CARTAS
Espaços teatrais
Como leitor assíduo da seção de cartas, tenho constatado que sempre que alguma peça teatral ''comercial'' se apresenta na cidade - normalmente no Teatro Marista - causa uma grande repercussão. As queixas são relativas aos preços cobrados pelos, quase sempre, atores globais e suas peças ''vendáveis''. Já assisti algumas peças do gênero - também no referido teatro - e gostaria de expressar que as peças que mais me marcaram foram as do FILO (peças ''alternativas'') e inúmeras outras subsidiadas pelo poder público que são apresentadas no Ouro Verde, Zaqueu de Melo, Circo Funcart e outros lugares. Peças comoventes, premiadas, enfim, que mostram a vida por um outro ângulo, ou talvez, mostrem a vida do modo certo, e ainda por um preço acessível. Em relação à inclusão cultural das populações menos favorecidas, tem-se na cidade diversos projetos culturais e, ainda, apresentações teatrais, musicais e outros com a entrada franca, basta apenas querer se enriquecer. No que tange aos lugares para os espetáculos, tenho ainda uma fascinação muito grande pelo Teatro Ouro Verde, talvez pelas inúmeras peças que lá assisti, aquele lugar irradia uma emoção incomensurável, tanto pelas peças como pela vivacidade do público. Outro exemplo, existe um espaço que aliado à cenografia dos espetáculos traz os sonhos para a realidade, onde o público, certamente, sente fazer parte de algum livro especial que tenha lido - o Circo Funcart. Percebo que o que mais há aqui são palcos e espetáculos para todos os gostos e bolsos. E, por fim, uma peça comercial (daquelas que pouco enriquecem) terá sempre o intuito do lucro. O consumidor de tais peças se estivesse no lugar daqueles atores, com exceções para os dois lados, também visaria, e muito, o lucro!
TADEU GALVÃO COSER (estudante) - Londrina
Cotas para mulheres
Se forem aprovadas os 40% das cotas da UEL para negros e índios ali estudarem, irá se instalar em nossa cidade uma profunda injustiça. Historicamente, sabemos que as mulheres sofreram discriminação de toda ordem, desde tempos imemoráveis, que as impediram de evoluir. Assim sendo, as mulheres, independente de raça ou cor, seriam as reais merecedoras de receberem tais cotas. Há décadas que as mulheres passaram a ser em sua grande maioria ''cabeça do casal'', o que quer dizer ''provedoras'': via de regra, assim que dão à luz seus filhos, ao ficar ''fora de forma física e mental'', são abandonadas pelos maridos e não lhes resta outra alternativa senão assumir integralmente todas as tarefas que incumbiriam ao casal. Entendo que, tendo a chance de estudar e trabalhar com a mesma tranquilidade que um ''ser masculino'' estuda e trabalha, evoluiremos profissionalmente e exerceremos a plena cidadania ativa. Do contrário, a sociedade continuará a edificar as paredes de nossas prisões mentais, o que é o cúmulo da injustiça. Nós, mulheres, precisamos e merecemos ser melhor assistidas.
SÔNIA REGINA FAUSTINO (advogada) - Londrina
Cota racista
Escalavrar vergonha brutal que foi a escravidão, curricularmente inegável, é verdade (abjeta por qualquer prisma e ainda ocorrendo em áreas rurais), soa-me como profunda má-vontade de olharmos para a frente, orgulho deslocado e mais a boa e velha paixão humana, cabendo oportuna pergunta, não fosse ela irrespondível: ''Quem é negro, hoje, num Brasil continental e multimiscigenado?'' Se um negro quiser incluir-se ''por fora'' de ''sua'' cota, um idiota não-negro, por assim dizer, procurará a justiça para tirar-lhe este, digamos, ''direito'', já que aquele não usa ''sua'' reserva? E agora, briosos gestores públicos? Não foi próspero e acretinado futeboleiro que disse ''já fui negro e sei como a vida é dura''? Como anda a Educação dessa maravilhosa nação? Cabe ao 3º grau reparar desastres do 2º e do 1º? Alguém já viu aí o salário de um professor, em qualquer nível, comparado com a real utilidade de um vereador-comendador desses da atualidade?
CHRISTIAN STEAGALL-CONDÉ (professor) - Londrina
Centro Cultural
Dia 21 de junho foi um dia muito importante para a comunidade londrinense. Depois de nove anos de espera, foi inaugurado o Centro Cultural da Região Norte. Uma vitória não só dos moradores da região norte de Londrina, mas também do movimento cultural, democrático e popular. Pelo menos nesta questão do Centro Cultural houve maturidade entre o Poder Executivo e Legislativo de saber aproveitar uma emenda orçamentária de um deputado federal de oposição, e também candidato a prefeito, em deixar a politicagem de lado (a mesquinharia e as ''questões pessoais'' costumam ser regra nas relações entre o Executivo e o Legislativo) e devolver ao povo, o que ele paga através dos muitos impostos. Sem dúvida, o dia em que o Executivo e o Legislativo trabalharem juntos - como foi o caso do Centro Cultural - em prol da comunidade deixando o ''quem ganha o que com quem'' poderemos dizer que assim a política faz e a cidade ganha.
JUAREZ REZENDE ARAÚJO (presidente do Conselho de Cultura da Região Oeste de Londrina) - Londrina
Reinserção de presos
Gostaria de cumprimentar o juiz corregedor Roberto Ferreira do Valle por haver proporcionado aos presos a oportunidade de um trabalho, de construir algo útil, de possuir um objetivo, recebendo uma remuneração como estímulo e de reintegrá-los à sociedade. Há muito tempo defendo que os presos trabalhem na construção e reforma de estradas mediante um pequeno ordenado para ajudar as próprias famílias. A psicóloga Eliane Marçal, da Casa de Custódia, fez outra iniciativa digna de todos os elogios: a biblioteca onde os presos poderão aprender não só a ler e escrever, como demonstrar criatividade. Parabéns a ambos pela iniciativa.
IRENE CRUZ CORRÊA (aposentada) - Londrina
Correção
- Diferentemente do que informou ontem a legenda da reportagem ''LEC atinge o 'status' de lanterna'' (pág. 10/Esporte), a foto que ilustra a matéria é do zagueiro Luis Oscar.





