CARTAS
Racismo
Nos dias atuais, uma das mais acirradas discussões tem sido a da cota de vagas nas universidades públicas para negros, ou afrodescendentes, como preferem alguns. Esse tipo de discussão, na minha opinião, só leva a um caminho: à institucionalização do racismo. No Brasil, esse tipo de debate não merece toda a repercussão que tem sido dispensada, porque somos o mais miscigenado dos povos. E depois do genoma humano ter sido esmiuçado, temos provas concretas que não existem várias raças, mas uma única: a raça humana. Mas eu continuo com a minha velha e formada opinião sobre o assunto: quem é discriminado na nossa pátria amada não é negro, não é índio, não é judeu, não é o muçulmano. Quem é realmente deixado à margem da sociedade organizada é o pobre. O racismo enraizado no nosso povo é puramente social e mui raramente se dá pela cor da pele ou pelo credo religioso. Estou de pleno acordo com a idéia de criarem-se vagas específicas nas universidades públicas para o aluno oriundo da escola pública, que na maioria é pobre, e bolsas nas instituições particulares para esses alunos que, em sua maioria, não tem condições financeiras para seguir em frente com seus sonhos. Sou a favor de auxílios financeiros para que esse aluno não deixe a academia, podendo este empréstimo ser pago com trabalho à comunidade. Sou a favor da qualificação e fortalecimento do ensino público e gratuito mas jamais de cotas específicas para os negros, porque não podemos responder esta pergunta: quem é negro no Brasil?
DAVRISON DE ABREU ANSELMO, professor, Ibaiti
Cotas na UEL 2
Na reportagem ''Cotas para os negros não resolvem o problema'', publicada na edição de 09/06/2004, o professor e presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Norte do Paraná, Alderi Luiz Ferraresi, alega que o sistema de cotas é injusto pois ''causará prejuízos àquelas famílias que investiram numa educação melhor para os filhos''. Ora, senhor Ferraresi, se existe neste País uma elite de privilegiados que pode pagar bons colégios particulares aos seus filhos no ensino fundamental e médio, essa mesma elite pode também arcar com o ensino superior em boas faculdades particulares. Que deixem as universidades públicas aos menos privilegiados que, aliás, se constituem na imensa maioria da população, hoje obrigada a se submeter a um ensino público totalmente sucateado. O sistema de cotas pode não ser o ideal, mas é um primeiro passo para corrigir esta imensa distorsão que ocorre hoje no ensino público, onde os ricos estudam em escola superior pública e os pobres, quando podem pagar, ficam com o ensino superior pago, na maioria das vezes de qualidade duvidosa. Este sistema perverso, por sinal, contribui para a brutal concentração de renda ora existente neste País.
JOSÉ EDMUNDO MOURA, bancário aposentado, Ribeirão do Pinhal
Dr. Azis Farah
Levamos nossas homenagens a este pioneiro da Mediana, que baixou à terra, levado por familiares e colegas, no cemitério São Pedro em 8 de junho de 2004. Deus foi misericordioso com Azis, levou-o do sono para a eternidade. Não houve sofrimento de doença prolongada. Como um justo, partiu para o seio do Senhor, a juntar-se com a sua querida esposa. Deixou numerosa família, membros da sociedade londrinense, que palmilharão o trajeto delineado pelo extremoso pai. Destacou-se entre a classe médica pelo cavalheirismo, competência, habilidade técnica no manuseio da difícil arte de implantar agulhas de ''radium'', no preparo do câncer do colo do útero, para posterior histerectomia. Foi na região um dos poucos detentores dessa técnica. Na medicina, o pioneiro. Faleceu aos 93 anos. Nasceu em 1911 nu Líbano, em Bakbeck, vindo com sua família para o Brasil, onde fixaram residência em Belo Horizonte. Formou-se em medicina na Faculdade de Medicina de Niterói, com a turma de Juscelino Kubitsheck, com quem manteve sempre grande amizade. Quando Juscelino veio a Londrina na sua campanha para presidente, fez empenho em visitar Dr. Azis, e almoçar com a família. Sepultado dia 8, após ter sido velado na Associação Médica de Londrina. Aposentado, dedicou-se ao esporte. Hábil tenista, vencia seus adversários com ''lobs'' muitas vezes indefensáveis. Sei disso também porque jogamos inúmeras partidas no Country Clube. Exerceu suas atividades como radiumterapeuta nos Hospitais de Londrina e no Hospital São Leopoldo, no serviço do seu grande amigo Dr. Jonas Faria de Castro Filho.
JOÃO DIAS AYRES, médico, Londrina
Sem máscara
O senhor Cláudio Humberto escreveu na sua coluna que em dois anos ele desmascararia o governo Lula e que não foi preciso nem dois anos. Gostaria de lembrá-lo que o governo não foi desmascarado e, sim, já entrou como governo sem a máscara da utopia e vestindo a carapuça da realidade. Veja bem quem critica: ex-porta voz do governo Collor. Por que será que ele não cita as maracutaias que começaram no Governo Collor, como o escândalo PC Farias e ele, é claro.
MÁRCIO DICESAR BENASSI, aposentado, Sertanópolis





