CARTAS
Língua não tem sexo
É preciso cautela ao se abordar um assunto sem conhecimento específico, pois há o risco de se simplificar ou problematizar uma questão. É o caso dessa proposta de ''gramática unissex'' para o português: ela não é tão simples quanto parece, mas nem por isso deve ser vista como um dos grandes problemas da língua portuguesa. Ao analisar os argumentos apresentados pelo técnico de informática Jeováh Batista de Almeida em entrevista à Folha 2 (20/6), percebe-se que a indignação dos entrevistados possivelmente tem relação com um ensino de gramática que por muitos anos fez com que confundíssemos gênero e sexo. Deve ficar claro que o gênero diferencia palavras e o sexo, pessoas; ou seja, são categorias diferentes. Além disso, nas sugestões que colocaria em seu livro, o próprio Jeováh contradiz sua teoria, pois acaba mostrando que não é preciso criar uma ''gramática unissex'': a língua nos fornece inúmeras opções de construção e cabe ao falante escolher a mais adequada à situação, a que mais lhe agrada. Assim, não há problema em usar ''prezadas senhoras, prezado senhor'' por exemplo. Com relação à proposta de mudança, a língua se transforma conforme o uso que se faz dela e, por ser um fato histórico, como observou o sr. Bechara, ela reflete a sociedade. Então, se for o caso, quem deve mudar é a própria sociedade e com o passar do tempo essas mudanças poderão ser absorvidas pela língua ou não, pois, além do ''machismo'', essa questão envolve origem das palavras, convenção, características próprias da língua entre muitas outras coisas.
LILIAN SALETE ALONSO MOREIRA LIMA (estudante) - Londrina
Escola integral
Gostaria de agradecer o espaço que a Folha de Londrina proporciona para expressarmos nossas opiniões. Foi através deste espaço que defendemos dois projetos voltados à educação que consideramos de grande impacto social e que agora é lei: escola em tempo integral e inclusão no currículo escolar da disciplina de informática nas escolas. Vale ressaltar que não é só o deputado autor dos projetos quem ganha, é a população mais carente que precisa de governo, da ação do Estado. Temos a obrigação de cobrar dos governantes que elegemos para que possam, no mínimo, cumprir com suas funções. Num momento tão crítico que vive o país, o desemprego e a violência em altos índices, as lei aprovadas podem reduzir o número de crianças que vive nas ruas, favorecer a geração de mão-de-obra qualificada, assim como ajudar o adolescente a conseguir o tão sonhado e difícil primeiro-emprego.
CARLOS ALBERTO SIQUEIRA (funcionário público municipal) - Londrina
Absurdo de cotas
Concordo plenamente com a opinião do estudante Jader Andrade Matos quando ele diz que esse assunto vai dar muito o que falar. É muito fácil dar cotas nas universidades para negros, índios, pobres... Dar cotas é tapar o buraco que existe no ensino fundamental que aprova alunos fracos, sem condições de encarar sequer um ensino médio, que dirá concorrer dignamente a uma vaga em uma universidade. Estabelecer cotas é discriminação, é o maior absurdo que um político pode inventar para ganhar votos. E quem não se encaixa nos perfis das cotas? Tem a obrigação de passar só porque é branco, nasceu mais rico ou mais inteligente que qualquer outro? É um abuso! Os que buscam igualdade são os mais preconceituosos.
ALINE ZAMBONI (estudante) - Londrina
Petrobras
Você sabia que com o referido reajuste de preço nas bombas, o valor do combustível aqui no país será igual ao praticado lá fora? Pelo menos foi o que disse o presidente da Petrobras. Não é ótimo assim? Vamos pagar aqui o equivalente ao que se paga lá fora! Ótimo mesmo, pelo menos para a Petrobras. Seria interessante perguntar ao presidente da Petrobras se também vamos ter os ganhos que eles têm lá fora. Aí sim, estaria justo! Vamos pagar o mesmo custo do combustível que eles pagam, mas vamos receber o mesmo que eles ganham por lá? Ah, mas não vai ser assim? Então, que é que nós temos com os preços que eles pagam lá? Eles ganham bem, são ricos. Nós vivemos numa pindaíba danada, só fazemos para pagar impostos, não sobra nada pra gente, por que temos que gemer no mesmo valor que eles? Não, não. Não está certo, não. O que adianta a ''nossa'' Petrobras ser tão rica se ela não pode ''maneirar'' o preço para nós? E olha que além de tudo, ainda tem muito álcool misturado em nossa gasolina, coisa que a deles não tem. Não dá para aceitar sem chiar, e muito. Tudo que é empresa vinculada ou fiscalizada pelo governo, todo ano tem seus reajustes, às vezes até mais de uma vez ao ano. Quando chega a vez do reajuste dos salários, dos ativos ou inativos, é aquela eterna dificuldade, com divergências atrás de divergências. Se nossos homens públicos não mudarem de postura vai demorar pouco para acontecer com o nosso povo o mesmo que aconteceu com o cavalo do inglês: quando ele estava quase acostumando a viver sem comer, morreu coitado, de inanição.
PEDRO PAULO NOLASCO (médico) - Londrina
'Faltaram afagos'
O senador Antônio Carlos Magalhães, aquele mesmo que renunciou ao mandado anterior quando estava prestes a ser cassado por conta do episódio da violação do painel eletrônico do Senado, teve a cara-de-pau de afirmar que o Senado derrotou a proposta de aprovação do salário vergonhoso de R$ 260 devido à ''falta de afagos do governo federal para com os senadores''. Francamente senador, a que tipo de afagos vossa excelência se refere? Seria, por acaso, à prática do toma lá da cá historicamente presente na sujeira da política?
LOURIVAL BARBOSA (estudante) -Londrina





