Wal-Mart novamente

Agora que a poeira baixou gostaria de comentar duas coisas a respeito do caso. Primeiro, o erro crasso de marketing de uma empresa desse porte ao instituir uma queda-de-braço com o governo municipal. Nos Estados Unidos, uma empresa canadense quis montar o maior shopping center das Américas em Detroit. Acabou se contentando com o maior shopping do estado após cometer erros bem parecidos, criando desconfiança popular e debates políticos sobre as reais vantagens do investimento. Empresas como a Volkswagen, ao contrário, anunciam com estardalhaço a intenção de instalar uma nova planta. A partir daí, esperam calmamente a queda-de-braço entre estados e, dentro destes, entre municípios para ver quem oferece as maiores vantagens para atrair a nova fábrica (lembram-se da instalação da nova fábrica no Paraná no governo Lerner?). A questão do ''vale a pena?'' é muito simples sem ser reducionista: o Wal-Mart não é indústria, não faz dinheiro de fora vir para o município. Dos mais de 100 mil itens disponibilizados, pouquíssimos seriam obtidos em Londrina devido ao nosso incipiente parque industrial. Ou seja, após os gastos para a implantação da loja, milhões de reais mensalmente iriam sair da circulação pulverizada na economia local (e regional) centralizando-se em uma única empresa. Como a matriz brasileira não é paranaense, esse dinheiro retirado daqui direcionaria-se para outro estado. E ao final, boa parte do lucro iria para a matriz nos Estados Unidos. Resumindo, uma verdadeira sangria maléfica para a economia da nossa região metropolitana.

MARCELO DE SOUZA SILVA (empresário) - Londrina

Cotas, por que não?

Gostaria de contribuir no assunto sobre as cotas na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Lembro este ano deve passar pelo Congresso Nacional a reforma universitária e um dos primeiros pontos da reforma é a política de cotas. O governo propõe que 50% das vagas sejam reservadas a alunos que cursaram integralmente o ensino médio da rede pública. Quanto às cotas para negros (que será contida nos 50% das reservas da rede pública) será em proporção na população da unidade de federação onde está instalada a instituição, usando como base o último censo realizado pelo IBGE. É um grande exemplo de democracia e soberania de um povo a possibilidade de poder debater sobre assuntos que interessam a toda sociedade. As cotas não vêm para reparar falhas na rede pública de ensino e sim permitir o ingresso da parcela muitas vezes esquecida da sociedade. E para aqueles que acham que o nível de instrução dos alunos que entraram pelas cotas compromete o desenvolvimento do ensino, o governo propõe uma discrepância máxima de 30%, e se compromete a diminuir ano a ano, dado que, a qualidade do ensino público de base será melhorada. O que falta não é competência e sim oportunidade. Quanto às cotas para negros, estas também são bem-vindas, pois é a parcela mínima da imensa dívida social que existe para com os negros. Não devemos esquecer que durante anos os negros trabalhavam forçadamente em condições subumanas para que os brancos ficassem mais ricos e cultos.

CLEVERSON DIOGO RIZZATTI (estudante) - Francisco Beltrão

Cotas é solução?

Em artigo publicado em 27/6, a presidente Associação Afro-Brasileira de Londrina, Marilda Lucida Santos, na ânsia de defender a implantação das cotas para negros nas universidades acaba por afirmar que são racistas todos aqueles que discordam desta medida. Tal posição é muito comum ao longo da história. Para a Inquisição todos os que não concordassem com a Igreja eram bruxos, durante a ditadura militar no Brasil todos os que discordassem do governo eram comunistas. Outro que se utiliza deste tipo de raciocínio é o professsor Reinaldo Zanardi (28/6). Em sua opinião, quem discorda do sistema de cotas é hipócrita. Talvez não passe pela cabeça dele que muitos dos que defendem as cotas também podem estar sendo hipócritas, apoiando tal medida simplesmente porque é ''politicamente correto'' e porque não querem ser chamados de racistas. Ora, esta visão maniqueísta da realidade impede o debate livre e democrático porque desqualifica o opositor no lugar de argumentar com lógica. Muitos defendem a igualdade de oportunidades e justamente por isso são contra qualquer tipo de discriminação. É verdade que há preconceito na sociedade brasileira, qualquer pessoa com um pouco de sensibilidade reconhece isto. Agora vamos ao que realmente é importante: o sistema de cotas vai resolver o problema da desigualdade? Esta é a questão fundamental, o resto são disputas emocionais entrelaçadas com interesses do momento. Creio que não solucionará e ainda ajudará no aumento do preconceito, mas posso estar errado. Esta crença (e é uma crença, pois só o futuro dirá se estou certo ou não) está baseada em um princípio que diz: não se pode corrigir um erro com uma idéia errada, ou seja, usar a cor de uma pessoa para favorecê-la com uma vaga na universidade é injusto, seja ela negra ou branca.

FÁBIO LUIZ DA SILVA (professor) - Londrina


Correção

- Diferentemente do que a Folha publicou ontem na reportagem ''Senado rejeita PEC dos Vereadores'', na página 6, o município de Apucarana é que terá uma redução do número de vereadores de 19 para 11.

- Ao contrário do que informou ontem a reportagem sobre os critérios técnicos para simplificação dos bairros de Londrina em apenas 55 nomes, (Caderno Cidades, página 1) o chefe regional do IBGE, Alfeu Celso Campiolo, informa que o instituto trabalha com 409 setores compreendendo 300 residências cada um e não 800 como foi informado na matéria.

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