CARTAS
Misericórdia
A Irmandade da Santa Casa de Londrina (ISCAL) comemora o Dia Nacional das Misericórdias, neste 15 de agosto, agradecendo publicamente à comunidade de Londrina. São 68 anos de trabalho árduo pela melhoria da saúde da população londrinense, sempre contando com o empenho e solidariedade da nossa gente. Graças ao voluntariado dos Irmãos e Mesa Administrativa da ISCAL, a doações realizadas por benfeitores e aos recursos obtidos com as vendas de roupas usadas do Bazar da Santa Casa, esta semana tornou possível a aquisição de 2 veículos para transporte de alimentos e medicamentos entre os hospitais da instituição. Parabéns Londrina! Em seus 70 anos podemos comemorar o espírito solidário e de fraternidade que forma o coração desta terra vermelha.
JOSÉ CYRILLO DA SILVEIRA MENDES (provedor da Irmandade da Santa Casa de Londrina) - Londrina
Saúde pública
A única resposta que o governo federal poderia dar aos reajustes escandalosos nas mensalidades exigidos pelos planos de saúde seria uma ampla reforma na saúde pública, que se encontra em situação deplorável levando à morte diariamente nas filas dos hospitais incontáveis cidadãos brasileiros sem recursos financeiros. Se a saúde pública funcionasse, consequentemente, o acesso aos planos particulares seria bem menor, fazendo com que eles se interessassem mais por seus clientes, com preços menores e serviços melhores. Essa é a resposta, mesmo que a médio prazo, que um governo interessado na saúde de seu povo poderia dar com resultados definitivos.
HABIB SAGUIAH NETO (bancário aposentado) - Londrina
Jardelina da Silva
O que seria mais importante para o Norte do Paraná: a instalação de uma supermultinacional de US$ 100 milhões em máquinas e equipamentos ou uma curiosa Jardelina da Silva andando à vontade pelas ruas da vizinha Bela Vista do Paraíso? Quem se apressou pelo capital tecnológico, errou e errou feio, pois ambas são fundamentais às nossas medrosas e comportadas existências, assim como as árvores de nossas alamedas, o arruamento de nossas ruas e a preservação de nossas memórias, inclusive as do cenário. Nascida quando Londrina ainda era só umas Três Bocas num conturbado 1929, ano da quebra da Bolsa de New York e de inflação colossal numa Alemanha falida, a Europa ainda no rescaldo da confusa e duvidosa Primeira Guerra Mundial, Jardelina da Silva vem se juntar à galeria de personalidades peculiares de um judiado país chamado Brasil, entrando para o seletíssimo clube onde seu expoente máximo foi, sem a menor dúvida, Arthur Bispo do Rosário. O ex-marinheiro, que de dentro de um manicômio, bordava preciosidades como um livro feito de tecido, agulha e linha, escrevendo sua obra sagrada para encontrar-se com seu Deus, que acreditava estar lhe esperando após sua morte. Nossa sergipana do Norte do Paraná tinha lá suas razões. Num mundo que por convenções sociais acabamos por nos adaptar ao que é ''adequado'', Jardelina da Silva era como o imprevisível vento que entrava pela porta esquecida aberta e numa lufada revirava tudo, consternando o mais zen dos adestrados mortais, tendo sua ampla e particularmente bela vista de seu próprio e irreprodutível paraíso. A ''louca'' se foi, sem entender muito bem as homenagens e comendas às quais, certamente, lhe faremos algum dia, olhando pra trás e, enfim, compreendendo coisas e causos que ainda não estamos preparados para assimilar, como que se confirmando a frase de todas as frases: Vita brevis, Ars longa.
CHRISTIAN STEAGALL-CONDÉ (arquiteto) - Londrina
Cotas na UEL
A implantação de cotas para alunos negros e de escolas públicas nos próximos vestibulares da UEL, assim como em outras universidades públicas, tem causado acalorados debates. Os críticos deste sistema são basicamente os proprietários de escolas privadas, seus alunos e donos de cursinhos pré-vestibulares. Este último, na realidade, não terá nenhum prejuízo, pois tanto os alunos das escolas públicas quanto os das particulares não saem do ensino médio preparados para os grandes vestibulares. A maioria absoluta ainda precisará frequentar por um ou dois anos esses cursinhos. Pesquisas divulgadas recentemente por um jornal da cidade mostraram que alguns cursos da UEL, principalmente aqueles mais procurados pelas classes média e alta como Arquitetura, Engenharia, Odontologia, Direito e Medicina, têm uma parcela de até 98% de alunos vindos de escolas privadas. Isso ocorre também nas universidades particulares, pois são cursos caros para um aluno pobre pagar. Neste caso realmente as cotas se justificara. É aí também que está a grande resistência dos alunos das escolas privadas: terão que dividir essas vagas, que até então eram praticamente exclusivas deles, com os alunos das escolas públicas. Segundo a reitoria da UEL, a diferença de pontuação entre esses alunos é pequena. Portanto, nesse caso não irá comprometer a qualidade do ensino da universidade como querem alguns. Já quanto ao negro ou afrodescendente a coisa não é tão simples assim. Eles não estão segregados somente das universidades. Eles também estão excluídos do ensino médio. E, neste último caso, infelizmente a cota já não funciona. É preciso encontrar outra solução. E aí fica uma incógnita para as autoridades resolver: como fazer com que os alunos negros também cheguem ao ensino médio?
SEBASTIÃO BERNABÉ ALVIM (relações públicas) - Londrina





