Natureza devastada

Não bastasse a degradação e a devastação da Mata Atlântica, que hoje conta somente com 4% de sua cobertura vegetal, mais uma vez o meio ambiente sofre grandes danos causados pelo trágico acidente acontecido com o trem da ALL na ponte que cruza o Rio São João na Serra do Mar. Talvez, os espíritos daqueles pioneiros e desbravadores estejam tristes como nós. Eles que em vida deram o melhor de si para a construção dessa obra de engenharia e símbolo do século 19. Agora no século 21, pelas ações da globalização e a ganância do transporte pesado, dezenas de vagões são transportados numa só viagem e puxados por quatro locomotivas serra abaixo rumo ao Porto de Paranaguá na busca sempre do famigerado lucro imediato. Isto sem preocupação com o poder de sustentação e as leis da física que a ponte pode suportar. Quando do acidente a empresa citou que iria utilizar máquinas e equipamentos modernos para a retirada das 1.150 toneladas de milho, farelo e açúcar que entupiram o Rio São João. O que vi foram equipamentos de fundo de quintal como pás, enxadas, peneiras e sacos de estopa para retirar o material coletado, que em sua maioria já chegou ao mar. Faço minhas as palavras do grande cacique da tribo Sioux, quando foi obrigado a assinar a entrega de suas terras aos brancos americanos: ''Quando o homem branco derrubar a última árvore, poluir o último rio, envenenar o último peixe, expulsar os animais de seu habitat, de nada lhes adiantarão os bilhões de dólares, porque ele não poderá comer o dinheiro''. Estaremos, sim, próximos ao julgamento do Juízo Final, pela degradação e devastação da natureza e da vida no Planeta Terra.
JOSÉ PEDRO NAISSER (ambientalista) - Curitiba

Manipulação

Na última semana, a imprensa divulgou a declaração do ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, de que foi criado 1 milhão de empregos em 2004. Comentaristas mais afoitos recordam que só faltam 9 milhões para o cumprimento da promessa da campanha do Lula. A propósito, faz-se necessário alguns reparos. Como recordar de que a imprensa divulgou, sem contestação do governo federal, que em 2003 foram extintos mais de 850 mil postos de trabalho. Embora não existem dados confiáveis de onde surgiu 1 milhão de empregos, deve ser levado em consideração o déficit de 2003. E também de incluir o contingente de pessoas que chega todo ano ao mercado de trabalho sem ser absorvido. Neste contexto, pela aritmética mais elementar, podemos concluir que estatísticas oficiais não revelam sintonia com a realidade. Podemos afirmar que o governo federal tem manipulado o desemprego com despudor e amadorismo. E ainda tem a ousadia de lançar o ''projeto pirotécnico e surrealista da auto-estima''. Quem não tiver ''vocação para japonês'' que abra os olhos!
GILBERTO ARAÚJO (estudante) - Belo Horizonte (MG)

''Eu Prometo''

A campanha política, ainda que tímida, já está nas ruas, entrando nas residências mesmo sem anuência e com total falta de credibilidade dos postulantes. ''É mais fácil um camelo passar no fundo de uma agulha a encontrar um político honesto no exercício do cargo''. Um cargo que deveria ser exercido com o objetivo de servir a população, tem sido uma via para aproveitadores de toda ordem que se servem da função para tungar os cofres públicos e zombar da cara do povo. Estamos ouvindo e vendo, a todo momento, notícias de atos que se por acaso forem revestidos de alguma legalidade, são no mínimo imorais. Somente aqui no Paraná, em Bela Vista do Paraíso, os ''ilustres edis'', candidatos a continuar usufruindo das mordomias da função, estabeleceram aumentos extraordinários para os seus próprios subsídios no decorrer da próxima legislatura, contando é claro, com a apatia e pouca ou nenhuma participação popular no dia-a-dia da vida política do País. Enquanto o brasileiro não acordar para a realidade, continuaremos sendo governados por aproveitadores, dentre os quais muitos analfabetos mas com esperteza suficiente para enxergar a ignorância política do povo e vislumbrar a certeza da possibilidade de se locupletarem com o dinheiro público. Se fossemos um povo com um mínimo de coerência e consciência política, deveríamos colocar no devido lugar estes aproveitadores, ignorá-los, colocando-os no ostracismo político.
LOURIVAL BARBOSA (estudante) -Londrina

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