Papel da elite

Outro dia minha irmã chegou em casa dizendo que em sua sala de aula houvera uma discussão sobre as cotas para negros e que apenas 15% dos alunos eram a favor das cotas. Detalhe, ela está no curso de Serviço Social. É isso mesmo, Serviço Social! Fico imaginando que tipo de pessoas nossas escolas e universidades estão formando. Com certeza esses alunos sairão da universidade com um diploma debaixo do braço e com um conhecimento no mínimo satisfatório para exercer a tão buscada profissão. Mas e o conhecimento político, social, filosófico e solidário, foi ensinado? O que leva um estudante de Psicologia, de Agronomia ou de Engenharia Elétrica dizer que não adianta facilitar a entrada de negros e pobres nas universidades, mas que é preciso saber se eles terão condições de enfrentar toda a faculdade? Ou dizer que é vergonhoso estabelecer cotas, simplesmente porque o Estado é incapaz de melhorar o ensino e que os alunos não podem competir em pé de igualdade? Por que não teriam condições? Quem disse que um branco ou burguês é melhor ou mais capacitado que um negro ou um pobre? Talvez o branco ou o burguês tenha sim maiores chances, maiores oportunidades, mas serem melhores, de maneira nenhuma. E que igualdade é essa a qual todos dizem estar sendo oprimida com o estabelecimento das cotas? Existe alguma igualdade na sociedade? Existe igualdade de direitos entre pobres e ricos, entre negros e brancos? Todos possuem as mesmas oportunidades? Não, não possuem. E o papel da elite é exatamente continuar perpetuando essa desigualdade social e racial. Seria bom demais ver estudantes brancos e burgueses admitirem alguma coerência no sistema de cotas, assim como seria até engraçado ouvir da boca do senhor Marcos Henrique Marangoni uma defesa a favor do MST, fazendo este, como ele mesmo disse, parte de uma família de detentores de terras e, há tempos atrás, afortunados do pólo cafeeiro. Roubo senhor Marcos Henrique é o que é feito com tantos sem-terra no nosso país, quando lhes são tirados o direito à pequena propriedade exatamente por esses mesmos antigos e atuais afortunados da terra. Lamentável é ver tantas e tantas pessoas passando fome, mendigando, não tendo onde morar.

JOSIANE RODRIGUES (assistente financeiro) - Londrina


Lula e o MST

Não queria usar este nobre espaço para ficar explicando coisas que talvez não interessam à maioria dos leitores e outras coisas que imagino já deveriam estar claras para todos. Quando criança tive o desprazer de ser expulso com meus queridos pais da nossa choça por grileiros que se diziam donos da terra. Quando jovem vi a cena se repetir com meus tios e outras pessoas. Fazendeiros na cidade arrumavam documentos, provavelmente falsos, e diziam que a terra era deles e não queriam mais ninguém ali. Todos tinham que deixar seus casebres e ir embora. Se alguém não saísse, eles mandavam os capatazes atear fogo. Para mim é muito difícil esquecer essas coisas. Não que eu seja vingativo. Ainda mais agora sabendo que ''a terra é de Deus''(Sl 24/23,1). E como discípulo de Jesus de Nazaré, procuro seguir esta orientação: ''As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo''(Conc. Vat. II, GS, n.1). Sei que defender ''os excluídos da sociedade, defender os direitos humanos, é muitas vezes ser perseguido e difamado''(cf. Carta aos Presbíteros, doc. 75 - CNBB, p. 28). Mas tem alguém que se ''alegra com o nosso compromisso com os pobres e excluídos'' (Ibid, p. 27). Caro companheiro Marcos Henrique Marangoni, se errei em fazer loas ao MST, peço-lhe desculpas. Continuaremos irmãos em Cristo. Mas vou continuar errando enquanto ''todo ser humano não tiver vida em abundância'' (cf. Jo 10,10).

ANTÔNIO PEREIRA ANCHIETA (padre) - Jacarezinho


Delazari dá sua versão

Esclarecemos que o projeto Paraná Contra o crime - Polícia na Rua é uma medida que está sendo preparada há mais de um ano. Esse projeto teve o seu início com a necessária reestruturação de recursos materiais, já que as polícias foram abandonadas e sucateadas pelo governo passado. Para isso, compramos mais de 700 novas viaturas, somente neste primeiro semestre de 2004, novas armas, munições, coletes, motocicletas, equipamentos de informática, rádios de comunicação, enfim, tudo o que era necessário para uma boa polícia, a polícia que todos nós desejamos. Mas sem dúvida o maior investimento foi nos recursos humanos: fizemos a maior contratação da história da PM, com 1.028 novos homens e uma das maiores da PC, com cerca de 500 novos policiais. O lançamento ocorreu neste mês simplesmente porque esses homens ainda não estavam prontos, formados como policiais, pois desde o começo do ano estavam nas academias de Polícia treinando para serem os melhores policiais. Com relação às sugestões mencionadas na coluna Ruth Bolognese, que teriam sido feitas pela Adepol e pelo Sindipol, informo que não fui notificado judicialmente das mesmas, não recebi e não tomei conhecimento da sua existência. Quero informar que estamos sim aliados e juntos com a Polícia Militar e Polícia Civil, mas somente com profissionais sérios, honestos e éticos, que tenham a ficha limpa, sem envolvimento com Caboclinhos ou Mandelis da vida. Esses tipos jamais se aliaram à minha filosofia e ao meu trabalho, pois não abro mão de alguns princípios, entre eles a honestidade. Rejeito a sua sugestão de me aliar ao ''capeta'' e lamento se a colunista não tem o mesmo pensamento. Para finalizar, destaco a importância deste jornal para a sociedade paranaense, mas não concordo com a opinião da colunista, que mais uma vez mostrou-se desinformada e faltosa à lição primária do jornalismo - ouvir todas as partes antes da publicação. Isso demonstra a parcialidade dessa jornalista, o que, na minha opinião, destoa da linha editorial da Folha de Londrina.

LUIZ FERNANDO DELAZARI (secretário de Segurança Pública do Paraná) - Curitiba

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