conhecedor de política para saber qual promessa pode ser cumprida ou é apenas mais uma falsa promessa. Com esta análise, podemos desempenhar nosso papel de cidadão votando corretamente em outubro.

EDER WILLIAN DE CAMPOS (estudante) - Ibiporã

Cotas 1

Sobre a sugestão do estudante Thales Fernando Lima que defende as universidades do Paraná só para paranaenses, informo que há muito mais estudantes paranaenses em universidades em outros estados do que estudantes de outros estados estudando aqui no Paraná. Se fosse probido que estudantes de outros estados estudassem em nossas universidades públicas, a concorrência aqui aumentaria e muito. Tenho vários amigos e conhecidos com filhos na USP (SP), no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Cuiabá (MT) e Campo Grande (MS) estudando gratuitamente. O que devemos pensar é que somos todos brasileiros e devemos receber todos os oriundos de qualquer estado como irmãos, da mesma forma como somos bem recebidos fora do Paraná. Sou contra cotas para qualquer tipo de pessoa, pois me sacrifiquei muito mantendo meus filhos em escolas boas, enquanto conheci pessoas que preferiam trocar de carro ou viajar com esse investimento. Agora vejo-os como pessoas que vão ter previlégios por terem agido desta maneira.

FLÁVIO FERNANDES VIEIRA (engenheiro civil) - Londrina


Cotas 2

Pena que a justica no Brasil tem funcionado sempre contra o povo, desempregados, pobres, negros e índios. Perdeu uma grande oportunidade o procurador da República, Pedro Paulo Reinaldin, de Guarapuava, ao contestar judicialmente as cotas nas universidades para índios, negros e estudantes de escola pública. Talvez, ele não saiba mas a oportunidade de um estudante pobre entrar numa universidade pública hoje, é igual à fecundação do esperma no óvulo: somente 1 em cada 10 mil chegam. Eles poderão concorrer em igualdade de condições o dia em que os governantes investirem em educação do ensino fundamental e médio nas escolas públicas e na valorização dos professores. ''Ainda chegaremos um dia que as pessoas serão julgadas pelo seu caráter e não pela cor de sua pele'' (Martin Luther King). Aqui no Brasil dizem que a lei é igual para todos, mas não somos todos iguais perante a lei.

JOSÉ PEDRO NAISSER (ambientalista) - Curitiba

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