Cemitérios

Muito me surpreendeu a opinião da Acesf sobre a questão do abandonado cemitério do Heimtal. Será que o único interesse da Acesf é retomar túmulos para revendê-los como vem fazendo inclusive no Cemitério São Pedro e, aparentemente, sem ao menos avisar as famílias, pintando apenas um x vermelho sobre a sepultura? Afinal, qual é o significado de ''perpétuo''? É um desrespeito à memória dos pioneiros de nossa cidade que, na atual administração, parece mesmo desejar-lhes negar o repouso no solo da cidade que ajudaram a construir. Enquanto isso, as famílias que visitam os túmulos de seus entes queridos no Cemitério São Pedro, aos domingos, têm que atravessar em meio ao lixo, restos de obras, de caixões e flores mortas que ficam espalhados pelas calçadas internas do cemitério (o que já foi motivo de reportagem da Folha). Faria melhor a Acesf se restaurasse o cemitério do Heimtal em respeito à memória dos pioneiros. E, ao menos, cuidasse da limpeza dos demais cemitérios. Ao que parece, em Londrina, nem mesmo os mortos merecem o respeito da prefeitura.

HWIDGER LOURENÇO FERREIRA (estudante) - Londrina




Não às cotas

Concordo com a opinião da estudante Aline Zamboni em relação às cotas da universidade. Estive presente no dia 21/6 na Câmara de Vereadores e acompanhei de perto o debate. Até hoje a população branca não vem discrimando os negros em parte alguma da universidade, pois entra nela quem realmente estuda e tem capacidade. De acordo com o artigo 5º da Constituição somos iguais perante à lei independentemente de cor, raça e sexo. Se até hoje somos todos alunos (iguais) disputando vagas na UEL, por que começar com a discriminação deixando 40% das vagas para pessoas negras e de escolas públicas? O governo que tem de melhorar o ensino da escola pública para depois poder se livrar da culpa. Se o governo não tem capacidade de melhorar o ensino da rede pública, não são as pessoas de escolas privadas que têm de pagar para ter um bom ensino e sim o governo que deveria ter obrigação de dar isso igualmente a todos. Inteligência não tem cor, sou estudante de escola pública e quero entrar na universidade pelo meu potencial e não por ter vaga garantida.

PATRÍCIA TOLEDO DE CAMPOS (estudante) - Londrina


Dinheiro x felicidade

Muito interessante o artigo ''O dinheiro que traz felicidade'', do jornalista Walmor Macarini, publicado ontem na Folha. Em nosso país há uma cultura que tudo faz para esconjurar a riqueza. Os mais antigos hão de se lembrar da telenovela ''Irmãos Coragem'' (que atingiu inacreditáveis cem por cento de audiência em alguns capítulos), quando todas as mazelas, desgraças e opróbrios de uma família ocorreram a partir do momento em que um de seus membros encontra um imenso diamante. Ou dessa novela que termina hoje, Celebridade, onde quase todos os personagens bem-sucedidos amealharam fortuna usando de traição, canalhice, artifícios obscuros. Essa cultura de que dinheiro não traz felicidade é tão arraigada que um conhecido, hoje empresário de destaque, sente-se desconfortável com a riqueza que acumulou com tanto sacrifício, luta árdua, determinação, obstinada paciência - e quando esbanja seu dinheiro manchado de suor e lágrimas, o faz com a consciência doendo, sempre pensando na problemática de vivermos num país de miseráveis. Se lhe pedem uma esmola e por qualquer motivo ele a nega, fica dias sem conciliar direito o sono. Eu não tenho onde cair morto, mas creio que tudo aquilo que conquistamos sem prejuízo ao próximo, é uma dádiva dos Céus. Os puritanos que colonizaram os Estados Unidos pensavam assim, e o resultado é essa nação que vemos hoje, tão amada quanto odiada, mas inegavelmente extraordinária.

JOÃO ATHAYDE DE PAULA (escritor) - Londrina


Alguns vão, mas ficam

O que Leonel Brizola significou para a história do Brasil no último século? Seu falecimento, na noite de segunda-feira, se não nos dá palavras para compreendê-lo, ao menos suscita a busca por uma resposta a essa questão. Se a tarefa de escrever a história cabe a quem sobrevive a ela, talvez este momento se preste a isso. Mas se não servir de registro historiográfico, que sirva pelo menos de humilde homenagem a ele que foi sem dúvida um dos maiores brasileiros de todos os tempos. Como falar da vida de Brizola? Seus feitos, agora relatados nos telejornais, são de seriedade e honestidade imensuráveis - o valor dado à educação, a luta pelo povo brasileiro e pelos interesses nacionais. Repetir aqui os fatos seria redundante neste momento, talvez o melhor a fazer seja se emocionar com as imagens do seu velório. Ao ver os rostos das milhares de pessoas que choraram, cantaram e gritaram enquanto se acotovelavam para se despedir de Brizola, talvez possamos chegar perto de entender o que ele significava para elas. Ao lembrar que ele foi o grande líder da campanha da legalidade em 1961, chegamos perto de entender o que ele significou para a nossa política. Aliás, a trajetória política de Brizola é mesmo difícil de compreender. Lembrar que nas eleições de 1989 ele obteve maciça votação no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, os únicos Estados que governou, nos leva a entender um dos lemas de suas campanhas: ''Quem conhece o Brizola, vota no Brizola.'' Um grande homem se foi, agora resta o que nós pensamos dele, e não é pouca coisa.

LUIZ NELSON MACEDO ABBUD (professor) - Londrina


Correção

- Ao contrário do que informou ontem reportagem da Folha 2, o nome do grupo londrinense que se apresentaria no Festival Internacional de Cultura das Três Fronteiras, em Posadas, é Troupe AeroCircus com o espetáculo ''Os Saltimbancos''.

- Diferentemente do que foi publicado ontem na reportagem sobre a possível mudança do Shopping Popular, Caderno Cidades (pág. 3), a presidente da ONG Canaã que administra o shopping, é Clemari Santos Oliveira.

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