Quebra-molas
  Alguns dos motoristas que são contra a existência de quebra-molas nas vias públicas devem antes demonstrar sua maturidade ao volante para poder reclamar da existência de tais lombadas. Os que mais reclamam são aqueles que mais correm e menos respeitam os limites, garanto! As lombadas estão lá para ‘‘frear’’ esses apressadinhos. Eu comparo os ‘‘quebra-molas’’ aos ‘‘mata-burros’’. Alguém conhece um mata-burro? Mata-burro é um artifício usado no meio rural para impedir que os animais quadrúpedes saiam das fazendas para a estrada, sem ter que utilizar-se da porteira. Assim como o quebra-molas, os mata-burros impedem os animais de fazer o que quiserem. A diferença é que os mata-burros impedem que os animais passem de um lugar para outro, já os quebra-molas impedem que se ultrapasse o limite de velocidade. De qualquer forma, ambos são meios eficientemente utilizados para obrigar os animais a respeitarem as leis. Um obriga animais irracionais; já o outro, animais racionais... porque alguns destes insistem em se comportar como irracionais. Se tais motoristas agissem com a razão e com a inteligência respeitando o limite de velocidade principalmente em frente a escolas, hospitais, etc, não seriam necessários tais lombadas, bastanto apenas a sinalização visual. Portanto, a próxima vez que você passar sobre uma lombada, lembre-se que ela está ali por causa de alguns motoristas que insistem em não respeitar os limites e as sinalizações.
ANDRÉ LAZZARINI (veterinário) - Londrina


Maria Vitória
  Em fins do mês de maio, numa noite fria, uma criança ainda com o cordão umbilical foi abandonada pela mãe. Foi encontrada num tanque de lavar roupas apenas com um cobertorzinho. O seu choro, a sua luta pela vida, atraiu a atenção dos moradores da casa simples. A senhora que a encontrou amarrou o cordão umbilical e a encaminhou para a Santa Casa de Campo Mourão. Foi atendida com carinho, livrou-se da morte e, felizmente, está saudável. Recebeu o belo nome de Maria Vitória. O fato foi divulgado com ênfase no rádio, jornal e TV – até no Fantástico do dia 30 de maio. Há centenas de casais interessados em adotá-la. Fama a bela Maria Vitória já tem. Tomara que seja muito feliz e mensageira de amor e solidariedade. O personagem bíblico Moisés também foi abandonado num rio.
FRATERNO MARIA NUNES (aposentado) - Campo Mourão


Lixo
  Quem é responsável por recolher o lixo espalhado nas ruas? Eu passo mais de uma vez por dia na Rua João XXIII. Desde segunda-feira (31/5), na altura do terreno da ACEL, tem um cadáver deitado no meio-fio daquele quarteirão e ninguém o retira de lá. Sim, um cadáver. De um cão. No início da semana ele estava lá, deitado de barriga pra cima, com os pés esticados para o alto, como que se estivesse tomando sol (ou chuva) na barriga. E na sexta-feira (4/6), ele ainda continuava lá, imóvel (claro, haja visto que esta morto!). O infeliz deve ter sido atropelado domingo ou segunda-feira, e morreu no local. Em pleno centro de Londrina, um cão morto apodrecendo no meio-fio de uma rua movimentadíssima. O responsável pela limpeza pública não está dando conta do serviço e o povo que agüente o mau-cheiro e a disseminação de doenças, ratos, etc. Pode até ser que, ao publicarem esta carta, alguém tenha feito o ‘‘recolhimento’’ de tal cadáver, mas que ele passou a semana inteira lá, passou.
ANDRÉ LAZZARINI (veterinário) - Londrina


Analfabeto político
  Segundo o escritor Bertold Brecht (1896-1951), ‘‘o pior analfabeto é o analfabeto político’’, não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos, ignora o custo de vida, inflação, preços dos alimentos, remédios, aluguéis, impostos, taxas públicas, e é denominado pelo nobre escritor de ‘‘burro’’, acrescento, ‘‘hiena’’ também. Na total ignorância, esses imbecis colaboram para o aumento da criminalidade, prostituição, menores abandonados. Acabam elegendo políticos medíocres, incompetentes, corruptos, populistas. Ainda gabam-se de odiar os políticos, causando o aumento de miseráveis famintos, com discriminação para os mais pobres, numa vergonhosa desigualdade social. Votando mal, elegem os piores. Surgem, então, os políticos corruptos, oportunistas, ‘‘profissinais do mandato’’ que usam o dinheiro sujo para comprar votos, perpertuar-se no poder. Caso houvesse critério na escolha, jamais seriam eleitos. É uma pena que o povo seja tão enganado. Prometem empregos, melhoria na saúde, educação, segurança, mas na prática, privilegiam grupos econômicos, poderosos, nominam ruas, concedem títulos de honrarias para puxar o saco ou receber benesses, discriminam trabalhadores ambulantes, votam contra igrejas, defendem o aborto, união entre casais do mesmo sexo. Até quando vamos reeleger ou votar em péssimos candidatos? Não somos capazes de escolher melhor?
MOISÉS DOS SANTOS (aposentado) - Londrina


Chacina no Rio
  Que bom seria se toda a sociedade brasileira, em especial os nossos governantes, não se deixasse iludir pelo imediatismo em resolver os problemas e começassem a trabalhar para o bem geral e definitivo do povo a longo prazo. Quero dizer com isso que somente fazendo uma autêntica reforma agrária e uma equitativa distribuição de renda acompanhadas de educação crítica para todos os brasileiros é que vamos evitar casos horríveis como este que acabamos de assistir na Casa de Custódia do Rio de Janeiro. Se existem ‘‘bandidos e assaltantes’’ foi porque lhes faltaram oportunidades de um bom e digno emprego e uma ótima educação. O que se precisa neste País é construir escolas de qualidade com acesso a toda população e não presídios como apregoam certas autoridades. Não adianta construirmos os ‘‘bandidos’’ e depois querermos nos livrar deles colocando-os em prisões que muitas vezes são verdadeiras escolas para a criminalidade, isso quando não estão superlotadas sem o mínimo dignidade para os detentos. Precisamos mesmo é criar um pouco mais de vergonha e fazer valer o art. 3º inciso III da Constituição. Afinal, ‘‘o homem nasce bom mas a sociedade o corrompe’’ (Rousseau) .
ANTÔNIO PEREIRA ANCHIETA (padre) - Jacarezinho

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