Lula e decepção

Não há mais como protelar, o Governo de Lula está uma decepção. Até eu que estava pedindo um pouco mais de paciência, acreditando que os resultados viriam, não acredito mais. Os resultados, aliás, estão vindo: para os empresários, banqueiros, empreiteiros e outros abastados mais. Mas o povão que votou nele só está recebendo chumbo grosso do governo, com reajustes salariais ridículos e aumento do custo de vida de forma descarada, o que só faz aumentar a já inchada concentração de renda e riqueza no País. O atendimento público está em estado caótico, basta ver as longas filas no INSS e Saúde, dentre outras, levando o povo menos favorecido maioria esmagadora da população a uma condição de vida indigna e miserável. Com uma agenda vazia e uma equipe de governo inerte, formada em sua maioria por companheiros de partido, o presidente está decepcionando seus eleitores, para, ironicamente, agradar e favorecer justamente àqueles que sempre o desprezaram e que jamais votaram ou votariam nele. Falta coragem ao presidente para realizar ao menos um pouquinho daquilo que em sua consciência ele sabe que deve ser feito e parar de ficar apresentando resultados inexistentes. A arte de governar pode ser a arte da paciência, só que a paciência do povo já estourou, porque miséria e servidão não dá para tolerar.

HABIB SAGUIAH NETO (bancário aposentado) - Marataízes (ES)



Representantes do quê?

Desde sempre, tentam nos passar a idéia de que vereadores, deputados e senadores são nossos representantes. Face à impossibilidade de que possamos exercer diretamente nossos interesses junto ao poder público, delegamos poderes para que os escolhidos possam exercê-lo com responsabilidade e diligência. Todavia, uma vez eleitos, os escolhidos viram as costas para seus eleitores e dão uma banana para os mesmos. Alguns chegam a ter a cara de pau de afirmar, ao ser questionados quanto a sua atuação, que compraram o mandato e têm o direito de fazer o que melhor for conveniente para os seus interesses. Talvez, passe por aí a explicação do fato de termos uma Câmara de Vereadores em Londrina preocupada em construir anexos para acomodar o aumento do número de assessores, da gastança com veículos oficiais para a presidência do Legislativo, da implantação de painel eletrônico, para que sua excelência o vereador Orlando Bonilha possa contar o número de votos dos seus pares, por ocasião das votações. O Legislativo Estadual no Governo Jaime Lerner, aprovou sem objeção a privatização das nossas rodovias. Foram tão incompetentes que não conseguiram enxergar e barrar a armadilha contida neste contrato de concessão, que esfola o povo paranaense, por conta de um poder judiciário elitista, incapaz de diferenciar interesse público e privado e de um governador astuto, que mesmo na condição de operador do direito, conhecedor dos meandros da nossa justiça, prometeu em sua campanha que se eleito fosse como realmente o foi, no dia seguinte, o pedágio iria baixar ou correria o risco de ser extinto. E nós que acreditamos votamos nele mais uma vez e na maioria daqueles incompetentes ou mal-intencionados deputados da era Lerner.

LOURIVAL BARBOSA (estudante) - Londrina




Sistema de cotas

No último debate sobre o sistema de cotas para afro-descendentes e estudantes de escolas públicas, promovido pela UEL, tive a oportunidade de apreciar os argumentos contrários à implantação deste programa. É notório, para qualquer pessoa dotada de capacidade de raciocínio, que se não podemos admitir diferenças de ordem socioeconômica em função da preservação da igualdade formal do direito, também não podemos admitir supostas diferenças cognitivas, sustentadas pela ignorância e preconceito para violar a mesma igualdade formal. Se as pessoas que se apresentam como defensoras da Constituição fossem coerentes, deveriam chegar a um questionamenlo radical da carência de vagas para todos os pretendentes do ensino superior público. Infelizmente, não é este o resultado a que chegam. Ser contrário ao programa de cotas é aceitável desde de que não se queira dar roupagem de constitucionalidade a interesses de classes. Também não fomos informados pelos ''defensores da Constituição'' qual fundamento cognitivo que os faz crer que alunos da rede pública teriam bom desempenho em cursos poucos concorridos, como tem acontecido, e mau desempenho em cursos mais concorridos. Estas pessoas não nos apresentam nenhum dado que ampare suas conjecturas a respeito da diferenciação que insinuam existir entre os diversos cursos e as pessoas que os integram. É interessante como a nossa ''democracia racial'' inunda-se de solidariedade cínica para com nossos irmãos negros apenas às vésperas de repartirmos com estes um pouco de nossos estreitos direitos concretos. Por fim, é preocupante o fato de representantes de instituição de grande relevância estarem assumindo em um debate público um posicionamento desinformado e ingênuo a respeito do assunto. Ingenuidade que conduz a posicionamento preconceituoso e abertamente classista e ideológico.

MARCOS ROGÉRIO AGOSTINI (professor) - Londrina



Poderes constituídos

Como fica a nossa situação e os nossos direitos como cidadãos, enquanto o Congresso Nacional e o Poder Executivo sob intrigas e futricas decidem sobre os nossos destinos? Os projetos de lei e as medidas provisórias são ou não aprovadas conforme o estado de humor daquelas casas, e não segundo o interesse da Nação. Às vezes, para demonstrar força entre uma facção e outra, aprova-se ou desaprova determinados projetos. O que predomina mesmo é a vaidade e o poder de mando de alguns que querem a todo custo estar em evidência. Pouco importa se aquele projeto vai ou não prejudicar alguém. Por isso, é indispensável que o Poder Judiciário, quando acionado, diga com toda isenção se determinada matéria é ou não constitucional. É assim que funciona o Estado democrático de direito, e cabe ao povo brasileiro fortalecer o seu judiciário.

ANTÔNIO PEREIRA (contador) - Londrina

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