CARTAS
Quadrilha livre
Realmente a máxima de que o Brasil não é um país sério, sempre está se confirmando. A última confirmação desta acertiva foi a liberdade concedida aos quadrilheiros da Previdência Social. Quando há envolvimento em atos criminosos de pessoas possuidoras de cacife financeiro, influência política em condições de contratar bons advogados, tudo geralmente termina em pizza. Os processos ficam hibernando na lentidão do judiciário burocrático, repletos de possibilidades de recursos para beneficiar os gatunos que acabam ao final de um processo interminável, no máximo devolvendo parte da quantia roubada e tudo fica resolvido para os criminosos. Temos inúmeros exemplos da inoperância do judiciário. Um dos acusados presos nesta operação vampiro, já em 1992, por ocasião do governo do ex-presidente cassado Fernando Collor foi pilhado cometendo inúmeros crimes. Em síntese, se este país fosse realmete sério, este cidadão estaria mofando na cadeia. Contudo, nada aconteceu até hoje. Nenhum dos delitos imputados ao criminoso sequer foi julgado e com certeza vai hibernar nas prateleiras do judiciário até ser arquivado por prescrição ou devido à morte do criminoso por velhice. É por estas e outras, que os nossos políticos, nada fazem para reformar a legislação anacrônica e ineficiente do Brasil. Se o judiciário for dotado de instrumentos para julgar mais rápido e punir criminosos, por certo os criminosos incrustados inclusive no poder judiciário também podem ser alcançados pela lei. Será que o deputado federal José Janene (PP) citado nas gravações da máfia do sangue pela Polícia Federal votaria pela mudança da lei, possibilitando que pessoas comprovadamente criminosas respondam pelos seus atos?
LOURIVAL BARBOSA (estudante) - Londrina
Cotas para negros
Cotas para negros não é humilhação e nem vamos entrar pela ''porta dos fundos'', mas pela porta da frente e com toda a dignidade. Não sou contra a melhoria no ensino público. Isso seria o ideal. Mas quanto tempo levaria isso? E os negros estão cursando o ensino médio? Não consta abrir cursinhos para população de baixa renda ou cotas para o ensino público. Que fique bem claro que o que queremos com as cotas não é só entrar na universidade por entrar, mas sim uma reparação moral por tantos anos de escravidão, sofrimento e preconceito.
AMANDA SOARES DE BRITO (estudante) - Londrina
Cratera lunar
Você já viu uma? Não? Venha a Alvorada do Sul pela PR-090, via Bela Vista do Paraíso, e conheça várias. Porque o asfalto que leva a esta cidade está tão furado ou mais quanto queijo Suíço, quanto pista de solo atingido por meteoritos. Sem falar que comparando tal estrada com aquelas fotos da lua, onde podemos observar sua superfície, ganhamos na quantidade e perfeição dos buracos...tão redondinhos, são as próprias crateras! Agora, falando sério: não adianta o DER vir colocar aqueles ''pozinhos-de-arroz'' em cada buraquinho porque a natureza trabalha melhor. A cada chuva que temos, abrem-se novamente os buracos. Mas ficaria até bonitinho se não tivéssemos que trafegar sobre eles, correr risco de morte a cada dia que passamos por ali, testar nossa carteira de habilitação cada vez que dirigimos. Pelo amor de Deus, senhor secretário dos Transportes, senhor governador Requião, façam alguma coisa! Mas alguma coisa boa, bem feita, que justifique nossos impostos e valorize nossas vidas e que seja rápido, porque, caso contrário, não estaremos vivos pra ver.
ROSIMEIRE APARECIDA ASUNÇÃO ZAMBOLIN (armazenista) - Alvorada do Sul
Soldado exemplar
Dia 13 de fevereiro, moradores e frenquentadores do Zerão encaminhamos correspondência dirigida ao Comandante do 5º BPM, tenente coronel Manoel da Cruz Neto, salientando o brilhante trabalho do soldado Joel Martins Bornal na região. Com sua presença, usando de energia quando necessário, ele inibe a ação dos infratores, em especial aos domingos à tarde depois das 15 horas, até por volta das 20 horas. Chegamos até a nos preocupar com sua segurança, quando ele, sozinho, muitas vezes detectou os problemas e os resolveu sem alarde.
Sem surpresa alguma, tomamos conhecimento de um fato novo que bem vem demonstrar o trabalho eficaz e humanitário do soldado Bornal. No dia 17 de março, por volta da 7h30, ele fazia sua ronda de rotina no Zerão, viu um aglomeramento de cerca de 80 pessoas, quando o chamaram informando que uma senhora portava uma pistola automática e uma foto de criança na mão, parecendo estar bastante transtornada o que os levava a crer que tentaria o suicídio.
O soldado Bornal esgueirou-se por entre as árvores. Vendo que a mesma sentou-se no chão e ao virar para ver, talvez pela última vez a foto da criança, já com a arma apontada para a cabeça, usando de muita cautela, pulou sobre ela, dominou-a, retirando-lhe a arma, com total segurança daquela senhora e dos demais frequentadores que ali estavam. Foi solidário ao seu desespero, tentando acalmá-la. Fez perguntas e não obteve resposta. Optou, então, conforme manda a lei, em encaminhá-la à autoridade competente, que era o delegado de plantão. Esses são fatos lamentáveis do cotidiano. E na medida que muito se exploram problemas que teriam ocorrido com policiais de nossa cidade, é importante que aqueles que compõem nossa sociedade não se esqueçam de enaltecer atuação de policiais como o soldado Joel Martins Bornal. E é ele que nos disse com serenidade: ''Apenas cumpri com meu dever''. Obrigada Bornal, você merece nosso aplauso!
IRACEMA DE MELLO MANGONI (advogada) - Londrina





