CARTAS
Praça Nishinomya
Desde 1997 escrevo matérias neste espaço sobre a Praça Nishinomya. Em virtude da derrubada da praça Bartolomeu de Gusmão, que ficava em frente do Aeroporto de Londrina, e foi incorporada à área da Infraero para dar lugar a um estacionamento que a comunidade espera por ''melhorias prometidas''. Na ocasião, disse o arquiteto Humberto Marques de Carvalho: ''Existe um anteprojeto de uma nova praça reaproveitando toda a estrutura da antiga''. Afirmou que o terreno ao lado da Praça Nishinomya iria passar por um processo de urbanização, nova arborização, bancos, espaços para descanso e um campo de futebol. A pista de cooper que circunda a Nishinomya iria ser prolongada, unindo as praças. Daí, então, o que se presenciou foi a construção de um campo de futebol, cercado por alambrado, e que somente podem adentrar ao campo pessoas autorizadas, não sendo aberto à comunidade. Pergunta-se: a praça não é pública? Como o município autorizou a construção de um campo e as pessoas que quiserem fazer uso têm que solicitar autorização? A Infraero possui os recursos necessários desde 2001 para executar as obras e tem interesse em executá-las e que também, se demorar muito, existe a possibilidade da Infraero utilizar o recurso em outros projetos. O problema é que há um impasse com relação ao campo de futebol. De um lado a Infraero só executa as obras se o campo sair do local onde está, de outro lado, os frequentadores do campo não abrem mão do mesmo. E agora? A Infraero encaminhou ao arquiteto Humberto Marques de Carvalho um projeto com a mudança da posição do campo de futebol para solucionar o problema. Há muito tempo que a comunidade espera pelas benfeitorias devido à grande presença de pessoas que frequentam a praça.
CARLOS ALBERTO SIQUEIRA (funcionário público municipal) -Londrina
Preços altos
Não são os juros que assustam nesse país, mas sim o preços oligopolizados. Setores de energia, telefone, transportes foram privatizados e, no entanto, subiram muito além da inflação média dentro do Plano Real: telefones 611%, transporte de ônibus 692%, contra inflação média do período 171%. Gostaria de saber sobre outras mercadorias como o cimento e o aço (usados na construção civil), e do arroz, feijão, milho, soja, frango, carne bovina, macarrão, farinha de trigo, óleo vegetal. Os índices que medem a inflação são múltiplos, e muitas vezes nos perdemos no meio deles. Parece que a coisa é feita para despistar a atenção do consumidor. Precisamos ajudar o país. Precisamos chegar logo à condição de primeiro mundo. Será que é difícil ser um país como a Noruega que, com 4,5 milhões de habitantes, tem o melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)?
ANTÔNIO PEREIRA (contador) - Londrina
O que o eleitor quer?
Após registrados e lançados os candidatos aos cargos eletivos para eleições 2004, um fato chama atenção e que se diferencia das eleições anteriores: o ''ritmo da propaganda eleitoral'', que em outras épocas já estava a todo vapor em nossa região, hoje se encontra cautelosa. Seria a falta de dinheiro? Também, mas não somente isto. O que se percebe é que os candidatos estão começando a ter a consciência daquilo que o eleitor quer e espera. O eleitorado quer ouvir propostas e não músicas ensurdecedoras em frente à sua casa, quer políticos que passam confiança e visão e não aqueles que vêm embalados num belo papel de mocinho, querem campanhas limpas e abertas e não campanhas de ataques quase terroristas sem nenhuma conexão. O eleitorado de hoje tem visão e valoriza muito mais o seu poder de voto e decisão. Somente assim a maioria dos municípios vai eleger seus melhores candidatos e o termo eleição não será encarado como um mercado livre, mas sim como um processo democrático com muita seriedade.
FRANCISCO ANTONIO BONI (advogado) - Santa Cruz de Monte Castelo (PR)
Educação x cotas
Outro dia li neste espaço um professor argumentar contra a implantação de cotas para negros. Anteontem, foi a vez de um estudante também escrever os seus argumentos contra o que ele chama de ''ações tapa-buracos''. Ninguém discorda da necessidade de maiores investimentos na educação, na melhoria do ensino público. Mas o que temos que ter em mente é que os resultados desses investimentos levarão tempo para aparecer. A mobilização social para inserção de negros e pobres e diminuição da desigualdade social está tentando acontecer, mas barreiras são colocadas para que isso seja bloqueado e depoimentos contra essa tentativa encontramos em cada esquina. Concordo plenamente com o estudante Vinícius do Prado quando ele diz que os professores são elementos importantíssimos na disseminação do fim ao preconceito e na diminuição da desigualdade, mas infelizmente alguns professores estão dentro daquilo que chamamos de aceitação e continuação do já existente. Fazem parte da massa e passam isso para os seus alunos, a continuação do preconceito e da exclusão, do pensamento da exclusividade. Quando ouvimos uma pessoa dizer que é contra vagas exclusivas para negros, ouço ela dizer: sou contra a possibilidade de negros e pobres entrarem numa universidade pública. Capacidade independe de raça assim como oportunidades devem ser dadas a todos. Dizem que a criação de cotas para negros abrirá precedentes para que outras classes ou camadas reivindiquem o mesmo. Será que uma pessoa dizer isso não é sinal de preconceito? Quais seriam essas classes, essas camadas? Pobres? Índios ? Sem-terra? Sim, todos aqueles que são excluídos, todos aqueles que não fazem parte da burguesia e daqueles que querem e necessitam perpetuar a sua ideologia.
JOSIANE RODRIGUES (assistente financeiro) - Londrina





