Cotas demagógicas

É impressionante a capacidade da pseudo-elite brasileira em tentar simplificar problemas complexos. Para ''resolver'' o problema da criminalidade crescente no País, alguns ''iluminados'', dentre os quais integrantes da cúpula das polícias Militar e Civil, defendem que criminosos sejam apenados com sentença de morte, contratação de policiais tanto civis quanto militares em número suficiente para que tenhamos um para cada cidadão e que os governos estaduais dotem estes mesmos policiais de armamentos de grosso calibre, que sejam construídas centenas de penitenciárias se possível uma em cada bairro e ainda que o governo federal coloque o Exército a Marinha e a Aeronáutica em ação combatento por terra, mar e ar a criminalidade. Com estas ''simples providências'', os iluminados acreditam que os problemas históricos da exclusão social e da miséria serão resolvidos e não teremos mais criminosos nas ruas. Esta mesma ''elite pensante'', nos seus devaneios, acredita e defende a instituição de cotas visando ''solucionar'' o problema também histórico da não-inserção de alunos negros no ensino público superior e na economia. Esta elite demagógica defende também a instituição de cotas de acesso aos cargos públicos no âmbito do Poder Executivo dos três níveis da administração. Talvez fosse oportuno, senhores das cotas, a instituição de cotas também para que tenhamos nos legislativos representação proporcional desta maioria excluída e que os empresários sejam também ''obrigados'' a contratar para seus emprendimentos cidadãos que, por razões diversas, não tiveram a oportunidade de ser incluídos no mundo dos dotados da educação formal. Vamos combater as causas dos problemas, não vamos permanecer no mundo da superficialidade tentando resolver problemas complexos, enquanto as verdadeiras causas são escamoteadas.

LOURIVAL BARBOSA (estudante) -Londrina


Penas brandas

Acompanho pela imprensa o caso do jovem paranaense que foi preso na Indonésia ao tentar entrar naquele país com seis quilos de cocaína. Até aí nada de anormal, mas o que me chama a atenção é querer trazê-lo ao Brasil para julgá-lo aqui apenas porque a lei é mais branda. Espero que isso não aconteça. Gostaria que nossas autoridades seguissem o exemplo da Indonésia aplicando penas pesadas aos traficantes, pois só assim conseguiremos pôr ordem no país. Se tivéssemos aqui leis fortes para os infratores, seria grande a redução do número de crimes. Estamos em um momento onde nem a polícia é mais respeitada e está sendo morta por diversão de criminosos. A polícia não pode matar um menor, mas ele pode entrar em minha casa roubar o que quiser, me matar, espancar minha mulher, estuprar minha filha tendo a certeza de que não posso lhe dar um tiro porque está protegido pelo estatuto. A polícia não pode fazer nada porque é um menor. E se for feito algo contra ele, os ''direitos humanos'' logo vêm para proteger os marginais. Admira-me que o pessoal dos direitos humanos nunca apareça para ajudar a família de um policial morto por bandidos, como aconteceu no Rio de Janeiro na última quinta-feira à noite. Mas se fosse o inverso... O mesmo digo para o MST que pode invadir e destruir a propriedade que levei anos de trabalho para adquirir e não posso me defender, porque eles são indefesos, e serei considerado um criminoso se o fizer. Mas quem está errado? A lei que pune com rigor os criminosos independentemente de quem seja ou quem aplica penas brandas proliferando violência? Quem invade ou quem defende sua propriedade, direito garantido pela Constituição? Quem defende marginais ou quem tenta colocar respeito pelas leis? Acho que está na hora de pararmos de proteger bandidos e discutirmos as leis e o sistema penal para tentarmos fazer algo pela nossa segurança ou continuaremos sendo prisioneiros dentro de nossas próprias casas.

ALLAN JAMES DE CASTRO BUSSMANN (estudante) - Londrina

Eleições gerais

Dos oito candidatos à Prefeitura de Londrina, quatro são deputados em pleno exercício do mandato: dois estaduais e dois federais. Todos eles representam o os interesses de Londrina e do Paraná. São políticos que defendem nossos interesses nas esferas estadual e nacional. Qualquer um que se eleger prefeito, acarretará perda de um representante para a cidade. Para evitar isso, o processo eleitoral deveria ser unificado com eleição geral para todos os cargos políticos. Assim, economizaríamos o dinheiro público usado nos processos eleitorais e asseguraríamos a continuidade do mandato de nossos políticos sem que os mesmos deixassem a função no meio do mandato, ainda que seja para melhor atender as necessidades do povo.

TOCHITANE MITSI (aposentado) - Londrina

Violência

Nada menos do que 40 mil pessoas são assassinadas por ano no Brasil. É uma cifra altíssima, quando olhamos a necessidade de valorizar mais a vida. Entre 1980 e 2000 os homicídios em nosso país cresceram de 12 para 27 assassinatos em cada 100 mil habitantes. Em alguns bairros de São Paulo esta porcentagem é de 438 para cerca de 100 mil habitantes. Os jovens são as maiores vítimas dos homicídios causados geralmente por armas de fogo. A causa da violência é a situação econômica no seu todo, o desemprego, a falta de políticas públicas para os jovens. Esta cultura da violência vem das novelas, dos filmes, de programas de TV, das drogas. Para fazer frente a esta situação de violência generalizada, necessitamos introduzir uma campanha em favor da paz. Na campanha nacional do desarmamento as pessoas entregam livremente suas armas. Mas, os violentos, os bandidos, os assaltantes, os marginais continuam com seu armamento bélico e pesado.

NATALÍCIO JOSÉ WESCHENFELDER (padre) - Marmeleiro (PR)

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