Teatro x preço

Em relação à carta publicada sob o título ''Cócegas no bolso'' (28/6), de autoria de Fabiano Bezerra de Souza, que aponta o desfavorecimento das classes menos privilegiadas culturalmente e exemplifica a peça teatral ''Cócegas'' como uma referência para isso, considerando o alto valor cobrado pelo ingresso. Na condição de produtora teatral atuante na cidade, devo esclarecer que sua opinião não condiz com a realidade cultural que vem se desenvolvendo em Londrina, pois a demanda de grupos locais e espetáculos a preços populares (valores entre R$ 5,00 e R$ 2,50) são quase que absolutas, levando-se em conta que a qualidade destes espetáculos é equivalente ou até superior aos espetáculos com ''atores globais'', não desmerecendo os mesmos. Infelizmente, nem sempre se conta com casa lotada, sendo que muitas destas são classificadas como ''espaços alternativos'' com capacidade, em média, de 150 lugares. Não discordo do leitor quando este se refere ao preço inacessível de R$ 50 para o espetáculo em questão, considerando-se as condições econômicas que nosso país tem passado, porém só gostaria de promover a valorização da cultura local. Com isso torna-se fundamental também lembrá-lo sobre a importância da construção do teatro municipal para atender às produções que vêm acontecendo na cidade.

FERNANDA FERNANDES (produtora cultural) - Londrina


Impunidade no trânsito

Venho mais uma vez declarar minha indignação e tristeza pela indefinição de nossa dita ''Justiça''. Hoje completa-se 3 anos do atropelamento de meus filhos, Amanda (10) e Lucas (7), e até agora nenhum tipo de punição foi dada à pessoa ''irresponsável'' que cometeu este ato absurdo. Enquanto o processo criminal se arrasta, envolto a milhares de burocracias, fazendo com que o meu sofrimento de mãe se torne mais dolorido, na semana passada mais uma vítima de um irresponsável no volante: uma criança de apenas 10 anos perdeu a vida de uma forma trágica e, como agravante, em cima da calçada. Enquanto isso, o atropelador se recupera de pequenas escoriações e segue sua vida normalmente. Não menos importante, no dia 26, ouvi também o desabafo de outra mãe que sente a mesma dor que a minha, por perder o filho que estava trabalhando com uma moto e foi colhido por um veículo conduzido por um irresponsável alcoolizado. Um ano após do acidente, nem sequer esse motorista tinha sido identificado ou se apresentado. Até quando vamos viver à mercê da violência no trânsito que também mata, como um revólver, como a droga? As autoridades ainda não entenderam que, enquanto houver impunidade nas chamadas infrações de trânsito, as pessoas continuarão a serem imprudentes e o quadro de violência só tende a aumentar.

ANA PAULA COLONHEIS (auxiliar administrativa) - Londrina


Cotas na UEL

Li na edição de segunda-feira da Folha a opinião de um professor universitário que chamava de hilária e trágica a argumentação de estudantes contra a política de cotas para negros na universidade. Confesso que me senti incomodado com as argumentações utilizadas pelo mesmo para defender sua idéia. O vestibular é ainda a maneira mais democrática para a decisão de quem vai ocupar as vagas nas universidades, apesar de não ser a ideal. Os governantes devem se preocupar com a preparação do indivíduo para o concurso e não em facilitá-lo. Se os pobres e negros não têm condições de se preparar para a prova, o governo tem de trabalhar para oferecer essas condições e não escolher uma maneira rápida e barata para que isso ocorra. Isso resolve o problema, mas não a causa. Dessa maneira perde-se o interesse em resolver o sucateamento do ensino público fundamental e médio. Somos todos brasileiros, e cada um deve se orgulhar do que é e da cor que tem. Não podemos criar políticas que despertem em nós a vontade de ter uma cor ou outra. Quero sim um dia presenciar uma sociedade igualitária, mas espero que isso ocorra naturalmente através do esforço de cada classe. As mulheres conquistaram seu espaço na sociedade sem que para isso tenham necessitado de políticas como a que se propõe agora, mas através da luta pelos seus direitos. Luther King deu início a um forte movimento negro, mas com idéias que nem sequer pareciam com o que é proposto agora. Dizia sim que sonhava com o dia em que as pessoas fossem julgadas não por sua cor, mas por seu caráter. Agora, mais do que nunca, sonho também com esse dia.

JOSÉ CARLOS FERRAZ JÚNIOR (administrador de Empresas) - Londrina

Excesso de homenagens

Quase todos os dias podemos ver os nossos ilustres representantes nos jornais posando junto com ''homenageados'', às vezes disputando espaço entre eles pra sair ''melhor'' na foto. Todos com cabelos bem cortados, alguns até com topete parecendo artista de cinema, beirando o ridículo. Não precisamos de vereadores para isso. Não quero dizer que os homenageados não mereçam, alguns até que merecem, mas nossos representantes não têm feito outra coisa. É demais a quantidade de homenagens. Sinceramente, podemos viver sem isso. Há muitas outras coisas importantes pra fazer, ou será que não? A propósito, por que não seguem o exemplo de Uraí e passam a ter a vereança do voluntariado? Sem salários! Afinal, plagiando o ilustre presidente da Câmara, ''Londrina não pode ficar atrás de uma cidade muito menor como é Uraí''. Duvido que a Câmara tenha peito pra tanto. Enquanto isso continuam os mesmos problemas como, violência, falta de empregos, desestímulo aos comerciantes e industriais e o pior: não se vê nenhum deles aparecendo nos jornais mostrando projetos ou iniciativas para acabar ou minimizar tais acontecimentos. Ao contrário, aparecem querendo painéis eletrônicos, aumentar número de assessores e fazer anexo da Câmara.

GIANCARLO LOPES BRANDÃO (estudante) - Londrina


Correção

- Diferentemente do que informou ontem texto da chamada da capa da Folha, 40 mil pessoas morrem por ano em acidentes de trânsito no Brasil.

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