Flanelinhas

Gostaria de manifestar minha indignação em relação ao projeto que pretende regulamentar a atividade dos chamados ''flanelinhas''. Junto minha voz à do engenheiro Lauro Okoyama, cuja opinião foi publicada na Folha em 24/6, e às de tantas pessoas contrárias a essa iniciativa. Não podemos aceitar que comportamentos incompatíveis ao ideal de uma sociedade civilizada sejam ''legalizados'' sob a pseudo-justificativa de ''caráter social''. Essas verdadeiras gangues organizadas atuam nos mais diversos locais onde eventos culturais, esportivos ou sociais são realizados. Humilham, estorquem e ameaçam as pessoas. Não são pobres desamparados. São marmanjos que muito frequentemente exibem sua truculência contra os que ousam negar-lhes o exigido. Quero ter o direito de estacionar meu carro nas ruas de Londrina sem constrangimento ou insegurança. Quero que as instituições responsáveis pela preservação dos direitos e da segurança dos cidadãos executem sua tarefa pela qual recolhemos impostos e taxas. Quero que os senhores vereadores trabalhem a favor e não contra aqueles que vivem dentro da lei.

NEUSA MARIA PASCHOAL LOPES (professora) - Londrina


'Fogão argentino'

Nesta semana, um fato colocou em alerta a economia e poder de fogo brasileiro. A retaliação à importação de eletrodomésticos pela Argentina nos fez sentir pequenos, e colocar em dúvida não nosso poder de crescimento, mas sim o nosso poder de diplomacia ou traduzindo em palavras populares: o respeito dos outros países ao Brasil. Logo a Argentina, que poucos meses atrás, passou por uma crise profunda e que dependeu em muito do Brasil para ganhar fôlego e ressuscitar, agora nos apunhala pelas costas e, pior, sem medo de retaliações. Tal acontecimento tem seu fator positivo, pois deve levar nossos governantes ao pensamento que não basta crescer produção e exportação, é preciso também crescer o poder de comando, ou seja a diplomacia. Traduzindo: fazer com que os outros sintam ''medo'' de tomar atitudes banais contra nossa Nação. Se os eletros fossem produzidos nos EUA não haveria o embargo.

FRANCISCO ANTONIO BONI (advogado) - Santa Cruz de Monte Castelo (PR)


Votos (in)dignos

Quando os interesses venais se sobrepõem ao ideal dos espíritos cultos que constituem a alma de uma nação, o sentimento nacional degenera e se corrompe: a pátria é explorada como uma indústria. Quando as misérias morais assolam um país, um estado, uma cidade, a culpa é de todos os que, por ignorância, por falta de um ideal, não souberam amá-lo como pátria: é culpa de todos os que viveram dela sem trabalhar por ela. Pesquisa realizada em metrópole brasileira demonstrou que 31% das pessoas em torno de 16 anos e 11% em torno de 55 anos de idade venderiam seus votos por cerca de R$ 200 (radio CBN- 8/11/2003), historicamente prática comum no Brasil. Negar é desnecessário. Isto espelha a mediocridade cultural de importante fatia da população brasileira, vítimas diretas da incompetência de governos que não proporcionaram condições dignas de aprendizado cultural, moral e cívico à população, principalmente aos mais carentes. É uma demonstração de perda de auto-estima, uma vez que ao vender o seu voto o cidadão não está se importando com a moral e com o caráter dos que governam e conduzem o seu futuro. É uma lástima sem medida para o país. Ainda pior são aqueles que, mesmo podendo, abstêm-se de votar, não se importando com a história da vida dos candidatos e com seu próprio futuro. Já profetizava o poeta Dante Alighieri: ''O lugar mais quente do inferno está reservado àqueles que, em época de crise moral, mantêm sua neutralidade''.

ANTÔNIO DA COSTA FUNFAS NETO (médico) - Londrina


Programa de partidos

Fiquei surpreso e, ao mesmo tempo, satisfeito com a resposta do senhor Severo de Rudim Canziani Filho na edição de quinta-feira da Folha. Tomara que o sr. Severo esteja certo. Só assim iremos mudar o modo de fazer política. Só lamento que o programa do seu partido esteja atrasado pois, a meu ver, já deveria estar pronto. Lamento não ter tomado conhecimento, pois teria emprestado minhas modestas sugestões ao PTB. Vamos aguardar. Em todo caso, dou parabéns ao PTB e, é claro, ao sr. Severo.

EDMILSON ASSIS DOS REIS (aposentado) - Londrina


'Gigantes do Sol'

Assaí, cidade do ''Sol Nascente'', testemunhou no último dia 24 de junho um dos momentos mais dignos de seu povo: o lançamento do projeto ''Gigantes do Sol'', uma aliança implacável entre sociedade e poder público na busca de instrumentos capazes de construir a cidadania plena de crianças e adolescentes que vivem à margem da sociedade, sem ao menos sonhar com a possibilidade de uma vida melhor. Gigantes do Sol, dentro de uma forma simples e prática, quer reforçar valores sociais e individuais, associar idéias, considerando experiências produtivas e sócio-educativas, não como um fim em si, mas como meio de conquista da auto-estima, que desperta no adolescente o gigante que pode estar adormecido em seu interior. Tais experiências transcendem a si próprias, na medida em que desenvolvem aptidões e habilidades aliadas à associação de idéias, que visualiza de forma concreta, trajetórias de figuras bem-sucedidas que conseguiram transpor barreiras e limitações. Por que gigante? Gigante quer dizer o grande homem, o invencível, o inabalável, cujo tamanho inibe os obstáculos e cuja altivez vence o inimigo. Alicerçadas nesta meta é que nossas crianças vão se tornar, com a ajuda de todos, gigantes do Sol. Desta forma, superarão limitações caminhando na contramão das estatísticas lamentáveis. Voluntários, empresários locais e funcionários públicos, em uma atitude gigantesca, integraram-se em uma ação concreta, despindo-se de qualquer vaidade, em favor de uma causa nobre.

MÁRIO SATO (prefeito) - Assaí

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