CARTAS
Escravidão no comércio
A abertura do comércio de Londrina aos sábados e domingos é bom só para os comerciantes. Estão cometendo uma injustiça com os trabalhadores. Nem todas as lojas empregam seus funcionários como vendedor, mas sim com a função de serviços gerais. Dessa forma, não pagam comissão. Boa parte dos vendedores são mulheres que têm suas famílias para cuidar. Imaginem só trabalhar aos sábados e domingos e chegar em casa morta e, ao invés de descansar, ter que fazer suas obrigações para na segunda-feira bem cedo estar lá de novo no batente. Com o que ganham mal pagam suas contas e não terão tempo para descansar, curtir a família ou sair um pouco. Se é necessário que o comércio funcione desse jeito, por que não flexibilizam também o horário dos bancos e das repartições públicas que também são de grande importância para todos? Isso não dá, é mais fácil mexer com a categoria mais fraca e ir a favor dos empresários. Isso de dizer que vai gerar empregos é hipocrisia. Os empresários sabem manobrar de forma que tudo saia da melhor forma para eles. Querem ganhar mais, mas não se pode passar por cima dos direitos dos comerciários. Afinal, eles também são consumidores e se não tiverem tempo como vão exercer o direito de consumir?
WELLINGTON DA SILVA NUNES (gerente de restaurante) - Londrina
Paciência?
O governo pratica mesmices ao tentar controlar os ânimos do brasileiro pedindo paciência. Ora, quem tem fome tem pressa, pior ainda se o indivíduo for pai de família e estiver desempregado. Talvez, os únicos sem pressa no momento são o Governo Lula e a sua equipe econômica, que de tão devagar, sem criatividade e sem um projeto de desenvolvimento nacional optaram pela continuidade de uma política econômica perversa, neoliberal, de juros altos e aumentos de impostos que espolia os trabalhadores e destrói o capital nacional. Ter paciência significa abnegação, subserviência e filiação a tudo de podre que aí está. Mas o pensamento insígnio, uno de construir um Brasil nacional-desenvolvimentista não se curva e não se dobra tão facilmente à comercialização da alma como querem os truões. Muito menos engole goela abaixo a pseusomodernidade propalada por um esquerdismo infantil que está no poder fazendo um economismo fajuta, capenga, entreguista e atrelado aos interesses financeiros e hegemônicos dos países ricos liderados pelos senhores de Washington. Por tudo isso, o Governo Lula terá o seu pedido atendido nas eleições de outubro. Porém, de um jeito um pouco diferente: a paciência será mesclada com indignação somada a uma pitada que poderá se transformar numa enxurrada de votos impacientes de pura decepção.
ANTÔNIO SÉRGIO NEVES DE AZEVEDO (engenheiro) - Curitiba
Ensino gratuito
A nota publicada ontem na coluna de Oswaldo Militão de que nenhum ex-aluno rico da UEL jamais fez qualquer doação à universidade, nos faz refletir sobre a justiça da gratuidade do ensino superior público no Brasil. O sistema mais justo é o adotado nos Estados Unidos, onde os que têm condições pagam pelo ensino superior e os que não podem pagar são beneficiados com bolsas de estudos integral. O Brasil poderia adotar sistema similar adaptado à nossa realidade. Uma alternativa seria o financiamento por instituição financeira pública com o aluno pagando após a formatura, com uma carência de um ou dois anos para que o mesmo se estabeleça em sua nova profissão. Ou então pagaria prestando serviços remunerados por um tempo determinado em regiões carentes de profissionais, como o Norte ou Nordeste. O sistema atual privilegia os de maior poder aquisitivo, que podem estudar em boas escolas privadas, em detrimento dos alunos oriundos de escolas públicas onde o sistema está sucateado. E a nota do colunista atesta mais uma vez o quanto a elite brasileira é egoísta. Utiliza-se de um sistema público gratuito e quando enriquece não retribui com doações para instituição onde estudou como é comum nos EUA.
JOSÉ EDMUNDO MOURA (bancário aposentado) - Ribeirão do Pinhal
Recuo do Governo Lula
Não sou nem de longe a favor do aumento de impostos. Como também não sou a favor de quem ganha mais ter que ganhar sempre mais. Fala-se tanto neste país que a concentração de renda talvez seja o pior dos males. E concordo! Nesse sentido, o governo federal deixou de cobrar apenas 0,6% da contribuição previdenciária das empresas. Não sou técnico em economia, mas parece que desconcentração de renda passa também pela redistribuição equitativa também dos proventos. E com meus ares religiosos, digo tudo isto imaginando sobretudo na solidariedade e partilha proposta a nós por Jesus no Evangelho de Marcos: ...partiu os pães e deu-os aos discípulos para que lhes distribuíssem... (cf. Mc 6, 39-44).
ANTÔNIO PEREIRA ANCHIETA (padre) - Jacarezinho
Quebra-molas
A prefeitura de Londrina deveria instalar um quebra-molas na Rua Albino Scotton, Jardim Bourle Marx próximo ao Buffet Ellite, devido ao trânsito intenso de automóveis em alta velocidade. Nesta rua moram diversas crianças e famílias que correm risco de acidente e atropelamento. Moro naquela via e tenho uma criança que constantemente brinca na rua. Tranqüilidade e segurança é o mínimo que exigimos de nossos governadores.
MARCELO MUZILLI (analista de sistema) - Londrina
Correção
- Diferente do que a Folha informou ontem (Folha Cidades, pág. 5), a juíza Márcia Guimarães Luz, da Vara Cível de Cambé, determinou a restituição de oito veículos apreendidos (sob suspeita de serem adulterados) pela polícia para o estudante Fernando Augusto Rodrigues Formigoni e para seu pai e procurador José Augusto Rodrigues Formigoni.





