CARTAS
Cotas sim!
Tenho acompanhado com especial interesse os debates sobre a utilização ou não das cotas para os negros nas universidades, principalmente por ser negro e já ter sofrido discriminação dessa sociedade hipócrita que na teoria prega uma democracia racial no Brasil. Há pessoas que gostam de apregoar o bonito artigo da Constituição que diz que todos são iguais perante à lei para justificar seu voto contrário às cotas. Esquecem esses que, durante mais de 300 anos, os negros foram ''diferentes'' perante a lei. Trabalharam como escravos, sem acesso à educação, dignidade e justiça, e contribuíram na marra para que os brancos ficassem ricos, poderosos e cultos. Em 1888 veio a abolição e ''libertaram'' os negros. Entretanto, já se vão 116 anos e nada, absolutamente nada, foi feito para reparar ou indenizar os pecados cometidos contra os negros. O Brasil tem uma dívida para com os negros e ela nunca foi paga. As cotas serão uma parcela mínima dessa dívida, paga em forma da inclusão social do negro na universidade. Não temos receio de sermos mais discriminados por causa das cotas, pois é um direito e uma dívida que queremos receber, e já somos discriminados neste país desde 1522. Prefiro a discriminação escancarada para mostrar a ferida do racismo em nosso país do que a hipócrita democracia racial que mantém a maioria dos negros fora das universidades. Enquanto o Brasil não reparar os erros cometidos contra os negros, e as cotas são o primeiro passo, os negros continuarão a ser tratados como ''diferentes'' perante a lei. Mas continuaremos a sonhar com o dia em que verdadeiramente seremos iguais perante a lei e a sociedade.
IVANILDO RODRIGUES DE OLIVEIRA (funcionário da Receita Estadual) -
Maringá
Cotas bem-vindas
Finalmente consigo ler neste espaço destinado à opinião pública aquilo que vem defender de forma completa as cotas para negros na UEL. No artigo ''Cotas na UEL'', publicado no dia 22/6, a reitora da UEL, Lygia Lumina Pupatto, consegue resumir tudo aquilo que vem explicar a necessidade dessa cota. Ao contrário do que disse a estudante Aline Zamboni, neste mesmo espaço também no dia 22/6, dar cotas não é tapar o buraco que existe no ensino fundamental, não é discriminação. Dar cotas para negros é tentar amenizar agora séculos de escravidão e de discriminação. Esse problema de forma nenhuma termina na criação de cotas, é necessário investimento em educação, de inclusão social, mas os resultados desses investimentos levam anos para mostrar resultados. Então, como ficam aqueles que estão isentos de oportunidades hoje? Repito o que foi dito pela reitora, imperdoável é pressupor que são incapazes os pobres e negros, o que lhes falta é oportunidade e não capacidade. Portanto, não é obrigação nenhuma um branco, rico ou mais inteligente passar no vestibular. Obrigação é dar oportunidade a todos, capacidade independe de raça ou classe social. As universidades têm sim obrigação de diminuir o racismo e a brutal exclusão social existente em nosso país. Magnífico saber que temos na UEL uma reitora que acredita que as universidades devem recrutar não só filhos da elite, mas também filhos da população pobre e discriminada. Só assim talvez consigamos amenizar a desigualdade social existente no país.
JOSIANE RODRIGUES (assistente financeiro) - Londrina
Cotas x apartheid
Já trabalhei sob comando de diversos superiores hierárquicos negros. Meus melhores amigos no Corpo de Fuzileiros Navais eram negros. Na faculdade, estudei com negros, detalhe que só passei a observar após a discussão do sistema de cotas para ingresso de negros nas faculdades. Até compreendo a boa intenção que está por trás de tal atitude, espero que não seja só demagogia, porém jamais aceitaria ingressar onde quer que fosse pelo simples fato de ter a pele escura. Afinal, em salas de aula será constrangedor para alguém que ingressou pelo sistema de cotas sanar alguma dúvida. No exercício de um cargo público, qualquer erro, por mínimo que seja, será motivo para que todos digam que você não tinha capacidade para exercer o cargo e só foi aprovado devido ao sistema de cotas. Enfim, todos o olharão como um ser inferior, embora não o seja, e a medida que visava integrar acabará por desagregar e humilhar. Com esta medida passamos a impressão de que ser branco no Brasil é sinônimo de ser rico, ou que ser preto, signifique ser incapaz ou possuir neurônios em número inferior. Qualquer tipo de auxílio deve ser dado em virtude da condição social do cidadão e não em virtude da cor de sua pele.
CLÁUDIO MARQUES DA SILVA (delegado de Polícia) - Paranacity (PR)
Ar no encanamento
No domingo dia 13/6, havia no Caderno Especial (pág. 15) informações muito interessantes dos senhores Sérgio Bahls, gerente da Sanepar, e do técnico Arnaldo Bicalho, ambos mostrando maneiras de se economizar água, fato muito louvável. Todos nós devemos economizar tudo que for possível pois é um direito nosso. Os senhores citados não explicaram por que somos obrigados a pagar o ar que passa pelo hidrômetro após uma falta de água. O meu hidrômetro, nestas ocasiões, chega a zunir pela rapidez com que o ar passa e eu não posso impedi-lo porque a caixa d'água aceita esta passagem de ar. Pagamos água e esgoto pelo ar que passou. Existem aparelhos que fazem esta economia, mas a Sanepar não permite a instalação. É perda para ela. Estamos precisando de uma ''SaneAr'' para nos mostrar como economizar ar.
PAULO O. FONTOURA (representante comercial) - Londrina
Correção
- Diferente do que foi publicado na edição de anteontem da Folha, a Câmara de Vereadores de Londrina concedeu o diploma de reconhecimento público ao padre Roberto José Lettiere, fundador da Fraternidade de Aliança Toca de Assis e da Associação João XXIII para Evangelização, na última terça-feira.





