Queda-de-braço

Está se tornando enfadonho o entrevero entre os lojistas e o sindicato dos comerciários de Londrina. Os sindicatos preocupam-se em criar novos empregos e, paradoxalmente, tudo fazem para reprimi-los. Os governantes e políticos demagógicos se esmeram em adotar medidas burocráticas que cada vez mais dificultam o crescimento da economia. Impressiona como fecham os olhos para os modelos adotados em países mais adiantados onde estas querelas tornaram-se relíquias. Parece que nossa sociedade adora patinar na burocracia e gastar suas melhores energias em busca do descobrimento da roda. Londrina, sabidamente, não é uma cidade industrial. Por equívoco na adoção de projetos políticos do passado quis se criar para nossa cidade uma grife de ''prestadora de serviços''. Ora, se isto é válido e ela quer ser caracterizada como ''prestadora de serviços'' não pode cercear a abertura do comércio nos horários que mais caracterizam as ''cidades turísticas'' e, exatamente, no setor que mais presta serviços à nossa região. Está na hora de se deixar a ''queda-de-braço'' de lado e procurar ver o que é bom para a cidade. Está na hora de compreender que o interesse coletivo deve se sobrepor ao particular. Faça-se então um plebiscito e vamos, de uma vez por todas, acabar com este jogo de ''cabo-de-guerra''. Tenho certeza que o verecdito será pela abertura pois, a consciência do povo, quando não manipulada, reconhece o interesse do coletivo.

PEDRO MORETTO (imobiliarista) - Londrina


Promessas à vista

Estamos acompanhando pelas ruas o começo da campanha de alguns candidatos à Prefeitura de Londrina. Uns conhecidos, outros nem tanto. E como há 4 anos, parece que nada mudou. O eleitor vai começar a ser iludido novamente com os mesmas promessas. Mas, com certeza, o candidato vai dizer que desta vez é pra valer. Infelizmente, não consigo acreditar. E, certamente, não sou a única. Mas por que será que acho que estão mentindo para mim? Será que é por que vejo um pai de família vendendo bala no semáforo para comprar comida pois está desempregado ou será por que uma criança me aborda pedindo uns trocados para comprar remédios para a mãe doente? Poderia ser também por que vejo muita criança catando lixo e papel na rua pra ajudar em casa em vez de estar na escola ou ainda por que no último fim de semana fui assaltada em frente ao Posto de Polícia da Avenida Tiradentes, ao meio-dia, e não havia nenhum policial no momento! Acho que existem muitos porquês para não acreditarmos em tanta conversa furada. Sem dizer que, com todas as coisas a serem feitas na nossa cidade, ainda nos fazem acreditar que muita coisa mudou. Acho que primeiro o político deveria ser um pouco mais humilde e assumir que não fez muita coisa e só depois encher a cidade de outdoors e propagandas na TV e no rádio. É muito curioso como às vésperas das eleições a cidade fica mais bonita, limpa, cheia de prosperidade e muitas obras recém-começadas. Espero que o eleitor preste atenção não no que o candidato fez, mas sim no que ele deixou de fazer e no que poderia (e deveria) ter feito.

ANA BÁRBARA TOLEDO LOURENÇO JORGE (estudante) - Londrina


Rombo na Previdência

Muito se lê na imprensa que a grande desculpa do governo em não pagar um salário melhor é o ''rombo da Previdência''. Essa desculpa, de tão esfarrapada, já não convence ninguém. Alguém sabe onde ou qual a conta que o governo recolhe os 11% que desconta dos seus funcionários? Não? Eu também não. O maior devedor da Previdência Social no Brasil é justamente os governos federal, estaduais e municipais. Descontar, eles descontam. Agora, recolher, bem, isso aí já é outro caso. O INSS talvez seja o maior possuidor de imóveis no Brasil. Existem imóveis de sua propriedade que estão caindo aos pedaços e abandonados e o INSS paga polpudos aluguéis por prédios particulares. Se reformasse seus imóveis, o INSS economizaria esse dinheiro que investe em aluguéis.

EDMILSON ASSIS DOS REIS (bancário aposentado) - Londrina



Registro gratuito

Gostaria de dizer ao sr. Emerson Rogério Fritsch Perazolo, de Brasilândia do Sul (PR), que quando escrevi sobre registro gratuito não falei de paternalismo, mas de cidadania. Não falo da lei, mas de princípios; não peço para os pobres, mas para os cidadãos; não falo dos cartórios, mas de uma política pública. Política que falta para Instituto de Identificação do Paraná, em Londrina, onde pude perceber a falta de investimentos do Estado neste importante órgão de cidadania e segurança pública. O prédio não é adequado às funções dos servidores e muito menos ao público. O que mais impressiona é a técnica rudimentar de captação das digitais: a mão suja de tinta faz parte da mecânica de obtenção das digitais, os computadores não fazem parte do ambiente de trabalho e a cola ainda é usada para fixar a foto do ''lambe-lambe'' na cédula, o documento demora 90 dias para ser emitido. Situação bem diversa do Detran do Paraná, onde a modernidade está presente, pode-se fazer consultas pela internet, emitir guias de pagamento via internet, a carteira de motorista é confeccionada a partir de um sistema digital, o documento chega pelo Correio em sua casa em 5 dias. É evidente que os serviços prestados pelo Detran-PR fazem parte da máquina arrecadadora do Estado. Talvez, por isso, o Paraná deixe em segundo plano o seu Instituto de Identificação. Contudo, deixar de investir neste serviço banal de emitir documentos é uma falha inadmissível, transparece a falta de uma política pública voltada para a cidadania no país. Documentos essenciais para o exercício da cidadania, como os registros de nascimento, casamento, óbito e a carteira de identidade deveriam ser gratuitos para todo e qualquer cidadão.
VANDERLEI ESTALIANON (corretor de seguros) - Londrina

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