CARTAS
Sistema de cotas
A implantação do sistema de cotas para afrodescendntes no ensino superior ainda é objeto de polêmica e discussão. O Estado e a sociedade ainda dabatem o tema, as opiniões se dividem e, por mais questionáveis e duvidosos que sejam os benefícios do sistema de cotas, entendo que a discussão deve se estender para uma questão mais elementar: o racismo no mercado de trabalho. A discussão deve necessariamente atingir um nível mais básico, mais concreto e de benefícios mais diretos para os afrodescendentes. Basta observarmos os estabelecimentos comerciais, bancários e as repartições públicas para chegar a uma triste constatação: raramente encontramos negros ocupando cargos de relevância, às vezes nem mesmo se vê pessoas da raça negra em determinados segmentos do mercado de trabalho.
O que existe em nosso país é um racismo velado. Os bons empregos, os cargos importantes, sejam públicos ou privados, normalmente são negados aos afrodescendentes. A discriminação racial é enrustida, é encoberta pela falsa impressão de igualdade, pela ilusória noção de que todos possuem igual oportunidade. Portanto, ao invés de se preocupar com o sistema de cotas nas universidades, o Estado e a sociedade deveriam trabalhar para modificar esse comportamento racista que ainda existe no país. Deveriam tomar medidas educacionais e institucionais para possibilitar o direito básico ao trabalho digno e iguais oportunidades para os afrodescendentes. Mesmo que se conclua o curso superior, o afrodescendente terá enormes dificuldades para encontrar um lugar no mercado de trabalho. É necessário pôr fim a essa mentalidade que ainda existe em nossa nação.
TOCHITANE MITSI (aposentado) - Londrina
SOS Noroeste
É um pedido de socorro sobre o abandono que se encontra a região noroeste do Paraná. Em função de minha profissão exigir, as viagens por toda essa região se tornaram uma perigosa aventura. Não consigo entender o descaso, desses pseudodeputados que, através de mentiras, o que não é novidade em política, se dizem defender os seus redutos. As cidades, em sua maioria, literalmente jogadas à sorte de segurança, saúde, transporte, e os ''homens da política'', discutindo seus futuros conchavos nas próximas eleições. Apenas um exemplo, dentre centenas, que deixa qualquer mortal revoltado é a ponte no município de Tapira, construída e jogada ao relento, sem utilização. Tenho certeza, que outras regiões do Estado também estão em desespero, mas, abandono maior que o Noroeste do Estado está, é impossível. Srs. políticos, lembrem-se do ditado ''quem bate, esquece, quem apanha, não''. O Governo só está preocupado em achar ''culpados'', esquecendo de apresentar soluções. O povo já mostrou sua indignação ao governo anterior, elegendo quem se auto-rotula, o homem bravo, truculento, mas que se mostra um péssimo administrador.
SÉRGIO PEREIRA MARINS (autônomo) - Umuarama
Bananas em buracos
Há 3 anos, nossa região ficou famosa por ser a pioneira em plantação de banana e outras culturas no meio do asfalto, ou melhor no meio dos buracos que se abriram no asfalto. Na ocasião, foram criados movimentos regionais para protestar pela má conservação de nossas pistas, intransitáveis naquele momento. Ficamos famosos saindo em todos os jornais da mídia nacional. O protesto valeu à pena, chamando a atenção do governo que tomou algumas providências chamadas de tapa-buracos, mas com promessas de uma grande operação pela recuperação concreta de nossas estradas. Porém, o tempo se passou, trocamos de governo, este com promessas de recuperação imediata, e como num filme que voltou a ser apresentado, os nossos velhos e amigos buracos, estão de volta, atuantes como sempre, causando acidentes e levando vidas. Tudo está como antes, o descaso voltou a ser o mesmo, e somente quem transita pelas estradas do nosso extremo Noroeste sabe o perigo que nossos motoristas estão correndo. Em apenas um dia acompanhei 3 acidentes, graças a Deus sem levar vidas, e muitos outros irão ocorrer. E o que mais nos impressiona é que nenhuma providência está sendo tomada. Logo o Noroeste que necessita de boas estradas para escoar sua safra. Parece que está na hora de voltarmos a plantar bananas e outras culturas em nossas estradas. Acho também que não deveríamos ter arrancado, pois pelo menos já estariam produzindo e assim nossas estradas serviriam para alguma coisa.
FRANCISCO ANTÔNIO BONI (advogado) - Santa Cruz de Monte Castelo (PR)





