CARTAS
Tempo de eleição
Finalmente chegou o período em que todos nós (eleitores) teremos a oportunidade de ver desfilar diante dos nossos olhos os perfis das pessoas mais solidárias, sérias, abnegadas e comprometidas com o progresso da nossa cidade e o bem-estar da nossa gente. Ah, as eleições... Este é um momento mágico. Um momento em que homens e mulheres, interessados no povo, pelo povo e com o povo, não se importam em exibir, por exemplo, no momento em que registram as suas candidaturas, a sua vida fiscal. Pelas declarações feitas à Justiça Eleitoral percebe-se o quanto essas pessoas são transparentes, aliás, uma das primordiais qualidades de um político. Declararam que detêm patrimônio nos valores de R$ 864 mil, R$ 703,3 mil, R$ 200,5 mil, 150,6 mil, R$ 17,5 mil. Outros, talvez porque tenham menos, ficaram constrangidos em exibir o pouco de que dispõem. São modestos, outro grande diferencial na hora de os escolhermos nas urnas. Ah, se não fossem as eleições... O poeta Gregório de Matos Guerra escreveu a respeito da Bahia do seu tempo (século XVIII) alguns versos que traduzem, com precisão, esse momento eleitoral: ''Que falta nesta cidade? .... Verdade. Que mais por sua desonra? ...... Honra. Falta mais que se lhe ponha? ...... Vergonha''.
MARIA DE LOURDES PAIVA SIMON (professora) - Londrina
Educação x cotas
A implantação de cotas para negros, afrodescendentes e estudantes de escolas públicas no vestibular da Universidade Estadual de Londrina está gerando uma enorme divergência de opiniões. Querer consertar, com uma medida divergente e duvidosa, um fato histórico que remete à época da colonização é muita ingenuidade ou pura pretensão política. O Brasil já está cheio de ações deste tipo consideradas como ''tapa-buracos'' e que não têm eficácia garantida e na maioria das vezes geram manifestações adversas e acabam falhando, propiciando o aparecimento de mais problemas. Com certeza, a inserção dos negros e alunos de escolas públicas nas universidades é importante, mas do jeito que vem sendo tratada esta questão só se nota o aumento da discriminação. Sem dúvida nenhuma deve haver uma ação política e, principalmente, uma mobilização social para diminuir esse abismo existente entre as classes sociais que reflete diretamente no quadro sócio-econômico dos candidatos aprovados no vestibular. A solução deste problema e de muitos outros, somente se dará através de maior investimento na educação e de uma boa base educacional, e propiciará que qualquer indivíduo tenha condições de desenvolver seu potencial e esteja apto a exercer sua cidadania, conduzindo assim o país a uma situação de expansão tanto econômica como social e cultural. A questão dos professores também entra nesse contexto pois são eles que participam ativamente na formação da consciência e do pensamento crítico dos jovens. A palavra de ordem é educação e capacitação. Não sou a favor da criação de vagas exclusivas para determinada grupo, até mesmo porque isto abre precedente para que futuramente outras classes ou camadas reivindiquem o mesmo, ocasionando uma confusão geral entre os que realmente precisam e os que querem apenas se aproveitar.
VINÍCIUS DO PRADO DIAS COUTO (estudante) - Cornélio Procópio
Redução de políticos
Até que enfim, tivemos algo de positivo em relação aos nossos políticos. Em que pese a ''chiadeira'' de alguns, a redução de vereadores foi uma boa notícia. Tomara que prevaleça por mais tempo ou mesmo se torne definitiva, o que duvido muito. Agora, resta fazer algum movimento no sentido de reduzir o número dos demais políticos não atuantes no Congresso e nas Assembléias espalhadas pelo País. A meu ver, deveria ser reduzido na seguinte proporção: deputados estaduais, redução de dois terços e o que sobrasse, se não trabalhassem como todos os demais mortais, também seriam cortados; deputados federais: pela metade, valendo o mesmo para os senadores e aqueles que não cumprissem o expediente seriam sumariamente cortados. Já pensaram na economia que o país teria? Salários, gratificações, notebooks, etc. Na ponta do lápis verão que só com essa economia daria para dar um salário mínimo mais condizente com a necessidade do povo brasileiro e não teríamos a desculpa de quebra da Previdência. A propósito, o maior devedor da Previdência é o próprio governo. Alguém tem conhecimento do recolhimento que ele (governo) arrecada dos seus funcionários? Se o que arrecada (11%) do salário de cada funcionário, não recolhe, então o rombo não é do salário mínimo, mas, do próprio governo.
EDMILSON ASSIS DOS REIS (aposentado) - Londrina
Touradas
Com relação à carta do estudante Devalcir José Tiroli, aficcionado da tauromaquia, publicada ontem na Folha, me coloquei a pensar: será que ele faz parte da última estatística dos estudantes que não conseguem ler e interpretar corretamente um pequeno texto? Será que ele sabe o que significa cultura? Digo isto porque ele misturou touros com abortos de crianças, etc. Sei que de um jeito ou de outro estes animais precisam morrer para servir de alimento para o homem. Mas como pode alguém ser a favor de torturá-los com dardos, colocar fogo nos chifres, feri-los com espadas, furar os olhos para que possam sentir muita dor e reagirem de forma agressiva, destes seres que além de tudo nos servem? Talvez ele ache que os animais não têm sentimentos e não sintam dor. A tourada agrava o estado dos neuróticos atraídos por estes ''espetáculos''. Desnaturaliza a relação entre o homem e o animal, afronta a moral, a educação, a ciência e a cultura.'' Será que ele gostaria de fazer o papel do touro?
SÉRGIO TORETO (escriturário) - Goioerê





