CARTAS
Profissão ou vocação?
É interessante como um cargo político atrai a atenção de inúmeras pessoas que não medem sacrifícios para conseguir votos. Tanto esforço assim será que é vontade de representar a sociedade no poder? Fico imaginando quantos candidatos teríamos se o salário de vereador fosse de R$ 300, por exemplo? Será que haveria inclusive candidatos à reeleição? Uma coisa é certa: existem políticos por vocação e políticos por profissão. O político por vocação é como um jardineiro que planta e se empenha em cuidar das mudas de um jardim para vê-lo florido futuramente. Já o político por profissão é como um gigolô que vive na ociosidade à espera daquilo que mais lhe agrada: o dinheiro e o conforto. À sociedade cabe o papel de selecionar os políticos por vocação para cuidar dos nossos ''jardins'' para que possamos colher flores e não espinhos no futuro. Mas para isso é necessário ter em mente que para um político fazer algo pelo povo não é necessário roubar e se ele faz alguma coisa, é mais que obrigação.
FABIANO BEZERRA DE SOUZA (operador de caixa) - Londrina
Educação de qualidade
É chegada a hora da propaganda política no rádio, na TV e nos jornais. Tenho certeza de que o assunto principal de qualquer postulante a um cargo eletivo será a educação. Todos os discursos apresentarão soluções milagrosas para tirar o Brasil da posição incômoda que ocupa no campo educacional. Como num passe de mágica, num belo e floreado discurso, a solução para tanta dificuldade de aprendizagem e, com ela, a falta de relação humana entre as pessoas estarão solucionadas. Aí é que está o problema: não há como melhorar a qualidade do ensino somente com um belo e inflamado discurso. Torna-se necessário investir na qualificação do professor e na melhoria de sua remuneração. A lei do mercado é bem clara: bons vencimentos, atraem ótimos profissionais (via de regra) e com eles, a melhoria da qualidade do ensino. Da mesma forma que não se cria um grande time sem um ótimo treinador, também não se formam bons profissionais sem um excelente professor. Desta forma, não serão discursos entusiasmados nem promessas inatingíveis que dicidirão os rumos dos votos dos eleitores. Seria bom que todos os políticos, ao usarem o nome da educação nas suas campanhas, tivessem bem claro em suas mentes: a educação só será ideal para o povo quando o governo cumprir sua parte no desenvolvimento social. Ou seja, dotar as escolas de estruturas ideais, promover a inclusão social, remunerar dignamente seus educadores e, acima de tudo, dar conta dos cursos de graduação de ótima qualidade. Incentivar e reconhecer, com urgência, seus programas de pós-graduação. É isso ou então serão mais discursos que se perderão no vazio.
ESMERALDINO FRANCO (professor) - Santa Mariana
'Jeitinho brasileiro'
O ''jeitinho brasileiro'', como foi dito numa reportagem na TV, nada mais é do que uma quebra de normas (leis) em benefício próprio, assim como a atitude de políticos quando barganham seus votos para atender ''interesses'' em troca de ''favores''. Será que é corrupção? Se questionados sobre as atitudes dos políticos, a maioria esmagadora dos brasileiros vai crucificá-los. Ao mesmo tempo, se questionados se algum dia fizeram de uso do tal ''jeitinho'' para seu próprio benefício, certamente vão responder que sim. Culpam-se os políticos, mas e quando nós somos os culpados? O que acontece no Brasil é que o País é vítima de sua cultura e colhe hoje os frutos dessa mesma cultura: a cultura do ''jeitinho''. O brasileiro sempre quer levar vantagem em tudo. A culpa não é somente do Gerson. Apesar de levar a culpa, ele foi também vítima de algum publicitário que quis se aproveitar dessa cultura para incentivar esse costume egoísta e mal-educado. O país não vai mudar esse mau costume com decretos ou grandes atitudes governamentais: esses costumes só serão mudados no momento que quisermos e tivermos atitudes concretas para tal mudança. Comece a mudar o país hoje mesmo: ensine seu filho a respeitar as leis dando-lhe o exemplo e explicando-lhe por que as leis devem ser respeitadas. Exija a nota fiscal em todas as suas compras: não para o comerciante pagar mais imposto, mas porque a nota fiscal é sua garantia de cidadania. Seja honesto e correto com seus funcionários, pagando o que lhes é direito e agindo conforme a lei. Tendo atitudes concretas em nosso dia-a-dia criaremos o hábito de ser corretos e, quem sabe, mudaremos a cultura do ''jeitinho'' para a cultura do ''certinho''.
ANDRÉ LAZZARINI (veterinário) - Londrina
Risco Brasil
Parece-nos que as palavras do general francês continuam vivas em nossas memórias. A falta de seriedade de alguns põe em risco toda uma nação que trabalha, produz e quer que o seu povo seja feliz. Ao invés de se fazer uma corrente pra frente de ''avante Brasil'', procura-se denegrir a sua imagem impingindo-lhe uma escala numérica de riscos. Essa coisa não existe nos países chamados de primeiro mundo. Se não bastasse tudo isso, até nas novelas faz-se alusão ao risco país, quando o protagonista Afonso Lambertini, faz um testamento e coloca a sua fortuna em bancos suíços. Será que isso é um convite para que nós não confiemos em nosso país? É certo que o Poder Executivo deveria dar o exemplo e cumprir melhor o que está escrito na Constituição federal. As quebras de contratos, confiscos, manipulação de índices e falta de seriedade na correção dos salários e aposentadorias são coisas que não deveriam existir nem por brincadeira. O Poder Judiciário deve ser livre, independente e fazer valer as leis e a Constituição, sobretudo com celeridade. O Brasil precisa ser respeitado, aqui dentro e lá fora.
ANTÔNIO PEREIRA (contador) - Londrina





