CARTAS
Cotas para negros
Quando ainda na África o negro foi caçado como um animal e transportado para a América como um porco. Em terras longínquas fora vendido como gado em leilões (patrocinado pela monarquia). Trabalhando como um cavalo e tratado como um cachorro no Brasil. Em mais de 300 anos de escravidão há tantas histórias, que a própria história não é capaz de contar. Não é capaz de contar que Zumbi ainda menino (ou negrinho no senso comum pejorativo) já lia latim e organizou um quilombo, que resistiu a três investidas. Não é capaz de contar que Teresa de Benguela criou e comandou um quilombo em terras brasileiras. Não é capaz de contar que Chico Rei trabalhou em minas na província de Minas Gerais e comprou sua liberdade e de outros companheiros escravos. Não é capaz de contar que nossos heróis são melhores que esses bandeirantes que homenageiam inúmeras ruas de nosso país quase continental. Essa história que contam em livros didáticos não está presente Os Lanceiros Negros de Canabarro, as Jihad da Bahia, muito menos as explicações sobre os Voluntários da Pátria. Além de não contar tudo, não é capaz de fazer uma análise crítica de como o negro sobreviveu e saiu desse processo. Depois da abolição da escravatura, o negro que lutava pela liberdade passou a lutar para que fosse aceito na sociedade. Com a desculpa esfarrapada (aceita até hoje) que precisava de mão-de-obra especializada trouxeram os imigrantes. Em um país agrícola que vendia café e açúcar precisou de italianos, alemães e japoneses para plantar e colher porque os negros livres se tornaram incapazes. Essa idéia de que o imigrante e seus descendentes são mais eficientes que o negro, que foi a base do processo de exclusão, fez com que ele se tornasse minoria na zona rural para se tornar maioria nos grandes centros, maioria de desempregado, maioria de analfabetos e maioria nas favelas. Nesses 116 anos muita coisa mudou até a maneira de se tratar a questão racial no Brasil. Se antes éramos incapazes como seres livres, hoje somos uma questão social e econômica (nos retiraram a cor). Quando o Conselho Universitário da UEL aprovou o sistema de cotas para o vestibular de 2005 é porque conseguiu enxergar isso. Viu que a questão não é só social, é racial também. A UEL não tomou decisão demagógica como diz José Carlos da Rocha (presidente da OAB), teve sim uma atitude coragem de discutir e tentar resolver uma questão onde a maioria tenta esconder atrás de um pano chamado ''problema social e econômico
JOSÉ MENDES DE SOUSA (diretor do Conselho da Comunidade Negra) - Londrina
Menos políticos
A Legislação Eleitoral está melhorando: reduziu 8.528 cargos de vereador em todo o Brasil. Porém, precisa reduzir ainda mais já que basicamente a função de vereador é representar o povo, apontando ao prefeito as necessidades do município e fiscalizar os atos do Poder Executivo. Há necessidade também de diminuir o número de deputados estaduais e federais e de senadores. Com o enxugamento do Poder Legislativo, o dinheiro público poderá ser muito melhor aplicado em educação, saúde, segurança, lazer, etc. Com a definição dos candidatos a prefeito e vereador, cabe agora ao eleitor escolher os menos ruins sob pena de pagar caro. Parabéns ao juízes eleitorais do Paraná que estão dando exemplo e exigindo documento de escolaridade mínima e prova de conhecimento da língua portuguesa de alguns candidatos. Basta de ignorantes no poder! Não sejamos ingênuos, os candidatos estão buscando seus interesses econômicos e destaque social. Não estão pensando em resolver os problemas que afligem as pessoas, em ser útil à sociedade.
FRATERNO MARIA NUNES (aposentado) - Campo Mourão
Segurança nos cinemas
Sou uma nova moradora da cidade de Londrina (4 meses) e já gostaria de fazer uma observação/reclamação quanto a uma coisa que acho de suma importância para todos: segurança. Desde que vim de São Paulo, costumo frequentar o cinema do Shopping Catuaí e estou abismada e inconformada. Acho um absurdo o que ocorre antes de começar o filme nestas salas. Eles exibem quase dez minutos de uma propaganda do tipo de som que possuem, onde localizam-se as caixas de som e até mostram como funcionam do lado direito, esquerdo, etc., e o fundamental e o mais importante que é a segurança sequer é mencionado. Não falam nada sobre extintores de incêndio, saídas de emergência, sinalizações, brigadas de incêndio, nada. Isso, pelo que eu saiba, é obrigatório em recintos fechados onde há um número expressivo de pessoas aglomeradas. Não sei se isso depende de cada Estado, mas em São Paulo todas as salas de cinema são obrigadas a passar (com a mesma qualidade que é exibida a propaganda do som das salas de cinema do Catuaí) um filme sobre segurança das salas e comportamento do frequentador dentro das mesmas (desligar celular, higiene e em casos de incêndio o que fazer). Realmente não sei como até hoje ninguém fez nenhuma observação/crítica a esse respeito. Espero estar contribuindo ainda mais para a qualidade do Shopping Catuaí e também que providências sejam tomadas quanto a isso.
AMORITA CORRÊA RAPHAEL (coordenadora de eventos) - Londrina





