CARTAS
Jovens desempregados
Dados do IBGE de 2001 constataram que mais de 45% dos desempregados do País constitui-se de jovens. Dados analíticos comprovaram que 3 milhões de desocupados e mais de 4 milhões de jovens que não trabalham e não procuram trabalho está na faixa etária de 16 a 24 anos. Esses dados explicam por que aproximadamente 2/3 da população carcerária é constituída por jovens, pois não havendo perspectivas de educação e trabalho, muitos acabam seguindo o caminho da marginalidade e da violência. É impossível continuar a viver com esse quadro de exclusão social, justamente da parcela que representa o que há de mais promissor para o futuro de uma nação. O eixo imprescindível de atuação para reverter esse quadro é, sem dúvida, a educação. Comumente associamos a dificuldade de inserção no mercado de trabalho à falta de qualificação. E isso é real, embora não se possa amenizar o problema do desemprego a essa constatação, nem imaginar que a qualificação, por si só, resolverá as dificuldades da sociedade e com isto gerar mais empregos.
Acredito que a qualificação profissional deve ser balizada por uma concepção de formação humana, que desenvolva as múltiplas dimensões do ser humano, já que não bastam mais os ''bons executores de tarefas'' para responder aos desafios do mundo do trabalho. Nesta perspectiva, a qualificação tem que fornecer elementos técnicos, científicos, políticos, de relacionamento e de adaptação a mudanças cada vez mais velozes. Não é possível, portanto, pensar a qualificação sem a integração com a educação básica, buscando a elevação da escolaridade dos jovens, que ainda hoje se expressa em índices alarmantemente baixos.
ANTONIO CARLOS DE MELO (comerciante) - Porecatu
Trânsito violento
As estatísticas apontam que a maior causa de acidentes no trânsito é o excesso de velocidade, mas será que o fato dos motoristas não respeitarem estes limites não está na natureza humana e nos valores da sociedade? É fato que a humanidade, especialmente os homens, é apaixonada por carros. Isto pode ser observado nas manhãs de domingo quando muitos acordam cedo para ver a Fórmula 1, nas ruas onde vemos carros rebaixados e insulfilmados muitas vezes infringindo leis, nos rachas ilegais que são grande causa de acidentes entre outros exemplos que demonstram esta paixão pelos veículos automotores. Alguns podem alegar que este amor ao automobilismo não justifica o excesso de velocidade nas ruas, a imprudência de certas manobras e a irresponsabilidade ao volante. Concordo com os que escrevem a este jornal pedindo maior punição a estes motoristas, mas a questão é que esta mentalidade está implícita na sociedade de tal forma que seria muito mais fácil que estas pessoas extravasassem seus instintos e se tornassem Schumachers e Rubinhos em lugares adequados ao invés de mudar a natureza humana. Não seria plausível então abrir o autódromo para que o público pudesse das algumas voltas e sentir a emoção da velocidade em um lugar próprio e ao mesmo tempo punir mais severamente quem o faz nas ruas? É mais fácil permitir que as pessoas que gostam do automobilismo o pratiquem em um local seguro do que mudar esse amor automobilístico.
RAFAEL SAMPAIO A. NUNES (estudante) - Londrina
Direitos humanos
Diante do assustador aumento da violência no nosso meio, as pessoas de bem, não estão imunes ao sofrimento das consequências de um ou mais atos violento. Em Londrina o número de assassinatos, roubos, acidentes de trânsito e outros delitos, tem aumentado assustadoramente e as pessoas parecem se conformar com este estado de coisas, a sensibilidade parece que a cada dia fica menor diante da violência. Ainda hoje, apesar de toda esta problemática, fala-se bastante em direitos humanos, direitos estes de criminosos, alguns demagogos vão para a imprensa fazer estardalhaços por conta de alguma denúncia de suposta violência a ''direitos'' de criminosos. Diante disto cabe a nós cidadãos cumpridores dos nossos deveres para com o Estado perguntar aos defensores dos direitos humanos: Onde estão os direitos de tantas pessoas assassinadas somente neste ano em Londrina? Onde estão os direitos humanos das famílias do agennte penitenciário, Luiz Vanderlei Bozo, que foi assassinado covardemente supostamente por vingança, por conta da função que desempenhava? Com a palavra, os Centros de Direitos Humanos em especial o de Londrina, onde tantos direitos são violados. E os direitos humanos da família do trabalhador Luiz Vanderlei Bozo, que foi assassinado covardemente aos olhos da esposa e da filha quando estava trabalhando no seu momento de folga para complementar o mísero salário que recebe para exercer a função de agente de reclusão. Com a palavra o Centro de Direitos Humanos.
LOURIVAL BARBOSA (estudante) -Londrina
Selo social
Alheio ao que acontece no País, o presidente Lula viaja pelo mundo e conclama os estadistas a se juntarem à luta contra a pobreza. No Brasil, a ECT atua na contramão do social e de seu discurso humanitário. Desde que o presidente Itamar Franco criou a carta social com o selo de um centavo, detentos de presídios e delegacias de todo o país costumavam pedir aos seus visitantes os tais selos, seu único meio de comunicação com a família e com o mundo exterior. Mas, em 2003, os Correios recolheram o selo oferecendo a alternativa da máquina de franquia das agências que o detento não pode frequentar porque está preso. Passou-se um ano e o selo de um centavo está voltando às agências, mas uma circular da diretoria de Brasília impede a venda de mais de 5 unidades para cada usuário. Do decreto de Itamar às restrições impostas por Lula, define-se uma clara trajetória de retrocesso social.
PAOLO MARANCA (pintor) - São Paulo





