CARTAS
Seção de cartas
A reportagem especial de domingo na Folha sobre ''Um espaço democrático para exercer a cidadania'' me deixou feliz. A seção de cartas onde podemos nos comunicar e crescer como cidadãos, onde podemos nos sentir próximos de pessoas que só conhecemos através do jornal. Compartilhar a alegria da d. Rosane quando sua carta é publicada. Mesmo sem receber resposta às nossas cartas, é gratificante imaginar uma comunicação. No dia 10 de janeiro de 1998, quando o espaço na Folha ainda se chamava ''O leitor escreve'', nossa primeira carta foi publicada: ''O lixão de Rolândia''. Desde então conseguimos ocupar por diversas vezes o espaço da Folha. Capítulos foram se juntando e, na coleção que guardamos com muito carinho, está uma história que mantém as emoções do momento. Momentos de angústia ou alegria, o querer partilhar, sentar e escrever. Como escrever? A participação da família, mãe, esposa, tia, irmão. Momentos de longas discussões e adequações até a carta ficar ''boa'', de conseguirmos nela colocar em palavras os sentimentos que nos movem. Depois, a expectativa da publicação e a alegria quando, ao virar a primeira página: ''está lá o nosso texto!''. As vezes até melhorado pela Folha. Obrigado.
DANIEL STEIDLE (agricultor) - Rolândia
Caos na saúde
Por onde anda o direito de atendimento nos hospitais públicos aos cidadãos brasileiros. Todos falam que o sistema está em crise. Será que ninguém tem consciência que vidas acabam se perdendo à espera de um atendimento digno? A responsabilidade é de quem: do município, do Estado ou da União? A população está cansada de esperar por uma solução.
JULIANA NOGUEIRA (dona de casa) - Londrina
Terrenos baldios
Gostei muito da reportagem sobre terrenos baldios que viram lixões em Londrina. No bairro onde moro também tem casos parecidos como esse. Ao lado da minha casa tem um terreno vazio e acontece a mesma coisa, todo mundo joga lixo, entulho, galhos etc. Quando comecei a construir minha casa, há dois anos, dou uma limpada na calçada beirando a parede da casa. Mas fica difícil manter limpo porque os próprios vizinhos jogam lixo no terreno. Já entrei em contato com o proprietário, mas ele não está nem aí com o terreno. Há cerca de um mês joguei terra no fundo do meu terreno. Aproveitei que tinha contratado uma máquina para esparramar a terra e pedi para o operador dar uma amontoda no mato e entulhos que havia no terreno vizinho.
ADEMIR FERREIRA VIÇOSO (auxiliar de compras) - Londrina
Sofrimento
A boa nova corre rápido e a mudança é lenta quando trata-se no sistema de passagens de ônibus urbano de Londrina. O passe em Londrina é hoje uma moeda consideravelmente forte. Encontramos muitos cidadãos em um mercado informal conhecido e encontrado em diversas ruas no centro da cidade: a venda livre de passes. Em um país do desemprego generalizado surgem estes ''profissionais''. Os prejuízos das companhias de transporte urbano são grandes por causa desse mercado informal e a falsificação dessa nossa moeda emergente londrinense. Uma mulher trabalhadora, recebe o cartão eletrônico de passes e mais seu ordenado. O filho dessa mulher está desempregado. Obviamente não tem dinheiro sequer para se locomover em busca de trabalho. Usava uma vez por semana no mínimo dois passes. A cada passe usado, era um real e sessenta centavos a menos no orçamento de sua mãe. Poderia usar o cartão da mãe? Poderia se ela não trabalhasse o dia todo e se não necessitasse de portar o cartão. Essa é uma dura realidade. O filho tem que sofrer caminhando à pé para a cidade em busca de emprego. O lucro para as companhias é alto e ajuda a modernizar, mas os prejuízos para a sociedade são elevados. Com projetos melhores, beneficiaria proporcionalmente a todos.
PAULO AUGUSTO SEBIN (estudante) - Londrina
Recado a Requião
Senhor governador Roberto Requião, faça uma reflexão da sua administração. O pedágio não baixou e nem acabou, mas aumentou e uma praça de pedágio a mais o senhor implantou. As rodovias não pedagiadas não recebem manutenção e estão dominadas pela erosão. A saúde pública do Paraná está um caos. Além das intermináveis filas das cirurgias agendadas para depois da morte, os hospitais tiveram suas verbas diminuídas. As universidades estão sucateadas. Ao invés de investimentos na melhoria dos cursos já implantados, cursos foram cancelados. Professores celetistas foram demitidos. Já que sua administração não gera melhorias, pelo menos deveria deixar as casas de bingo em paz porque elas continuam gerando emprego e até agora o senhor não conseguiu provar nenhuma irregularidade. Aliás, a jogatina que o senhor combate é a mesma a que certas escolas e hospitais recorrem para poder comprar equipamentos e não fechar suas portas.
SÉRGIO TORETO (escriturário) - Goioerê
Incoerência
A mesma lei que está taxando o aposentado em 11% eleva o teto dos altos salários de R$ 8.362,80 para R$ 19.115,19. Esse detalhe não é propagado pela mídia. Apenas se tem ouvido falar que o Supremo Tribunal Federal poderá derrubar a taxação de inativos e o governo perderá receitas. A conclusão a que chegamos é de que o recado tem um endereço certo: pressionar o Supremo para uma decisão desfavorável ao aposentado. Se o objetivo for alcançado abriremos sérios precedentes que poderão colocar em risco o nosso Estado democrático de direito, em que outras ações poderão ter o mesmo destino.
ANTÔNIO PEREIRA (contador) - Londrina





