CARTAS
'Aves de arribação'
Tomando conhecimento dos nomes dos candidatos a prefeito e vereadores em Londrina, e vendo a notícia sobre as últimas pesquisas eleitorais, lembrei-me da citação de um amigo de meu pai. No final dos anos 50, quando era eu adolescente, após a grande geada, o velho mineiro comentou com meu pai que iria embora de Londrina pois aqui é ''terra de ave de arribação''. Fiquei intrigado com esta frase. Meu pai me explicou que ''ave de arribação'' em Minas Gerais são as aves migratórias que baixam na beira dos rios na estiagem e se alimentam dos ovos das tartarugas. Depois de encher o papo, vão embora! Estas aves migratórias pousam para se alimentar e vão embora sem deixar nada, além da destruição. Costumam ser vítimas dos caçadores emboscados que atiram em algumas delas, mas não se alimentam delas, pois estas aves (tipo andorinhas ou corvos) nem carne boa têm. Na época achei este juízo um absurdo. Com o tempo, e após o êxodo rural dos anos 70, pude verificar que o velho mineiro, na sua percepção, tinha uma grande dose de razão. Tivemos uma curta época onde grandes nomes se destacaram nesta cidade, como os prefeitos Miltom Menezes, José Hosken de Novaes e até o José Richa. Contudo, a onda migratória dominou o cenário, aproveitando-se das tartarugas locais e encheram seus papos. Surgiram alguns caçadores esporádicos, mas o bando é mais numeroso que seus tiros. O que restou? Após um período de caos administrativo, surge ''um valente'' para consertar tudo, e voltam as aves de arribação. E o ciclo se repete... A cidade estagnou, as lideranças de alto nível se encolheram (sumiram?) e o espaço foi ocupado por anticristos e seus seguidores oportunistas. Até quando nossa juventude vai suportar dar alimento a estas aves migratórias sem interesse outro que encher seus papos? Está aberto o debate. Reage Londrina!
LUIZ ANTÔNIO FELIX (professor aposentado) - Londrina
Lula e impostos
É para isso que serve parte da avalanche de impostos, aumentada ainda mais pelo Governo Lula: para campanhas publicitárias. Pagamos caro por impostos que, cada vez mais, contribuem para que o governo eleito nunca cumpra sua promessa de criar 10 milhões de empregos. O dinheiro arrecadado, além de enriquecer banqueiros, serve para enriquecer os meios de comunicação com propaganda visando convencer o povo que o Brasil é bom, justo, está crescendo e tem bons governantes. Tudo isso baseado em meias-verdades e verdadezinhas oriundas de pequeníssimas conquistas sociais e governamentais transformadas em superlativos e grandes avanços que melhoram a vida dos trabalhadores. Ou seja, pagamos imposto para que sejamos enganados, tenhamos nossa inteligência humilhada e agredida por campanhas patéticas e continuamos a ter nosso bom-senso enxovalhado.
TÚLIO SIMÕES MARTINS PADILHA (estudante) - Londrina
Lula: só discurso
O presidente Lula é mesmo um tremendo cara de pau, lobo em pele de cordeiro. Pensa que foi eleito só para fazer discurso e criar impostos. Diz que não tem caixa para pagar a correção do salário dos aposentados, mas tem dinheiro para comprar avião de 172 milhões de reais. Mais uma vez ele quer aumentar a carga tributária das empresas fazendo com que diminua as contratações e aumente o emprego informal.
SÉRGIO TORETO (escriturário) - Goioerê
Justiça para poucos
Dias atrás li na Folha que teria havido um empurrãozinho no concurso para magistrado no Paraná (só passa com sobrenome famoso). Isto, aliás, não é novidade para quem é um pouco esclarecido num país de justiça só para ricos. Na edição de ontem, li que um fazendeiro está indo embora do Brasil por falta de justiça para fazer valer a reintegração de posse de suas terras invadidas pela décima vez pelos sem-terra. Já sei, não é amigo de governador ou político influente, se fosse teria a fazenda desocupada sem ordem judicial.
AMANDIO GEHLEN (engenheiro agrônomo) - Pato Branco
Monsanto esclarece
Com relação à matéria ''Greenpeace alerta para misturas da soja'', publicada na edição de 19 de julho, da Folha de Londrina, gostaríamos de esclarecer que a soja geneticamente modificada não contamina outras lavouras convencionais. Ela é uma espécie predominantemente autopolinizável, o que praticamente inviabiliza a possibilidade de cruzamento com outras plantas de soja ou de qualquer outra espécie. Os agricultores lidam com plantas daninhas resistentes a herbicidas desde os anos 50 e sabem como tratar essa questão fazendo rotação não só de culturas, mas também dos produtos utilizados em suas lavouras. A resistência de plantas daninhas a herbicidas é um fenômeno esperado e completamente controlado pelos agricultores. Isso acontece por causa de vários fatores, como a maneira utilizada para aplicar o produto, a quantidade de herbicida utilizado, o número de aplicações, uso de outros produtos, combinados ou não, além das próprias características biológicas das plantas daninhas e as práticas agrícolas utilizadas pelos agricultores. A Monsanto tem uma equipe de profissionais qualificados que pode orientar os agricultores sobre a forma correta de utilizar seus produtos. O glifosato, presente no mercado há 30 anos, é um dos principais, mais seguros e eficientes herbicidas usados pelos produtores para controlar as plantas daninhas das lavouras. De acordo com a classificação toxicológica de herbicidas estabelecida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão ligado ao Ministério da Saúde, a quem cabe avaliar e classificar os agrotóxicos, as versões registradas de Roundup encontram-se nos patamares mais baixos quando comparadas aos demais produtos existentes - fato que se repete também nos Estados Unidos.
LÚCIO MOCSÁNYI (diretor de Comunicação da Monsanto) - São Paulo





