CARTAS
Cotas na UEL
Aproveitando a poeira levantada em torno da discussão sobre a implantação do sistema de cotas no próximo vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL), proponho uma outra questão que há muito me incomoda e, com certeza, outros candidatos. A UEL é mantida com impostos dos habitantes paranaenses. Sendo assim, é justo que em média 40% dos alunos que anualmente entram na universidade sejam de outros Estados? Não é demais lembrar que somente 58,66% dos alunos são oriundos do Paraná, enquanto que 31,67% são do estado São Paulo, conforme relatório cultural sobre o perfil do aluno ingressante do ano de 2003. Estes últimos muitas vezes se preparam nos melhores colégios e cursinhos pré-vestibulares do país e prestam vestibulares nas melhores universidades públicas do Brasil e acabam ficando naquela que lhe seja mais conveniente. Se uma maior parcela das vagas ofertadas para os cursos de graduação fosse reservada em favor dos habitantes do Paraná, certamente muitos candidatos negros e oriundos da escola pública paranaense e, principalmente, londrinenses conseguiriam ingressar no ensino superior sem serem amparados pelo novo sistema de cotas. Da forma como foi aprovado o sistema de cotas não irá combater o mal pela sua origem. Além disso, irá estimular a segregação, chocando-se claramente com nossos princípios constitucionais.
THALES FERNANDO LIMA (estudante) - Londrina
Vestibular da UEL
Pobres de nós, vestibulandos que lutam por uma vaga na Universidade Estadual de Londrina. Por que pobres? Primeiramente a adoção do sistema de cotas para negros e estudantes de escolas públicas que nos mostra a incompetência do governo em formar estudantes para competir com igualdade o vestibular. A a Constituição nos assegura a igualdade, então como aderir a um sistema tão discriminatório? Acredito que o negro já tenha sofrido inúmeros preconceitos e vejo que o ensino público no Brasil é lamentável. No entanto, percebo também o descaso do governo com a idéia de tentar melhorar o ensino fundamental e médio, processo que levaria anos, e a facilidade em aprovar um sistema ''tapa-buraco''. O sistema de cotas nada mais é que uma solução paliativa para tentar amenizar o problema da desigualdade no Brasil, é um passo no escuro em que o futuro dirá se esse passo fará o Brasil tropeçar e cair ou ajudará a encontrar a luz. A última da UEL: vestibular marcado para iniciar no dia 16 de janeiro. Por que uma data tão tardia? Coincidência é que a data marcada para o início do vestibular da UEL difere de outros vestibulares concorridos do país. Enquanto a UEL não dá uma explicação com bons argumentos acerca da data marcada para o vestibular de verão, o que fica explícito é que o vestibular da UEL é mais um concurso ''caça-níquel''. O que me espanta é a incoerência da UEL em aderir ao sistema de cotas, privilegiando classes desfavorecidas financeiramente e, ao mesmo tempo, marcar o início do vestibular numa data em que favorece a vinda de estudantes de outros estados com condições financeiras de prestar o vestibular em muitas universidades. Exceto os que optarão pelas cotas, parece-me que os únicos não-privilegiados no vestibular da UEL é a grande massa de estudantes de Londrina.
ELIANE YUKA (estudante) - Londrina
Dia do Agricultor
Não sei quem inventou essa baboseira de Dia do Agricultor (dia 28 de julho) porque no Brasil somente o dito grande agricultor, principalmente o usineiro de cana teria algo a comemorar. Ao grande, que sempre ''explorou'' a terra, foi oferecido dinheiro subsidiado através de bancos oficiais para melhoramentos agrícolas. Todos sabem que, com raras exceções, tais recursos foram corretamente aplicados. Muitos usaram na compra de mansões, apartamentos, carros de luxo e aplicaram em rendimentos financeiros no próprio banco como condição do empréstimo, pois a fiscalização da destinação era quase nula. Ao pequeno agricultor, caso do meu pai que sempre cultivou a terra, nunca teve acesso a nenhum dinheiro subsidiado já que nunca teve condições para fazer o tal saldo médio nos bancos. O meu velho na época tinha uma propriedade de 25 hectares e toda família morava e cultivava a terra. Como não tinha acesso ao crédito fácil para buscar dinheiro para custeio, meu pai hipotecou toda a terra aos bancos para plantar arroz de várzea. Investiu todo o restante que sobrava na limpeza e drenagem do varjão durante dois anos e, finalmente, no terceiro ano plantou arroz que esperava ser a salvação. Próximo à sonhada colheita, como na citação bíblica ''veio o dilúvio'' e a plantação sonhada ficou submersa. Finalmente em 1956, o banco tomou toda a propriedade e entregou ao grande usineiro para plantio da cana. Ficou a grande tristeza e uma certeza: não adianta teimar em ser lavrador pequeno no Brasil, principalmente plantador de algodão e arroz, pois não recebe ajuda de ninguém, nem a divina.
YUKIO MITUGUI (aposentado) - Londrina
Pastor esclarece
Gostaria de parabenizar a Folha de Londrina pela reportagem ''Do púlpito para o plenário'', publicada no último domingo. No intuito de informar e bem os seus leitores, este veículo de comunicação vem cumprindo sua missão de forma exemplar. Agradeço o trabalho da jornalista Janaina Garcia e aproveito para fazer alguns esclarecimentos. Disse que o Nuselon atende cerca de 400 crianças e adolescentes em situação de risco e não 700 como foi publicado. Também gostaria que ficasse claro que não me proponho a defender o segmento evangélico e sim trabalhar pelo bem de toda a cidade. Não me proponho a ampliar o trabalho social do Nuselon, conforme publicado, mas trabalhar em favor de todas as instituições assistenciais não-governamentais de Londrina.
JOED LAMÔNICA CRESPO (pastor) - Londrina
N.R.: As informações contidas na reportagem foram obtidas em entrevista concedida pelo pastor à jornalista.





