CARTAS
Sem-banco
Em meados de junho de 2004, a agência do banco Itaú com bandeira do Banestado , encerrou suas atividades em Janiópolis. Esta situação, corriqueira em cidades com poucos habitantes nos leva a refletir sobre a influência do grande capital no caso os proprietários do banco Itaú nos destinos da massa proletária. Com o fechamento da agência, servidores públicos do Paraná e um sem-número de aposentados tiveram seus vencimentos e benefícios depositados à revelia na agência do banco Itaú de uma cidade vizinha. Até mesmo pessoas que encerraram as suas contas do antigo Banestado necessitam se deslocar à vizinha cidade para receber seus salários. Isto origina inúmeros atropelos e dificuldades: arrumar carona; horário de trabalho incompatível com o horário do banco; estrada sem conservação; filas; ausência de linha regular de ''circulares''; atendimento precário, com apenas um caixa. Em Janiópolis, entretanto, existe uma agência do Banco do Brasil. Amparados nas disposições da Lei nº 13.527, de 24/04/2002, solicitamos a transferência da conta pagamento do banco Itaú da cidade vizinha para o Banco do Brasil de nossa cidade. Apesar do pedido ter sido enviado no dia 7/6/2004 e, posteriormente solicitado, também, via e-mail à Sead, até o momento nenhuma providência foi tomada. Será que estas poucas e parcas contas-pagamento influenciarão nos resultados do Itaú? Será que algumas contas pagamento afetarão o gigante das finanças? Qual o preço da dignidade? Já que o poder público não atende nossos requerimentos, desrespeitando a lei acima citada e as mais elementares normas de respeito e civilidade, apelamos à justiça, em público, para que interfira nesse arbítrio do capital contra trabalhadores. Que Estado de direito é este, em que os mais elementares direitos de cidadania são rompidos, em um contrato, assinado por gestores que governaram de costas para a população do Paraná?
ARON MAGNO DANGUI (professor e outros 14 professores assinam a carta) - Janiópolis (PR)
Olimpíada
O mundo não esquecerá dos momentos que marcaram a abertura da Olimpíada de Atenas e o esforço do povo grego, que lutou bravamente para a realização dos Jogos. O mundo também não esquecerá que, no mesmo momento em que as delegações desfilavam pelo estádio olímpico, no Iraque seu povo é vítima das potentes e poderosas bombas e armas dos americanos, aviões supersônicos, bombardeiros, com mísseis, blindados, fuzileiros e marines com metralhadoras que matam e produzem um banho de sangue na população indefesa aos olhos de todos os governantes do mundo. O sofrido povo iraquiano é vítima dos opressores e exploradores que produzem a sangrenta guerra na busca incessante do ouro negro (petróleo) que move o mundo. O mundo não esquecerá também do povo sofrido do Sudão que por motivos étnicos são expulsos do seu país e milhares de
crianças e idosos morrem de inanição. Este é o mundo em que vivemos. A globalização produz sempre os lucros aos opressores e exploradores, ficando para os pobres do terceiro mundo a fome e a miséria. Que ''A Reflexão'', símbolo da Olimpíada, sirva de exemplo para os ricos e poderosos. Que a compreensão e a reflexão aproximem sempre as pessoas a ponto de não existir diferenças entre dar e receber amor.
JOSÉ PEDRO NAISSER (ambientalista) - Curitiba
Pedágio
Em resposta às afirmações que considero absurdas, feitas na edição de 11/08 pelo senhor Mario Cesar Carvalho Pinto, professor em Londrina, gostaria de salientar que como usuária assídua e satisfeita das rodovias pedagiadas, insisto em dizer que ou o povo não pensa, não sabe calcular ou se esquece muito rápido das coisas. Senão, teria sabido escolher melhor seu governador e saberia calcular o gasto ao trafegar por rodovias em estado precário de conservação. Quanto à arrecadação e outras receitas que o professor cita, não acredito que isto seja relevante. Importa sim, ao meu ver, o que está sendo investido. Importa sim, o número de pessoas que deixaram de morrer nas rodovias por existir um atendimento ágil e de qualidade. Importa sim o valor que deixamos de gastar com manutenções em nossos veículos, sem falar de eventuais guinchamentos. Importa sim a segurança de nossas famílias ao viajar em rodovias pedagiadas. Importa sim a redução de assaltos nas rodovias fiscalizadas pela Polícia Rodoviária, aliás com equipamentos e veículos pagos com recursos do pedágio. Importa sim outros benefícios que se fosse citar tomaria muito espaço, aliás, coisas que o nosso amigo professor parece não ter pensado, não calculado e ainda se esquecido muito rápido da situação das rodovias antes da concessão, e olha que não faz tanto tempo assim...! Professor, gostaria de lhe explicar que as rodovias não foram privatizadas e sim concedidas à iniciativa privada por um período, devendo retornar ao Estado com todas as melhorias previstas no contrato. Sugiro que cobre de seu atual governante o investimento nas rodovias não-pedagiadas e que saia da sala de aula para viajar nas rodovias pedagiadas e entender o que estou dizendo! Tem gente que se faz de cego mesmo!
JULIANA TIBÚRCIO (comerciante) - Maringá





