Leonel Brizola

Com a morte de Leonel Brizola o povo brasileiro perdeu um dos maiores senão o maior representantes da luta pelo restabelecimento da democracia e pelo fim das desigualdades sociais. Sua resistência ao golpe de 64 foi um exemplo disso. Mesmo exilado, continuou sua militância pelo fim da ditadura militar e volta das eleições diretas, fato que lhe custou o pódio no ranking dos políticos com maior número de desafetos entre as elites. Em suas administrações, sempre se destacou por obras em prol dos menos favorecidos e também pela honestidade e lisura com que cumpriu seus mandatos. Brizola também deixará saudades pelas frases de efeito que criou, dentre elas a criação do ''vergonhódromo'' para os que chegam ao poder e esquecem os compromissos assumidos com o povo. E também quando disse que seria fascinante fazer a elite engolir o Lula, esse sapo barbudo.

HABIB SAGUIAH NETO (bancário aposentado) - Marataízes (ES)

Conveniência histórica

Em artigo publicado ontem na Folha, a reitora da UEL, Lygia Pupato abusa da demagogia. Ao invés de fomentar, sua argumentação empobrece o debate sobre as cotas. Penso que como reitora de uma universidade, ela (e sua administração) deve procurar as causas da exclusão social no desenvolvimento histórico da sociedade brasileira e não na composição social das elites. Esse desenvolvimento foi sempre a favor de uma elite política, cultural e econômica, resultando nas múltiplas facetas da desigualdade na sociedade contemporânea. A tarefa da universidade não é democratizar o acesso às elites nem alimentar as causas dos problemas. Sua tarefa é empreender uma sociedade sem exclusão alguma. Intolerância e egoísmo é destinar um papel que ela imagina ser o da universidade sem consultar a história. Nada mais que uma conveniência para as mesmas elites.

JÚLIO CÉSAR CAMPANO FLORIANO (sociólogo) - Londrina


Justiça nas cotas

Li ontem no ''Espaço Aberto'' o artigo ''A capacidade dos jovens para inovar''. Depois, a notícia de muitos jovens estudantes na Câmara, se opondo às cotas nas universidades. Parece que quando o assunto é mudar um status quo que priva uma grande parcela da população de ter acesso ao ensino superior, a inovação não é bem-vinda. Alguns pensam que estão perdendo vagas. Quando a questão vai muito além disso. É fato que as mudanças deveriam começar de baixo, com a melhoria do ensino público. Isso nem se discute, mas leva anos. Hoje, o que se pode fazer é tentar reduzir a desigualdade com uma medida que, à primeira vista, não parece justa. Mas quando tomamos conhecimento do reduzido número de estudantes negros ou de baixa renda que têm acesso à universidade é que enxergamos a verdadeira injustiça.

ANGELY CECÍLIA DE ALMEIDA PROENÇA E SILVA (estudante) - Londrina


Cotas na UEL

De todas as etnias que aportaram em nosso querido Brasil, os negros são os únicos que vieram na condição irreversível de destino e escravidão. Todas as demais elegeram nosso país como pátria e aqui, livre e bravamente, formaram esse fantástico mosaico de peles. As singularidades dos eventos fez com que, através do tempo, houvesse um assombroso descompasso na ascensão social entre os negros e os demais compatriotas. A bem da verdade o conjunto de indivíduos negros e pardos continua escravo: escravo de base da pirâmide social e escravo na inacessibilidade acadêmica. Enquanto permanecer o atual sistema cruel e elitista, a democracia será violentada todos os dias, e o cristianismo não passará de mera hipocrisia.

IRACEMA AYALLA DOS SANTOS (estudante) - Maringá


Cotas na UEL 2

Respeito a opinião e posso até concordar com alguns dos argumentos que a reitora da UEL, Lygia Pupatto, expõe em artigo publicado na edição de ontem da Folha. O que faltou falar e discutir é a realidade dos fatos: de que adianta criar cotas, favorecendo uma classe (seja ela qual for), e não ir direto à questão: a falência do ensino público. Os alunos das escolas públicas não são menos inteligentes que os alunos das escolas particulares. A diferença está na qualidade da formação que cada um recebeu. Se assim não fosse, o sucesso das escolas públicas seria muito maior que o das particulares, já que as públicas são em maior número e abrigam um número muito superior de alunos. Criar cotas para alunos oriundos de escolas públicas é humilhá-los, dizendo às claras que eles são menos competentes (intelectualmente falando) do que aqueles oriundos das escolas particulares, por isso precisam de um ''empurrãozinho''.

ANDRÉ LAZZARINI (veterinário) - Londrina


Cotas para excluídos

São posicionamentos divergentes os que temos visto em relação à implantação de cotas para estudantes em universidades brasileiras. O debate implantado espelha a democracia vigente e ajuda a sedimentar posições. Não podemos, no entanto, nos abstrair com a discussão pura e simples da questão de cotas para os menos validos e nos esquecermos da primordial questão da melhoria do nível da escola pública no país. É neste assunto que devemos nos deter realmente. Com os baixos níveis, até catastróficos, demonstrados nos exames que aferem a qualidade das escolas, não podemos nos iludir e querer criar uma elite intelectual. Ela não virá do nada. Não adianta colocar na universidade aquele que não teve base! E quanto mais nos demorarmos a enfrentar esta questão, mais abissal será a diferença entre os que tiveram uma formação melhor, fora da escola pública, daqueles a quem a sorte permitiu frequentar apenas a rede pública. Isto precisa ser mudado e encarado rapidamente com seriedade por toda a sociedade. As grandes diferenças que se pretende resgatar com as cotas, continuarão existindo, enquanto não se tratar de levantar o nível da escola pública, que permitirá aos menos validos aumentar seu poder de competição.

PAULO AFONSO MAGALHÃES NOLASCO (advogado) - Londrina

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