CARTAS
Ciganos 1
Com relação à reportagem ''Ciganas despertam crença e hostilidade'' publicada ontem, no Caderno Folha Cidades, quero, com amor e carinho, tecer algumas considerações. A matéria é lamentável, a começar pelo título que só vem reforçar o comum aceito pela sociedade de que os ciganos são mesmo ''hostis''. É deplorável a jornalista fazer a matéria ''descaracterizada'', sem se identificar, e mais: publicar a matéria sem autorização expressa de quem de direito: os ciganos! Foi um ato ludibriável, feriram-lhes a privacidade e imputaram-lhes a verdade. Neste País tudo pode ser publicado mas se fosse nos Estados Unidos, Alemanha ou Inglaterra... a coisa seria diferente. Segundo a professora Helena Oliveira Silva, citada pela jornalista, os ciganos vieram da Romênia. Coisa equivocada: os ciganos são originários da Índia, falam o romany, língua filha direta do Sânscrito, como também o é o Hindi, Punjabi, Marathi, Nepalês e etc. Os ''ciganos'' se dividem em três grandes grupos: Khalom (os entrevistados), Sinti e Rom. Cada grupo com outras divisões em tribos e clãs. Os nômades são os Khalons na América, Gaduliya na Índia, Jajabor em Bangladesh. Seminômades: Kalderash, Korarhaneh, Po-romane, Gurbetah e etc. As outras tribos são sedentárias como os Maktchuaiyah, Lovari, Voiyash e etc. Jamais os ciganos perderam suas tradições: são celebradas de maneiras diferentes em cada grupo, tribo e clã. Terminando cito ainda três ponderações: 1º- Provérbio cigano: ''A terra é minha pátria, o céu é meu teto e a liberdade minha religião!''; 2º- Os ciganos são filhos do vento e estão cansados de preconceitos, racismos, perseguições, e o pior: roubaram-lhe o direito à verdade e muitas vidas ao longo de sua atormentada história de mais de dois mil anos; e 3º- Só me resta citar a Sagrada Escritura na minha própria língua: ''Dade! Jertisar lenge, ke chi zhanen, ke so keren! Lucas 23,34''.
FREI TADEU LUIZ FERNANDES-IFE (cigano da Tribo Kalé e pároco da Paróquia Cristo Rei) - Lupionópolis
Ciganos 2
Com referência à reportagem sobre os ciganos publicada ontem pela Folha, gostaria de informar alguns detalhes. O povo cigano tem sua origem, segundo a versão mais aceita por todos, na Índia, tendo começado sua caminhada pelo mundo a partir de uma diáspora de castas, sistema de estrutura social vigente até hoje naquele país. O povo cigano divide-se, fundamentalmente, em dois grandes grupos, os Rom e os Calom. Os Calom são os ciganos estradeiros que passam a maior parte de suas vidas indo de cidade em cidade, embora tenham um pouso definido. Os Rom são ciganos que, habituados a viver em palácios, na época dos reis, onde eram seus artistas preferidos, têm uma maior capacidade de se fixar em um lugar, embora também adorem viajar. As roupas coloridas são como um traje típico, que identifica o povo, o que não quer dizer que não se possa encontrar ciganos usando as roupas mais normais do mundo no seu dia-a-dia. O povo cigano não têm uma religião própria definida e, normalmente, adota a religião do país em que vivem, por isso, é muito normal que os ciganos brasileiros sejam católicos. Acima de tudo, para um cigano, está Deus e Santa Sara Kali, padroeira do povo em todo o mundo. Sua capela fica em Sant Marie de la Mer, no sul da França, e é venerada no dia 23 de maio. A adivinhação, ou leitura de mão, é um dom que todos têm, como bem disse uma das entrevistadas, mas que poucos usam. O povo cigano, por estar sempre mais em contato com a natureza, menos sobrecarregado das preocupações que temos no nosso dia-a-ia, torna-se mais ágil em perceber pequenos detalhes, expressões do rosto, às vezes uma palavra solta que se deixa escapar. Quanto a cobrarem, é claro que as ciganas têm de ser pagas. Afinal, este é o trabalho delas, e quem trabalha merece pagamento. Ou alguém gosta de trabalhar de graça?
NINA GRAÇA DE OLIVEIRA CARDOSO (psicóloga) - Londrina
Catuaí esclarece
A direção do Catuaí Shopping Center de Londrina esclarece e corrige informações contidas no editorial da Folha (3/8, página 2). Ao contrário do que diz o artigo intitulado ''A tragédia do Paraguai, um alerta'', não é norma e tampouco prática entre os shoppings centers brasileiros, ''ordenar que portas sejam fechadas quando algo anormal ocorra, como falta de energia elétrica, princípio de incêndio e outros incidentes .....''. Lamentavelmente, a Folha toma a parte pelo todo e generaliza, atribuindo aos centros de compras brasileiros a mesma ação irresponsável, e criminosa, cometida pelo empresário paraguaio. A direção do Catuaí informa também que o ''conglomerado de lojas'' de Londrina a que o editorial da Folha se refere sem identificar (e que, segundo o jornal, afetado por um corte de energia teve suas portas fechadas) não é o Catuaí Shopping Center - centro de compras regional que, além das oito portas de acesso (com vão de abertura de 6 metros cada), tem instalado moderno sistema de segurança que, auditado e vistoriado periodicamente pelo Corpo de Bombeiros, segue as rígidas normas determinadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, a ABNT.
SYLVIO CARVALHO NETTO (diretor superintendente do Catuaí) - Londrina
Transporte no Ilece
Em relação à reportagem ''Mães reclamam de transporte especial'', publicada na página 2 do Folha Cidades, no último dia 3, o Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece) esclarece que o transporte ali mencionado se relaciona aos ônibus que transportam deficientes de várias instituições da cidade, cujo horário e itinerário são administrados pela CMTU. O ônibus cuja foto aparece na reportagem nada tem a ver com a mesma. O coletivo em questão é utilizado somente pelos alunos do Ilece cujo atendimento por parte da TCGL tem sido de grande importância, sendo primordial para que os alunos com deficiência mental possam se locomover.
BRAZ RODRIGUES NETO (presidente do Ilece) - Londrina





