CARTAS
Rua sem nome
Assistindo ao Jornal Nacional esta semana, fiquei sabendo que o Senado (no cochilo) deixou passar a decisão do STE de cortar em mais de 8.500 cargos de vereadores em todo o Brasil. Fiquei muito triste com a notícia e quase fui às lágrimas. Estava tão esperançoso que essa classe tão laboriosa, logo iria dar nome na rua onde moro há muito tempo. Tem vez que nem sei onde estou morando, por aí se vê como é importante o trabalho dos vereadores que colocam o nome nas ruas da cidade. Moro na Rua Projetada, s/n. Alguém imagina onde fica isso? Queria que um vereador colocasse um nome na minha rua. Poderia ser: Rua Nassib Jabur, nome do meu amigo que foi rejeitado pelo pessoal rico da Palhano. Por falta de um nome na rua, até hoje não consigo receber o meu carnê do IPTU da prefeitura que pago com muita satisfação. Muita gente está achando que vereador só serve para colocar nome de ruas. Lógico que não é só isso. Eles também dão título de cidadão honorário (parafraseando o estudante Giancarlo Lopes Brandão Folha de 30/6 ''posam junto aos homenageados com cabelo bem cortado alguns até com topete parecendo artista de cinema, beirando o ridículo''). O presidente da OAB, Roberto Busato, concorda com a redução de vereadores e disse que o País precisa de mais médicos, enfermeiros, dentistas, etc. Com a economia dos R$ 500 milhões com o corte de mais de 8.500 vereadores pelo Brasil afora, mais os ''aspones'', imagine quantos profissionais na área da saúde poderiam ser contratados para melhorar o atendimento no SUS?
UKIO MITUGUI (aposentado) - Londrina
Aborto
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, de permitir a interrupção da gravidez em fetos anencefálicos (sem cérebro) foi uma grande vitória àqueles que são favoráveis ao aborto em qualquer hipótese. Um câncer começa com um defeito numa pequena célula e, creio que, a mudança na legislação também começa com uma ''pequena'' concessão como esta. Não obstante o respeito que tenho pelo ministro, acredito que com a decisão de tentar aliviar as dores dos familiares autorizou matar mais rápido aquele que já tinha uma sentença de morte. É uma pena que a ciência seja o limite para o homem. Os que pensam assim desconsideram qualquer possibilidade de milagres, como se estes assim como a morte dos anencefálicos nunca tivessem ocorrido. A Constituição Federal garante o direito à vida e não à possibilidade de vida. O feto estava vivo, poderia nascer com vida e assim durar enquanto a natureza ou Deus permitisse. Adiantar a morte daquele que já está ''condenado'' é um ato mais cruel do que a própria morte, pois contra esta restaria uma esperança ainda que milagrosa. Contra aquela, nada mais que a morte. Espero que esta decisão possa ser revertida, do contrário, estaríamos dando ensejo à eutanásia sob o mesmo argumento: aliviar a dor dos parentes e de quem está sofrendo por não ter ''esperança'' de vida.
CARLOS AUGUSTO COSTA (advogado) - Londrina
Aumento do pedágio
É engraçado como nossos políticos fazem promessas vãs. Lembro-me muito bem do mote do governador Roberto Requião: ''Ou o pedágio abaixa ou acaba''. Com isso, foi eleito, pois os eleitores acreditaram piamente que sua palavra seria cumprida. A realidade é que o pedágio aumentou e ainda foi criada (por sua aquiescência), mais uma praça de pedágio. O desembargador que autorizou o aumento deveria ter atentado para o fato de ser o contrato firmado esdrúxulo, pois não existe rodovia alternativa e as poucas que existiam foram encampadas pelas concessionárias, como se elas fossem as verdadeiras donas das estradas. O mais interessante ainda é o fato de não terem sido consultados aqueles que no final das contas acabam pagando a conta: os contribuintes. O pedágio deveria funcionar da seguinte forma: a empresa constrói uma rodovia e depois desta pronta, elabora um contrato com o governo e a explora por um período suficiente para ter seu capital ressarcido. No Paraná, nenhuma das concessionárias construiu qualquer estrada. Já encontraram todas prontinhas. O Paraná era um dos poucos Estados da União que possuía estradas bem-feitas e dignas de tráfego. Também é o Paraná, ou o Brasil, o único lugar onde pedágio é obrigatório e não existe estrada alternativa. Não sou contra o pedágio, sou contra o preço abusivo que eles cobram por uma coisa que não fizeram. Então, se o pedágio é obrigatório e está neste verdadeiro assalto ao bolso do contribuinte, então para que cobrar o IPVA?
EDMILSON ASSIS DOS REIS (aposentado) - Londrina
Jovens desempregados
Dados do IBGE de 2001 constataram que mais de 45% dos desempregados do País constitui-se de jovens. Dados analíticos comprovaram que 3 milhões de desocupados e mais de 4 milhões de jovens que não trabalham e não procuram trabalho está na faixa etária de 16 a 24 anos. Esses dados explicam por que aproximadamente 2/3 da população carcerária é constituída por jovens, pois não havendo perspectivas de educação e trabalho, muitos acabam seguindo o caminho da marginalidade e da violência. É impossível continuar a viver com esse quadro de exclusão social, justamente da parcela que representa o que há de mais promissor para o futuro de uma nação. O eixo imprescindível de atuação para reverter esse quadro é, sem dúvida, a educação. Comumente associamos a dificuldade de inserção no mercado de trabalho à falta de qualificação. E isso é real, embora não se possa amenizar o problema do desemprego a essa constatação, nem imaginar que a qualificação, por si só, resolverá as dificuldades da sociedade e com isto gerar mais empregos.
Acredito que a qualificação profissional deve ser balizada por uma concepção de formação humana, que desenvolva as múltiplas dimensões do ser humano, já que não bastam mais os ''bons executores de tarefas'' para responder aos desafios do mundo do trabalho. Nesta perspectiva, a qualificação tem que fornecer elementos técnicos, científicos, políticos, de relacionamento e de adaptação a mudanças cada vez mais velozes. Não é possível, portanto, pensar a qualificação sem a integração com a educação básica, buscando a elevação da escolaridade dos jovens, que ainda hoje se expressa em índices alarmantemente baixos.
ANTONIO CARLOS DE MELO (comerciante) - Porecatu
Julgamento de Saddam
Os Estados Unidos estão brincando de teatro com a população mundial e, em particular, com a muçulmana ao encenar esse ''julgamento'' de Saddam Hussein. Que moral ou autoridade tem esse governo que está no ''poder'' no Iraque para julgar alguém? Por mais crimes que tenha cometido, Saddam deve ser julgado é pelo povo iraquiano e não por ex-agentes da CIA e outros lacaios do imperialismo americano. Quem precisava de um julgamento urgente pela insanidade e prepotência com que vem dando as cartas no mundo era George W. Bush, mas a ONU, a quem caberia esse papel, também sucumbiu ante sua arrogância. Pelo menos da condenação da história ele não escapará.
HABIB SAGUIAH NETO (bancário aposentado) - Marataízes (ES)





